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Milionário Malcolm Turnbull lidera governo da Austrália

01/10/2015 - 14:24, Austrália, Global Report

Fez carreira e fortuna no direito e na banca, mas sempre ambicionou chegar ao mais alto cargo do seu país.

Por Paulo Narigão Reis | Fotografia Bloomberg

Se descontarmos a realeza dos petrodólares, não é habitual um milionário chegar à cadeira do poder legislativo. Malcolm Turnbull, que na semana passada desalojou Tony Abbott do cargo de primeiro-ministro da Austrália ao conquistar a liderança do Partido Liberal, entra agora para um clube cheio de pretendentes – vide Donald Trump ou Mitt Romney nos Estados Unidos – mas com poucos associados.
No caso de Turnbull não foi por falta de tentativas. A carreira política, que partilhou sempre com a carreira profissional, começou nos anos 1990, quando se tornou líder do Movimento Republicano Australiano, um grupo de pressão para a Austrália se tornar uma república e deixar de ter o monarca britânico como chefe de Estado. Já neste século, serviu como ministro do Ambiente (em 2007) e ministro das Comunicações (de 2013 até agora). O cargo mais alto do governo é, porém, uma antiga aspiração de Turnbull, que, em 2009, disputou a liderança do Partido Liberal com Tony Abbott, saindo na altura derrotado por apenas um voto.
Apesar de integrar o governo de Abbott, Turnbull sempre foi, na realidade, o grande rival do agora ex-primeiro-ministro. A insatisfação com o trabalho de Abbott, governante contestado e um verdadeiro campeão no que a gafes diz respeito, levou-o a disputar a liderança partidária, que venceu por 61 votos contra 39, superando a desconfiança que merecia do sector mais conservador do Partido Liberal. Os seus opositores classificaram a bem-sucedida investida de Turnbull como um “golpe de Estado”.
“Temos de mudar para bem do país, para bem do governo, para bem do partido”, afirmou Turnbull quando desafiou Abbott para a liderança do partido.
Ideologicamente, era mais o que os separava do que oque os unia, nomeadamente quanto à política económica e social e mesmo aos costumes. Ao contrário de Abbott, que elegera o carvão como grande motor da economia australiana, minimizando o impacto ecológico, Turnbull defende a tomada de medidas imediatas para travar as alterações climáticas. Outro tema polémico que divide os dois políticos é o casamento de pessoas do mesmo sexo. Apesar de ambos professarem a fé católica, Turnbull é a favor, Abbott contra. O atrás referido republicanismo é outro ponto de desacordo entre os dois políticos, com Turnbull a defender que a Austrália deve eleger um presidente e não prestar vassalagem, mesmo se simbólica, a Isabel II.

Fortuna
Antes da política, Malcolm Turnbull foi advogado e homem de negócios. Asua fortuna, avaliada em mais de 100 milhões de dólares australianos (72 milhões USD) tem feito com que seja alvo de ataques, nomeadamente na imprensa. Na semana passada, antes de derrotar Abbott, um jornal de Sydney apelidou-o de “O homem dos 100 milhões que quer ser primeiro-ministro”, apesar de o próprio se considerar um homem simples.
Formado em Direito pelas universidades de Sydney e Oxford, Turnbull estabeleceu o seu próprio escritório de advogados em 1986, conquistando proeminência internacional quando defendeu Peter Wright, antigo agente do MI5,contra a Coroa britânica, num caso que ficou conhecido como “Spycatcher”.
Em 1987, começou a trabalhar para a sua fortuna, fundando um banco de investimento com o seu nome, o Whitlam Turnbull & Co, em parceria com o banqueiro Nicholas Whitlam.Aassociação acabou por romper-se em 1990, mas a empresa continuou com o nome de Turnbull & Partners até 1997, quando o novo primeiro-ministro resolveu seguir em frente e ingressar no Goldman Sachs Australia, onde foi director e supervisionou diversas operações de aquisição.
Malcolm Turnbull, de 60 anos –nasceu em 24 de Outubro de 1954 – é casado com Lucy Turnbull, antiga mayor de Sydney, e tem dois filhos. Afamília Turnbull vive numa das ruas mais caras da Austrália, em Point Piper, um exclusivo subúrbio portuário a leste de Sydney.

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