Mercado

Trump visita China em período de crescente tensão sobre questões comerciais

08/11/2017 - 09:35, Global Report

Numa altura de crescente tensão entre Washington e Pequim, o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, inicia hoje uma visita oficial à China.

Dinheiro Vivo

O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, inicia hoje uma visita oficial à China, numa altura de crescente tensão entre Washington e Pequim em torno de questões como acesso ao mercado e transferência de tecnologia. Os EUA acusam a China de recuar nas promessas de abrir mais o seu mercado e, na semana passada, Trump afirmou que o déficit norte-americano na balança comercial com Pequim – 347 mil milhões de dólares em 2016 – “é tão mau que dá vergonha”.

A visita ocorre também num período em que Trump e o seu homólogo chinês, Xi Jinping, vivem momentos políticos opostos. Em Pequim, Trump, que se depara nos EUA com uma baixa taxa de aprovação pública, será recebido pelo mais forte líder chinês em décadas, um estatuto comprovado durante o XIX Congresso do Partido Comunista (PCC), realizado no mês passado.

O nome e teoria de Xi Jinping foi acrescentado à constituição do PCC, colocando-o no patamar de Mao Zedong, fundador da República Popular, e Deng Xiaoping, o arquitecto-chefe das reformas económicas que transformaram a China. Durante o XIX Congresso, Xi prometeu mais abertura económica, mas mencionou também planos para que as empresas estatais dominem em áreas como finanças, energia e telecomunicações. Pequim está a lançar um plano designado “Made in China 2025”, para transformar o país numa potência tecnológica, com capacidades nos sectores de alto valor agregado, incluindo inteligência artificial, energia renovável, robótica e carros eléctricos.

Citado pela agência Associated Press, o director da Camara do Comércio dos Estados Unidos na China, William Zarit, disse que algumas empresas estão preocupadas que Trump faça pouco para resolver “questões estruturais”, nomeadamente o acesso limitado a áreas como finanças e saúde.

Grupos de empresários advertiram que os esforços de Pequim para blindar as suas empresas à concorrência em sectores como carros eléctricos e energia renovável estão a alimentar sentimentos negativos para com a globalização. Uma possível reacção dos EUA será “fechar certos sectores da indústria, que estão actualmente abertos a investimento chinês”, afirmou Zarit. “Sei que não queremos assistir a qualquer tipo de lógica olho por olho, dente por dente, que poderia acabar numa guerra comercial”, acrescentou. Economistas chineses alegam que a China não é culpada pelos problemas dos EUA e afirmam que as multinacionais beneficiam da mão-de-obra barata chinesa e do emergente mercado de consumo do país.

A destruição de empregos no sector manufactureiro dos Estados Unidos não se deve às exportações chinesas, mas à deslocação de fábricas para países com salários mais baixos, disse Sun Lijian, economista na Universidade de Fudan, em Xangai, “capital” económica da China, citado pela AP. “No final, são as empresas norte-americanas que acumulam mais lucros”, afirmou.

 

 

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