Mercado

Merkel promete casas e cortar desemprego para metade na Alemanha

03/07/2017 - 11:05, Global Report

Em plena corrida para as eleições gerais de 24 de Setembro, a actual chanceler promete gastar mais e dinamizar a economia.

Por Luís Reis Pinheiro, com Lusa 

A Alemanha tem actualmente o nível de desemprego mais baixo da zona euro, mas em ano de eleições a líder da União Democrata Cristã (CDU) e actual chanceler do país, Angela Merkel promete mais.

Mais habitações novas para arrendar e mais apoios ao investimento, de modo a reduzir o número de pessoas sem trabalho para metade. De acordo com uma versão preliminar do programa eleitoral da CDU obtida pelo maior jornal da Alemanha, o Bild, a ideia de Merkel é propor um pacote de medidas para gastar mais. Este discurso a favor de um impulso à procura, estratégia que durante muitos anos não mereceu a atenção de Berlim, acontece a poucas semanas das eleições nacionais, agendadas para 24 de Setembro.

A peça na edição deste domingo do Bild, que é citada pela Lusa, diz que o programa eleitoral da CDU será apresentado hoje e “inclui um plano para atingir o pleno emprego no país, o mais tardar em 2025”. A obtenção do pleno emprego na Alemanha implica, segundo o Bild am Sonntag, “reduzir para metade o actual número de desempregados, de 2,473 milhões, para baixar a taxa de desemprego de 5,5% para menos de 3%”.

Observa-se ainda que “os especialistas consideram que o pleno emprego numa sociedade é alcançado quando a taxa de desemprego é menor do que 3%”.

Os números da Comissão Europeia para o mercado de trabalho alemão são menos dramáticos: Em 2016, a Alemanha teria apenas 1,8 milhões de pessoas sem trabalho, o que equivaleria a uma taxa de 4,1% da população ativa. Trata-se da taxa mais baixa da zona euro e, na União Europeia, é a segunda menor a seguir à da República Checa (4%).

O desemprego médio da área do euro ronda os 10%. Portugal está mais ou menos nesse nível, actualmente. Segundo a Lusa, o programa eleitoral da CDU e da ala bávara, a União Social-Cristã (CSU), será agora concluído num encontro entre Merkel e o chefe da CSU e primeiro-ministro bávaro, Horst Seehofer. A reunião foi ontem. Outro ponto do programa preliminar que foi noticiado “é aumentar a construção de habitação através de incentivos fiscais, tendo como objetivo a construção de 1,5 milhões de casas durante a próxima legislatura”.

. Este reforço na oferta de casas é visto pela coligação CDU-CSU “como um recurso para travar o aumento do preço das rendas”, escreve a agência. Em termos macroeconómicos, a Alemanha tem uma enorme capacidade para financiar o crescimento europeu na medida em que regista o maior excedente da balança de pagamentos de toda a Europa, cerca de 8,5% do PIB no final do ano passado.

Esta capacidade de poupança excessiva, que é já considerada um desequilíbrio macroeconómico, contrasta com os défices de outros países (2,3% do PIB em França). Portugal, deficitário durante décadas, tem hoje um excedente, mas não vai além de 0,5%.

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