Mercado

Venezuela acumula 825,7% da inflação em 10 meses

10/11/2017 - 10:05, Global Report

As previsões do Parlamento apontam para mais de 1400% de inflação acumulada até finais de 2017.

Por Dinheiro Vivo

O Parlamento da Venezuela, em que a oposição é maioritária, debateu a situação económica do país, aprovando uma resolução que condena as políticas económicas do Governo, que levaram a que o país tenha acumulado 825,7% de inflação desde Janeiro.

Segundo a resolução, a Venezuela está em hiperinflação, e as previsões apontam para mais de 1400% de inflação acumulada até finais de 2017.“A economia venezuelana já entrou, formalmente, num processo  de  hiperinflação, e isto é dramático. É um grande problema para o povo venezuelano”, afirmou Ángel Alvarado, deputado opositor, na abertura da sessão.

Segundo o deputado, o banco central da Venezuela prossegue “uma política de ocultação”, já que não publica o índice oficial de inflação há 24 meses, facto que levou o parlamento a criar, “com a mesma metodologia do BCV”, um marcador dos preços no país.

Ángel Alvarado alertou que, a manter–se a tendência inflacionária, a Venezuela poderá chegar aos 12.000% de inflação em 2018.A Assembleia Nacional aprovou ainda um acordo contra a reestruturação e refinanciamento da dívida externa, anunciados a 2 de Novembro pelo presidente Nicolás Maduro.

Oposição quer orçamento

No texto do documento, lê-se que o Parlamento condena o processo “pelas circunstâncias em que se está a realizar” e exige “ao Governo que apresente um projecto de orçamento nacional e uma lei de endividamento anual que contemple o refinanciamento da dívida externa, perante a Assembleia Nacional, para a sua verificação e aprovação”.
O documento adianta que “desconhecerá qualquer procedimento que venha a ser apresentado perante a fraudulenta Assembleia Constituinte (AC, composta na totalidade por membros afectos ao regime), relacionado com a apresentação e aprovação das condições de refinanciamento da dívida externa”.

Por outro lado, explica que “notificará a comunidade internacional, o corpo diplomático acreditado no país e a banca nacional einternacional sobre o presente acordo”. Segundo o Parlamento, o Estado deve mais de 120 mil milhões USD a financiadores internacionais, metade em títulos de dívida.

Segundo afirmou Rafael Guzmán, da Comissão de Finanças do Parlamento, “reestruturar a dívida é difícil com as irregularidades em que incorre o governo”. “Há que reestruturar, mas não podemos fazer com este modelo político-económico. Não se pode querer sair da crise económica com um governo que insiste num modelo fracassado, o dinheiro não sairá das algibeiras de Tareck El Aissami (vice-presidente) ou de Nicolás Maduro, mas de cada criança e pessoa neste país”, declarou, durante a sessão parlamentar em que o acordo foi aprovado.

O responsável denunciou ainda que a produção da empresa petrolífera estatal PDVSA caiu 10% no último ano, e recordou que apenas o parlamento, segundo a Constituição, está facultado para aprovar endividamentos.

Em 3 de Novembro passado, a Venezuela convocou os portadores de títulos de dívida do Estado para uma reunião, que terá lugar na próxima segunda-feira (13 de Novembro), para renegociar o pagamento dos montantes em atraso. A convocatória foi feita pelo vice-presidente Tareck El Aissami, que também é presidente da comissão especial para o refinanciamento da dívida externa venezuelana. Em 2 de Novembro último, Nicolás Maduro anunciou uma reestruturação e refinanciamento total da dívida externa do país e dos títulos da PDVSA.

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