Mercado

O Irão vai abrir para negócios

31/07/2015 - 10:59, Global Report, Médio Oriente

A Alemanha foi o primeiro país a “atacar”, com a visita do vice-chanceler Sigmar Gabriel.

Por Paulo Narigão Reis | Fotografia DR

Com a perspectiva do levantamento das sanções económicas, após a assinatura do acordo nuclear, começou a corrida económica ao Irão, com as empresas europeias na linha da frente. A Alemanha abriu as “hostilidades”, com a visita de Sigmar Gabriel, ministro da Economia, no que constitui a primeira deslocação oficial de um governante ocidental a Teerão desde que foram impostas sanções económicas à nação do Médio Oriente. Gabriel, que é também vice-chanceler, não foi sozinho: levou com ele vários representantes das empresas alemãs que esperam aproveitar a abertura do Irão aos negócios para entrar numa economia com o potencial de se tornar na grande potência regional. ThyssenKrupp, BASF, Volkswagen, Mercedes-Benz e Siemens são alguns dos gigantes da indústria germânica que esperam reentrar no Irão, país onde fizeram negócios durante décadas. A Siemens tem, aliás, uma relação antiga com Teerão: a empresa participou na construção do primeiro caminho-de-ferro iraniano, no final do século XIX.
Esta semana, será a vez de a UE fazer-se representar ao mais alto nível, com a visita de Federica Mogherini, a chefe da diplomacia europeia, que vai discutir as relações bilaterais entre Europa e Irão. Quase ao mesmo tempo, chega à capital iraniana Laurent Fabius, ministro dos Negócios Estrangeiros de França, a primeira visita oficial gaulesa em 12 anos. A exemplo da Alemanha, a França tem também uma ligação antiga ao Irão, nomeadamente através de empresas como a Total e a Peugeot. Ao contrário de Sigmar Gabriel, Laurent Fabius não levará consigo líderes de negócios, mas, para Setembro, está marcada a visita da Medef, a mais poderosa associação empresarial de França, em representação de cerca de 80 das maiores empresas francesas.
O mês de Setembro ficará também marcado por uma visita oficial do governo de Espanha, assim como do presidente da Áustria, que será o primeiro chefe de Estado ocidental a chegar a Teerão.

EUA à espera
De fora, para já, ficam os Estados Unidos, cujo embargo comercial vai manter-se em vigor. O acordo de Viena tem, ainda, de passar no Congresso norte-americano, e, enquanto não houver luz verde, tanto empresas como particulares estão proibidos de efectuar qualquer negócio com o Irão, a não ser que sejam especialmente autorizados. Existe, no entanto, uma excepção: a aviação civil. Assim que os inspectores se certificarem de que o governo de Teerão está a cumprir o acordo nuclear, o que deve acontecer ainda este ano, empresas como a Boeing terão permissão para vender aviões e peças ao Irão, num negócio que poderá render 20 mil milhões USD na próxima década. Aviação civil à parte, as indústrias alimentar e farmacêutica são as outras excepções ao embargo dos Estados Unidos. O que não significa que outros sectores da economia norte-americana não comecem já a esfregar as mãos perante a perspectiva de entrar num mercado de 80 milhões de pessoas. Na fila de espera estão gigantes petrolíferos como Exxon Mobil e Chevron, mas também Apple e McDonald’s, de olho em franchises no Irão.
No meio desta ofensiva económica está o Turquoise Partners Group, empresa que gere cerca de 90% do investimento estrangeiro no Irão. “O interesse no Irão tem sido inacreditável. Antes, recebíamos um ou dois emails por mês, mas, nos últimos meses, estamos a receber pelo menos 10 a 20 emails por semana”, afirma Ramin Rabii, CEO da Turquoise, em declaração ao Guardian. “Recebemos mais de 100 delegações estrangeiras nos últimos 15 meses, das quais 90% foram europeias. Da Escandinávia, Reino Unido, Alemanha, Itália e até dos Estados Unidos”, acrescenta Rabii.
Outro sector da economia que tem vindo a crescer desde que o moderado Hassan Rouhani chegou à presidência do Irão é o turismo e, com o levantamento das sanções, espera-se um verdadeiro boom.
Nos planos das autoridades de Teerão está o alívio da burocracia na emissão de vistos e o aumento do investimento no sector, com a construção de, pelo menos, 200 novos hotéis. E há muito para visitar na antiga Pérsia, como as ruínas de Persépolis, mandada construir pelo imperador Dário, ou a cidade histórica de Isfahan, com a sua imponente arquitectura e o seu bazar.

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