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Temer diz que denúncia contra si é “uma ficção”

29/06/2017 - 16:31, Global Report

Presidente do Brasil desmentiu a denúncia de corrupção contra si, apresentada no Supremo Tribunal Federal pelo procurador-geral.

“A denúncia é uma ficção, volto a sustentar que devo estas explicações e a dizer que tentaram imputar contra mim um acto criminoso, mas isto foi feito exactamente por alguém [ Joesley Batista, dono da empresa JBS, que o denunciou à Justiça] que deveria estar na cadeia e está solto para voar para Nova Iorque ou Pequim”, disse Temer.

Falando pela primeira vez depois da apresentação da denúncia pelo alegado crime de corrupção passiva, com base em confissões feitas por quadros superiores da JBS, que o envolveu em várias irregularidades graves, o chefe de Estado afirmou que é “vítima” de uma “infâmia de natureza política”.

“Os senhores sabem que eu fui denunciado por corrupção passiva, a esta altura da vida, sem jamais ter recebido valores, nunca vi o dinheiro, e não participei em acertos para cometerem ilícitos. Onde estão as provas concretas de recebimento destes valores? Elas inexistem”, declarou.

Michel Temer tornou-se no primeiro presidente brasileiro no exercício do cargo a ser acusado do crime de corrupção. O processo, porém, só será instaurado se dois terços da Câmara dos Deputados (câmara baixa parlamentar), ou seja, 342 dos 513 parlamentares deste órgão, aceitarem a abertura do processo e a maioria dos 11 juízes do STF votar favoravelmente a denúncia.

Na denúncia que pôs em causa a continuidade do governo, o procurador-geral, Rodrigo Janot, afirmou que existem provas abundantes para demonstrar que Michel Temer cometeu o crime de corrupção passiva.

Sem citar directamente este ponto no pronunciamento, o presidente optou por desclassificar as provas e ironizou dizendo que foram criadas “novas leis federais” por seus acusadores para sustentar denúncias baseadas em “ilações”. “Eu percebo que reinventaram o código penal, incluíram uma nova categoria, a denúncia por ilação.

Se alguém cometeu um crime e eu o conheço, ou quem sabe se eu tirei uma fotografia ao lado desta pessoa, logo, por ilação, eu sou também criminoso”, criticou.

O chefe de Estado também mencionou Marcelo Miller, um ex-assessor do procurador-geral Rodrigo Janot que deixou as suas funções no Ministério Público para trabalhar num escritório de advocacia que acabou por ser contratado pela empresa JBS para negociar o acordo de colaboração da empresa com a Justiça, que gerou este escândalo envolvendo o presidente.

“[Marcelo Miller] deixa o emprego, abandona o Ministério Público para trabalhar numa empresa que faz colaboração premiada com o procuradorgeral […]. Foi trabalhar e ganhou milhões em poucos meses, garantindo ao seu novo patrão um acordo benevolente, que o tira das garras da Justiça gerando uma impunidade nunca antes vista”, atacou.

Há mais de dois anos que o Brasil está mergulhado numa crise política acentuada pelas contínuas suspeitas de corrupção e já levaram à instauração de vários processos que levaram ao afastamento de dezenas de políticos do país e colocaram empresários poderosos na cadeia.

Agência Lusa

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