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Peregrinos angolanos em Fátima com o papa

19/05/2017 - 09:33, Global Report

O chefe da Igreja Católica deixou mensagens fortes durante a sua presença em Portugal.

Por Rita Carvalho, em Fátima 

Foram menos de 24 horas em solo português. Mas uma maratona de gestos e palavras carregados de significado que, nos dias 12 e 13 de Maio, emocionaram e interpelaram os milhares de pessoas que acompanharam a visita do papa a Fátima. Em Portugal, ou através dos meios de comunicação social. Francisco foi a Fátima assinalar o centenário das aparições de Nossa Senhora e canonizar os pastorinhos Francisco e Jacinta Marto, dois dos três videntes.

O papa apresentou-se como um humilde e simples peregrino que foi saudar “a Mãe”. Por isso, as suas imagens a rezar na Capelinha das Aparições, rodeado por uma multidão em silêncio, ou a acenar com um lenço branco à passagem da imagem de Nossa Senhora, correram mundo pelas televisões, jornais e redes sociais.
Contudo, se os seus gestos nos momentos celebrativos foram intimistas e pessoais, as suas palavras foram globais e puderam ser acolhidas por crentes e não-crentes. Sempre que contactou com os fiéis, Francisco mostrou ainda porque lhe chamam “o papa do povo”.

Na bagagem, o papa prometia levar uma mensagem de esperança e paz. Sublinhando que viajava como peregrino, e não como chefe de Estado, Francisco quis circunscrever a sua visita a Fátima, pois tem sido claro que a prioridade das suas visitas não passa pelos países da Europa. Mas daqui o papa falou para o mundo inteiro, pedindo a esperança e a paz para toda a humanidade, de “modo especial para os doentes e pessoas com deficiência, os presos e desempregados, os pobres e abandonados”.

A visita começou na Base Aérea de Monte Real, no centro do país, onde Francisco aterrou na tarde de sexta-feira, dia 12, acompanhado por um séquito de 35 pessoas, entre bispos, cardeais e colaboradores próximos, e por uma comitiva de 75 jornalistas.

Foi recebido pelo Presidente da República Portuguesa, Marcelo Rebelo de Sousa, que, apesar de estar em representação do Estado, fez questão de exprimir a sua fé pessoal católica e não escondeu a alegria de receber o chefe máximo da Igreja. O ar sério com que Francisco saudou o presidente e posou para a fotografia oficial, num visível sinal de cansaço, rapidamente se transformou em entusiasmo e alegria quando começou a saudar as pessoas, detendo-se em particular junto das crianças, dos doentes e idosos.

Após um encontro privado com o presidente português e de uma oração na Capela de Nossa Senhora do Ar, na Base Aérea, o papa foi conduzido de helicóptero até Fátima. O primeiro momento alto do dia foi a entrada no recinto do santuário, depois de percorrer as ruas da cidade no papamóvel. Francisco foi recebido por uma multidão (estimam-se mais de 500 mil pessoas) que cantou, acenou, chegando-se às barreiras de segurança na esperança de lhe tocar. Mas o silêncio impôs-se quando entrou na Capelinha das Aparições e aí permaneceu, em pé, durante oito minutos em oração.

Voltou a contactar com a multidão depois do jantar, encontrando um recinto cheio, com a luz das velas a iluminar a noite, numa imagem que impressiona pela beleza e recolhimento.

Revigorado, o papa até saiu do papamóvel para caminhar a pé, aproximando-se das pessoas. Nas palavras antes da oração do terço, Francisco sublinhou a misericórdia de Deus, lembrando que este perdoa tudo e sempre, e que, antes de julgar, devemos saber perdoar.

Dirigindo-se depois aos muitos milhares de peregrinos que passam por Fátima todos os anos, e que tantas vezes reduzem esta visita ao cumprimento de uma promessa, o papa deixou a questão: “Peregrinos com Maria… Qual Maria? Uma Mestra de vida espiritual”, ou uma “santinha a quem se recorre para obter favores a baixo preço?”

O dia 13 começou com um encontro entre Francisco e o primeiro-ministro português, onde se falou de apoio aos mais frágeis, de refugiados, mas também de promoção da paz. “A grande preocupação que o santo padre tem revelado relativamente à necessidade de desenvolvimento do continente africano e as responsabilidades que Portugal tem nessa matéria foram outro tema”, versado no encontro, assegurou António Costa.

Em termos espirituais e religiosos, o sábado foi marcado pela canonização dos pastorinhos Francisco e Jacinta Marto, que passaram a ser os santos, não-mártires, mais jovens da Igreja Católica.

Em Fátima estiveram angolanos peregrinos das dioceses de Luanda, Viana, Sumbe, Benguela e Huambo.

A representação oficial angolana foi composta pelos bispos das províncias da Lunda Norte, Estanislau Chindecasse, do bispo emérito de Benguela, Óscar Braga, e do bispo auxiliar emérito de Luanda, Zacarias Kamwenho.

No total, participaram nas celebrações 135 bispos, oito cardeais, 1800 sacerdotes e mais de 1500 profissionais da comunicação. Apesar de o santuário não avançar números de participantes, o Vaticano arriscou estimar os peregrinos em Fátima em mais de 500 mil.

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