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Quem ganha e quem perde com a queda do yuan

03/09/2015 - 15:07, Asia, Global Report

No espaço de três dias, a moeda chinesa caiu 4,7%, a maior desvalorização em duas décadas.

As companhias aéreas chinesas e os fabricantes europeus de automóveis de luxo emergem como os primeiros prejudicados depois de o banco central da China ter feito a maior desvalorização do yuan em duas décadas. Em três dias consecutivos, a desvalorização do divisa chinesa atingiu os 4,7%, com o governo de Pequim a dar por terminado o ajuste cambial.
A decisão, inesperada, da China de reduzir sua taxa de referência diária teve repercussões nos mercados mundiais. Os responsáveis pela política económica classificaram a mudança como um ajuste pontual e disseram que sua modificação se alinhará mais com a oferta e a procura. O governo chinês quer, também, que o yuan passe a integrar o clube restrito das moedas de reserva do FMI, a que pertencem o dólar, o euro, a libra e o iene.
Para já, os investidores começam a avaliar quem perde e quem ganha com o acerto cambial da China.

Quem perde
Companhias aéreas chinesas: As operadoras chinesas têm a maior parte das suas dívidas em dólares. Um yuan desvalorizado aumentará os custos e prejudicará os lucros. A China Southern Airlines caiu 18% na bolsa de Hong Kong, a maior queda desde 2001. A China Eastern Airline perdeu 16%, o recuo mais acentuado em sete anos.

Vendedores europeus de bens de luxo: Como principal parceiro comercial da União Europeia, a China e a sua crescente classe média têm sido uma bênção para os fabricantes de bens de luxo europeus. Um yuan desvalorizado torna a compra de automóveis alemães, relógios suíços e malas francesas mais cara para os consumidores chineses. As acções da BMW, que obteve cerca de 19 % da sua receita da China em 2014, desvalorizaram 4% na Alemanha. A China respondeu também por cerca de 10% das vendas da Daimler. Por sua vez, a LVMH Moët Hennessy Louis Vuitton recuou 5,4%. As vendas a países asiáticos, excepto o Japão, representaram cerca de 29 % das vendas da fabricante de bens de luxo no ano passado.

Fabricantes de produtos cujo maior mercado externo é a China: A Apple caiu 5,2%, o maior declínio desde Janeiro de 2014. A China foi o segundo maior mercado para o iPhone no primeiro semestre do ano. A desvalorização do yuan poderá levar a empresa a subir os preços ou a sofrer uma contracção das margens de lucro e do crescimento unitário, segundo a Bloomberg Intelligence. Já a Swatch caiu 3,6%. A fabricante suíça de relógios obteve 37% da sua receita em 2014 da região da Grande China.

Produtores de commodities: O declínio do yuan aumenta o custo das importações, entre elas as matérias–primas. A Vale, a maior produtora mundial de minério de ferro, caiu 5,1% em São Paulo. A China respondeu por 37% da receita da Vale no segundo trimestre. As importações da China contribuíram para 35% das vendas da empresa de mineração australiana BHP Billiton no ano passado e representaram 38 % das vendas da Rio Tinto.

Moedas asiáticas: Todas as moedas asiáticas importantes caíram devido à preocupação de que um yuan desvalorizado obrigue outros responsáveis pela política económica da região a desvalorizar as suas moedas, já que exportações chinesas mais baratas colocam os concorrentes à margem.

Quem ganha
Exportadores chineses: Um yuan mais fraco beneficia os exportadores locais. A China Machinery Engineering subiu 5,9% na bolsa de Hong Kong, e a Lenovo ganhou 2,9%. As duas empresas obtêm mais de 65% da sua receita no exterior. As exportações de automóveis da China têm desacelerado nos últimos anos, já que a desvalorização do iene e do won deuvantagem aos concorrentes japoneses e sul-coreanos. Yin Tongyue, presidente da Chery Automobile, a maior exportadora chinesa de veículos, diz que apoia um yuan desvalorizado, porque é bom para as vendas da empresa no exterior. Os fabricantes de tecidos e roupa que vendem nos mercados externos encontram-se também entre as empresas que serão beneficiadas pela desvalorização do yuan, segundo Delong Yang, gestor de investimentos da China Southern Fund Management. A Huafeng, uma fabricante chinesa de tecidos, subiu 10% em Xangai.
Bloomberg/Mercado

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