Mercado

O Irão está de volta à economia global

15/10/2015 - 14:04, Global Report, Médio Oriente

O vice-ministro do Petróleo abre as portas do país às empresas estrangeiras, incluindo as americanas. Podem não ir para já, mas, inevitavelmente… irão.

Por Ana Maria Simões | Fotografia DR

O Irão convida os investidores estrangeiros a desenvolver activamente a sua indústria de energia, após o fim das sanções que têm data marcada para 2016. E quem o faz, oficialmente, é o vice-ministro do Petróleo, Rokneddin Javadi, numa entrevista à Reuters. “Congratulamo-nos com todas as empresas petrolíferas, incluindo as americanas, que se enquadrem nos requisitos de uma república islâmica, a investir no Irão”, disse. O“Grande Satã” desvanece no imaginário iraquiano. Mas, mais do que isso, o Irão está de volta aos mercados mundiais do petróleo e à economia global. E há 100 mil milhões USD de receitas petrolíferas congeladas (que escaparam ao controlo de Teerão), que vão regressar à economia iraniana.
Teerão concordou em reduzir o seu programa nuclear em troca do fim das sanções económicas que atingiram, entre outros sectores da economia, a produção de petróleo. As principais empresas petrolíferas ocidentais retiraram-se do Irão quando a ONU, os Estados Unidos e a UE impuseram sanções ao país em consequência do incremento do programa nuclear.
Javadi reconhece que o Irão tem agora maior disponibilidade para investir no sector de petróleo e gás e, como tal, toda a ajuda é bem-vinda, especialmente o know-how e tecnologia estrangeira que dará um significativo apoio ao desenvolvimento dos campos petrolíferos e melhorará infra-estruturas em gasodutos e refinarias. O vice-ministro acredita que as empresas estrangeiras podem trazer investimento, tecnologia e competência de gestão indispensáveis para o desenvolvimento da indústria petrolífera do país.
Os americanos mostram-se um tudo-nada relutantes no regresso ao Irão. Os direitos humanos e o apoio a grupos terroristas ainda estão no dossier das questões mal resolvidas.
As sanções reduziram para metade as exportações de petróleo do Irão – 1,1 milhões de barris diários, quando no período pré-sanções estavam nos 2,5 milhões. A perda da renda do petróleo teve consequências para o desenvolvimento do país, mas os consumidores iranianos estão agora muito mais optimistas relativamente ao futuro da economia. Renault e Peugeot foram duas das empresas que regressaram em força ao Irão.
Entre 19 e 21 deste mês, o governo iraniano promove, em Teerão, uma conferência internacional sobre a estratégia de petróleo e gás. Durante a conferência, o vice-ministro pretende sensibilizar o sector privado para o potencial energético e fomentar parcerias com empresas estrangeiras.
O Irão quer disputar com o Iraque as condições oferecidas às grandes companhias petrolíferas, e retomar a sua posição na tabela dos três maiores exportadores de petróleo do mundo. Para isso, sabe que é indispensável a abertura do sector ao investimento estrangeiro. Os analistas dizem que o Irão continua a ser um lugar difícil para as empresas ocidentais. “A par de um sistema político complexo, há uma teia fina de leis pouco atractivas ao investimento estrangeiro”, disse o economista Sadegh Siami. O vice-ministro contesta e diz que os investidores estrangeiros estão protegidos pela lei do investimento iraniano. “Nós temos boas leis, que, com uma correcta aplicação, protegem os direitos dos investidores estrangeiros.”
E verdade que mais depressa as empresas europeias chegarão a Teerão dos que as americanas, e não estamos só a falar da distância. E, independentemente do apelo do vice-ministro do Petróleo, os investidores estrangeiros estão de regresso a uma das mais importantes economias do Médio Oriente, com significativas reservas de petróleo e gás (a maior do mundo), e  com  uma produção que pode chegar, a  4,2 milhões barris por dia no próximo ano.

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