Mercado

Regresso do crescimento da economia global poderá tornar 2017 num ano para recordar

21/02/2017 - 08:25, Global Report

Os cenários políticos e económicos que se perspectivam para este ano apontam um caminho de estabilidade e sustentabilidade.

Por Fernanda Mira

O preço das matérias-primas, em concreto do petróleo, continua a merecer toda a atenção, que após um final de ano razoavelmente estável, ainda que com preços baixos, mostra sinais de recuperação.

Assim, na análise, agora divulgada, este será um ano positivo para o petróleo, suportado pelo acordo a que chegaram os membros da OPEP para congelar a produção e que estabeleceu a redução de 1,2 milhões de barris por dia. “O impacto no preço dependerá da capacidade destes países em conseguir estender o acordo a países não-membros da organização, como fez com a inclusão da Rússia. No entanto, é necessária alguma cautela, até porque o histórico de acordos para influenciar o preço das matérias-primas mostra-nos que estes acordos perdem força ao longo do tempo e eventualmente acabam por se desfazer”.
A este parâmetro, a Odell junta, ainda, a subida da procura da commodity, assinalando os dados da Agência Internacional de Energia, que em 2016 registou um crescimento da procura de aproximadamente 1,4 milhões barris/dia, ou seja, 120 mil barris/dia acima das previsões iniciais. A mesma agência aponta que durante este ano seja registado um crescimento de 1,3 milhões barris/dia, ou seja, mais 110 mil barris/dia acima do previsto.

Nota e evolução positiva é dada no relatório para a evolução das economias dos mercados emergentes, onde Angola se encontra. Para o nosso País, a Odell sustenta que continua a ser necessária e urgente a procura por “formas alternativas” ao petróleo para o financiamento do Estado, apontando as políticas fiscais como um dos “desafios para a economia” para o corrente ano.

A nível monetário, as reservas de divisas diminuíram após duas desvalorizações do kwanza ( Junho de 2015 e Janeiro de 2016), sustentando o documento que não se antecipa nenhuma desvalorização durante o presente ano. “Em Julho de 2016, o banco central elevou a taxa de referência em 200,0 bps para 16,0%.”
Em termos de política monetária, é sustentado que “o Governo privilegiará o controlo da inflação de dois dígitos, que é actualmente o principal desafio macroeconómico do País”.

Paralelamente, na perspectiva para os mercados emergentes, o relatório adianta que estes continuarão a ver as suas economias recuperarem, com “taxas médias de crescimento entre os 4% e os 5%, a beneficiar da estabilização dos preços das commodities”.

E o que dizer da maior economia do mundo? Durante os primeiros meses de 2016, o mundo observou com cautela a estabilização do crescimento da China, possível através de uma política monetária mais flexível implementada pelo banco central. O relatório assinala que esta iniciativa “levou a que os níveis de endividamento das empresas chinesas atingissem níveis máximos, o endividamento das famílias também aumentou exponencialmente muito via crédito à habitação”.
É com base neste alinhamento que a Odell vinca que o principal risco da China no decorrer de 2017 “é um repricingdo imobiliário e do crédito, em especial os créditos à habitação que constituem um risco avultado na economia chinesa, já que a poupança em certificados ligados a activos imobiliários é um dos principais instrumentos de investimento das famílias chinesas”.

Quanto ao mercado cambial, mais concretamente na relação entre as duas moedas mais fortes, euro e dólar, norte-americano, a Odell considera que “o crescimento na zona euro irá continuar moderado”, não arriscando adiantar “que a Europa volte ao crescimento sustentado”, antes, sim, apontado para que a “política expansionista do banco central se mantenha, arrastando o euro consigo”.

Na relação entre as duas moedas, e do lado da economia americana, esta encontra-se num ambiente de pleno emprego, alguma inflação e crescimento económico, também impulsionada pela reacção à eleição de Donald Trump como presidente dos EUA, sendo expectável que o dólar valorize contra a maioria dos pares. Neste sentido, o relatório adianta que “o dólar continue o seu caminho de valorização em 2017 em especial contra o euro e as moedas das economias emergentes”, vincando que “a paridade com o euro deverá ser atingida no primeiro semestre do ano.

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