Mercado

Ouro sul-africano corre perigo

24/09/2015 - 16:21, Africa, Global Report

As minas de ouro da África do Sul, que são as mais profundas e estão entre as mais antigas do mundo, enfrentam sérios problemas.

As quatro maiores produtoras do país estão a perder dinheiro em cerca de 35% da produção pelos preços actuais, segundo dados corporativos compilados pela Bloomberg. Ao mesmo tempo, os custos mais elevados estão a reduzir os lucros num momento em que as contas de electricidade estão a subir para um nível recorde. Os trabalhadores também estão a exigir aumentos salariais, e alguns deles ameaçam entrar em greve se os salários não forem dobrados.
O país, cuja bacia de Witwatersrand forneceu cerca de um terço de todo o ouro já minerado, deixou de ser o maior produtor do mundo e caiu para o sexto lugar em apenas oito anos. Agora, que os mineiros que ainda rastejam pelos túneis usando brocas de mão e dinamite já extraíram grande parte do metal fácil de encontrar, as empresas utilizam uma tecnologia moderna para ir mais fundo. Trata-se de outra despesa, especialmente quando os preços do ouro estão perto do nível mais baixo em cinco anos.
“O que se passa na África do Sul é um grande aperto das margens”, refere Srinivasan Venkatakrishnan, CEO da AngloGold Ashanti, a maior empresa de exploração de ouro do país em valor de mercado. “Se nada for feito, o futuro da extracção de ouro sul-africano vai estar sempre em queda.”

Quedas da produção
A produção sul-africana sofreu a queda mais rápida entre os 10 maiores países produtores na última década. Aoferta das minas caiu pela metade no período, para cerca de 145 toneladas no ano passado, segundo o Escritório Mundial de Estatísticas de Metais.
O metal caiu 40% em relação ao recorde de 2011, para cerca de 1,122 USD a onça. A esse preço, metade das minas que pertencem às principais produtoras do país está a perder dinheiro, revelam dados compilados de relatórios financeiros do segundo trimestre. OGoldman Sachs Group prenuncia ainda que os lingotes poderão cair para menos de 1000 USD.
Mais ainda. O FTSE/JSE Africa Gold Mining Index está perto do nível mais baixo desde 2000. A Gold Fields Sibanye Gold e a Harmony Gold Mining caíram pelo menos 2% neste ano.
Os custos da electricidade subiram 13 % em Abril, e os preços da energia quase quadruplicaram desde 2007, depois que o investimento insuficiente em nova geração deixou uma frota antiga de usinas. As empresas enfrentam agora uma pressão maior dos trabalhadores, que querem que os seus salários sejam duplicados, em parte para contabilizar as condições de trabalho perigosas, que eles dizem não ter mudado muito desde o fim do Apartheid, em 1994. Os grupos sindicais que representam os trabalhadores que vão até 4 quilómetros subterrâneos rejeitaram aquela que era considerada uma oferta final de salário.

Custos altos
Sete das 12 minas da Harmony estão a perder dinheiro, e a empresa irá fechar gradualmente três das maiores delas se os cortes de custo não as tornarem rentáveis até ao final do ano, refere Graham Briggs, CEO da Harmony Gold.
O problema é que a mineração de baixo custo está a tornar-se mais cara. Os custos com salários subiram 60 % no período de sete anos até 2014, embora o número de funcionários tenha caído 30%, segundo a Câmara das Minas, que representa as empresas. Os dois maiores sindicatos rejeitaram uma oferta para aumentar o salário básico de cerca de 6 mil rands por mês, e o Sindicato Nacional dos Mineiros declarou um litígio. Um processo de mediação começará no dia 14 de Setembro e o sindicato disse que não descarta uma greve.
Sem um acordo, a indústria do ouro na África do Sul continuará em queda, segundo Venkatakrishnan, da AngloGold. “O que veremos serão empresas abreviando a vida das minas”, remata.
Segundo vários analistas da indústria, a queda de produção na África do Sul deve-se essencialmente a problemas laborais, redução da qualidade e esgotamento das reservas na maioria das minas sul-africanas. Será que a África do Sul vai conseguir alguma vez recuperar a sua produção?

NR/Bloomberg

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