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Obama no Quénia, terra natal do seu pai

06/08/2015 - 15:53, Africa, Global Report

O presidente vai participar na Global Entrepeneurship Summit, que se realiza em Nairóbi no próximo fim-de-semana.

Por Paulo Narigão Reis | Fotografia Bloomberg

O Quénia prepara-se para receber, em ambiente de festa, Barack Obama, na sua primeira visita como presidente dos Estados Unidos ao país africano. Apesar do carácter oficial, a deslocação de Obama tem, também, valor sentimental: o pai do actual ocupante da Casa Branca é natural do Quénia. Por razões de segurança, ainda pouco se sabe sobre a agenda de Obama. A única certeza é a sua participação na Global Entrepeneurship Summit, que se realiza em Nairóbi no próximo fim-de-semana.
A aldeia de Kogelo, onde se encontra sepultado o pai de Obama, Barack Obama Sr., não terá direito a visita presidencial. “Posso confirmar que, infelizmente, o presidente Barack Obama não poderá visitar Kogelo durante sua estada no Quénia”, afirmou o embaixador norte-americano em Nairóbi, Robert Godec, ao canal local KTN.
Quem ficará triste com a notícia será Mama Sarah, a avó queniana de Obama, que já dissera que ia cozinhar pratos tradicionais do Quénia para o neto. Mama Sarah, de 94 anos, não tem, no entanto, qualquer relação de sangue com Barack Obama. Foi a terceira mulher de Hussein Onyango Obama, o avô paterno do presidente norte-americano, que, no entanto, sempre a considerou como sua avó.
Quem não ficou satisfeito foi Malik Abon’go Obama, meio-irmão de Barack, que não terá comunicado a visita à família queniana. Em declarações ao diário britânico Daily Mail, Malik, de 57 anos, afirmou: “Pelo que ouvi, ele vem agora como presidente dos Estados Unidos. Podia, ao menos, ter-nos dito qualquer coisa.” Malik, que foi o padrinho no casamento de Barack Obama com Michelle, em 1992, mostrou-se desapontado por o seu meio-irmão não ir a Kogelo, no Oeste do país, onde vive com a sua família. “Teria gostado de me sentar com ele, a comer um gelado de baunilha ou uma fatia de bolo de morango, ou ter um jantar agradável, com um bom bife e uma salada. Não conheço as minhas sobrinhas Malia e Sasha, e elas também não conhecem os meus filhos”, lamentou Malik Obama ao Daily Mail.
Será a quarta visita de Barack Obama ao Quénia, a primeira como presidente da nação mais poderosa do mundo. A primeira vez que visitou a terra natal do pai – que morreu em 1982, aos 46 anos, num acidente de viação em Nairóbi – foi em 1987, tendo ficado durante cinco semanas, em busca das suas raízes, como narrou no seu livro de memórias A Minha Herança, publicado em 1995. Cinco anos depois, em 1992, regressou com a sua então noiva, Michelle Robinson, só voltando em 2006, quando já era senador pelo estado do Ilinóis.

Teoria da conspiração
As raízes quenianas de Barack Obama não escaparam aos teóricos da conspiração que, ainda antes da eleição para o primeiro mandato, lançaram dúvidas sobre o local de nascimento do então senador. Segundo os seus opositores, Obama seria natural do Quénia, o que o tornava inelegível para o cargo de presidente dos Estados Unidos, já que a Constituição diz que o líder da nação tem, obrigatoriamente, de ter nascido em território norte-americano.
Em 2012, durante a campanha presidencial que o levaria ao segundo mandato na Casa Branca, o assunto andou, invariavelmente, nas bocas dos seus opositores, incluindo o agora candidato Donald Trump. Na altura, uma sondagem publicada pelo New York Times revelou que a maioria dos republicanos acreditava na teoria do nascimento queniano de Barack Obama. Ao seu estilo, o presidente costuma brincar com as teorias de conspiração em relação ao seu local de nascimento, que, na realidade, é o estado do Hawai. Em Março deste ano, numa entrevista no talk show Jimmy Kimmel Live, Obama disse ao apresentador que não podia conduzir. Perante a provocação de Kimmel – “é porque não tem uma certidão de nascimento?” –, Obama respondeu: “No Quénia conduzimos do outro lado da estrada.”
Apesar do entusiasmo local em redor da visita de Barack Obama, que deverá ser recebido como um herói, a estada do presidente está a levantar questões de segurança do lado norte-americano. O Departamento de Estado lançou um alerta de terrorismo até 30 de Julho, preocupado com a possibilidade de atentado por parte do grupo extremista Al-Shebab, que, em 2013, tomou de assalto um centro comercial em Nairóbi, matando 67 pessoas. Já este ano, o grupo levou a cabo o massacre de 148 pessoas na Universidade de Garissa, no Nordeste do país.

O futuro das relações Quénia-Estados Unidos
Barack Obama será, naturalmente, a grande figura da Global Entrepreneurship Summit, cimeira em que o papel dos Estados Unidos no desenvolvimento económico de África será o tema dominante. A viagem do presidente norte-americano ao Quénia foi adiada em várias ocasiões devido às acusações do Tribunal Penal Internacional, de crimes contra a humanidade, que pairavam sobre o seu congénere queniano, Uhuru Kenyatta, pelo seu papel na violência pós-eleitoral em 2007. O arquivamento do processo, por falta de provas, abriu finalmente caminho para uma visita onde, à margem do programa oficial da cimeira, dedicada aoempreendedorismo, será discutida a cooperação bilateral entre as duas nações, nomeadamente em sectores como o comércio, segurança, energia e fornecimento de tecnologia. Oaumento do investimento norte-americano é um dos objectivos, num país onde a China é já o principal parceiro comercial e cujo PIB deverá crescer 6% este ano.

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