Mercado

Merkel sai em defesa do ‘Made in Germany’…

22/10/2015 - 12:06, Europa, Global Report

Depois do escândalo que envolveu a Volkswagen, a potência económica da Europa vê beliscada a sua imaculada reputação. Karma, ai, o karma.

Por Nilza Rodrigues | Fotografia Bloomberg

“Acredito que a reputação e a confiança da economia alemã não foram abaladas e continuamos a ser um bom local para fazer negócios”, reitera a chanceler alemã quando questionada sobre o impacto do escândalo da VW sobre a reputação do seu país.
Porém, a perícia industrial, marca registada da Alemanha, não poderia estar mais em causa. As encomendas às fábricas na Alemanha caíram inesperadamente 1,8 % em Agosto, face às estimativas de um aumento de 0,5 %. O declínio-surpresa está relacionado com três factores: as emissões da Volkswagen, a desaceleração da China e de outros mercados emergentes que ameaçam as exportações, e ainda o afluxo de imigrantes que vão exercer pressão sobre as finanças do país.
Começando pelo início, neste caso pela gota de água. O caso VW e a forte dependência do país em relação ao sector automóvel. Joerg Kraemer, economista-chefe do Commerzbank, não crê que toda a indústria automóvel alemã seja questionada  por causa da VW, mas admite que pode haver um efeito dominó de erosão da marca de confiança “made in Germany”. David Haigh, CEO da Brand Finance, é mais firme no seu statement. “É já tarde para conseguir parar o efeito corrosivo que a VW está a ter na reputação do país-natal, nomeadamente na sua cultura de negócios. A indústria alemã está assente na eficiência e confiança, ao mesmo tempo que os alemães são vistos como trabalhadores sérios, honestos e cumpridores da lei. Essa percepção só foi intensificada pelo governo Merkel, pela forma como abordou a crise da dívida grega.” A Alemanha, que se encontra entre os cinco países que detêm a marca-nação mais valiosa – e lidera o top das marcas com mais força –, pode ver estes índices caírem a pique (ver quadro).
O pior cenário seria se o selo de qualidade ‘Made in Germany’ sofresse um impacto maior, e, muito por alto, um declínio de menos de 10% na produção da VW já poderia reduzir o PIB em 0,25 pontos percentuais.
Por outro lado, a chegada de um total estimado de 800 mil candidatos a asilo neste ano coloca em risco a meta do ministro das Finanças, Wolfgang Schaeuble, de manter o orçamento da Alemanha equilibrado em 2016. O governo destinou pelo menos 7,5 biliões USD para abrigar, alimentar e integrar os imigrantes.
Perante este cenário, a Organização Mundial do Comércio já reduziu a sua projecção para o comércio exterior em 2015 de 3,3% para 2,8%, e acrescenta uma nota de rodapé: provavelmente estaremos a ser optimistas!
Para a Brand Finance, há solução. “O erro atingiu nos últimos dias uma dimensão tal, que o próprio futuro da VW está em dúvida.”  Se há alguma luz ao fundo do túnel? Uma investigação a fundo do escândalo, uma comunicação séria dos factos e.. seguir em frente. De preferência, sem poluentes.

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