Mercado

O mundo espera que a China resolva a crise que começou

10/09/2015 - 15:42, Asia, Global Report

Em 50 sessões, o maior índice chinês, o Shangai Composite, desvalorizou mais de 30%. Só na semana passada caiu 17% em apenas três dias.

Fotografia Bloomberg

O Banco Central da China, que ajudou a desencadear uma crise nos mercados com uma desvalorização-surpresa do yuan, há duas semanas , pode ser o único do mundo com poder de fogo para detê-la. Com cerca de 25 biliões de yuans (3,9 biliões USD) em depósitos bancários ainda trancados como reservas e a taxa de juro de referência de um ano nos 4,85%, o Banco Popular da China tem um amplo arsenal de políticas monetárias à disposição. As taxas de empréstimos nos Estados Unidos, na Europa e no Japão já estão próximas de zero, e a crise está a minar a confiança em que a economia global será suficientemente forte para resistir ao esperado aperto nas políticas da Reserva Federal norte-americana.
Mais de 5 biliões em valor das acções em todo o mundo foram eliminados desde a desvalorização do yuan pela China a 11 de Agosto, o que aprofundou os temores em relação a um mal-estar na segunda maior economia do mundo. Em todo o mundo, a corrida para venda de activos de maior risco acelerou na segunda-feira da semana passada, já que os preços das commodities atingiram o nível mais baixo em 16 anos, e as moedas dos mercados emergentes perderam força.
As acções chinesas tiveram a maior queda desde 2007, num crash que se prolongou durante três dias, espaço de tempo em que o índice Shangai Composite caiu mais de 17%. Depois da euforia dos primeiros meses do ano, a crise chegou em Julho e, em 50 sessões na bolsa de Shangai, o índice desvalorizou 32,26%.
“A China precisa de revigorar a confiança do mercado”, afirma Rob Carnell, economista-chefe internacional do ING Bank, em Londres. “Provavelmente, sentirá a pressão de fazer algo que não decepcione os mercados, mas isso exigirá que actue com força e esgote qualquer munição que possua. Se tal tiver apenas um efeito temporário, a China parecerá mais vulnerável.”
A queda das bolsas chinesas na semana passada espoletou uma corrida na Europa para a venda de acções. Aonda de choque do que já ficou conhecido como “Segunda-Feira Negra” afectou todas as bolsas europeias, que viveram uma das piores semanas dos últimos anos.

 Economia abranda
O argumento a favor da flexibilização da política está a ganhar força na China após um dos indicadores da actividade fabril, o índice PMI, ter atingido o nível mais baixo em mais de seis anos. Para isso contribuiu a divulgação de dados mais fracos que o esperado relacionados com investimentos, produção industrial, vendas a retalho e exportações, em Julho.
Os esforços das autoridades para sustentar o crescimento ainda não foram suficientes para evitar a desaceleração, ameaçando a meta de expansão do primeiro-ministro, Li Keqiang, para este ano, de cerca de 7%.
Entre as medidas tomadas até ao momento por Pequim estão quatro cortes na taxa de juros desde meados de Novembro, um programa de swap de dívida para reduzir a pressão do financiamento aos governos regionais e a injecção de fundos em bancos de investimento para canalizar crédito para a economia real.
É preciso haver um “circuit-breaker”, ou disjuntor, por parte da China para acabar com as repercussões negativas que estão a espalhar-se pelas divisas e pelos mercados de capitais, considera Shane Oliver, chefe de estratégia de investimento da gestora de fundos AMP Capital Investors em Sydney, Austrália, que gere cerca de 114 mil milhões USD. Oliveresperaque a China reduza a taxa de referência de 4,85% para 4% até ao fim do ano. “Cortes significativos nas taxas de juros e na proporção de reservas da China seriam suficientes para acalmar o nervosismo e evitar a ameaça ao crescimento chinês e global”, diz. “Éo único país que tem poder de fogo.”
A China está a sentir dificuldades para reforçar o crescimento sem que, com isso, agrave o aumento da dívida após uma onda de empréstimos realizada após a crise financeira global. O McKinsey Global Institute estima que a dívida do país tenha subido para 282% do seu produto interno bruto, 28 biliões USD, em meados de 2014.
Bloomberg/Mercado

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1 Comentário

  1. Tessie 25/04/2016 - 16:00

    Sharp thninikg! Thanks for the answer.

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