Mercado

Claúdio Augusto

16/09/2015 - 14:42, + Mercado, Brunch with

Os negócios e a vida privada são alguns dos aspectos referenciados na entrevista ao empresário que quer reerguer o nome do País no sector do café.

Por Vânia Andrade | Fotografias Njoi Fontes

O convidado desta edição do Brunch with… chama-se Cláudio Augusto, de 37 anos, simpático, extrovertido e com elevado senso de humor. E com estes atributos, a conversa decorreu de forma animada no Bar Café do Hotel Trópico em Luanda.

Cláudio Augusto é proprietário e gestor da empresa que produz e comercializa o café Mokamba, e exerce igualmente as funções de assessor do conselho de administração da Feira Internacional de Luanda (FIL). “Considero-me um homem simples e também gosto de coisas simples.” Esta é uma das frases que o caracteriza, segundo precisou.

Segundo filho de 11 irmãos, Cláudio Augusto passou parte da infância e da juventude em Portugal, entre as cidades de Braga e Porto. Fez o ensino primário em Luanda, na Escola Rainha Ginga, ao Cassenda.

Aos 12 anos, emigra para Portugal, onde permanece até aos 29 anos. Foi igualmente naquele país europeu que deu início à sua formação superior, tendo terminado em Angola, na Universidade Lusíada, embora num curso diferente daquele que seguia em terras lusas.

“Fazia o que não gostava, por isso decidi seguir outro ramo e formei-me em Relações Internacionais, curso com o qual me identificava”, lembra. O bichinho de ser empresário fez com que regressasse à sua terra de origem. O facto, conforme narra, deu-se em 2002, numa altura em que o País já vivia um clima de paz.

Sentia-se motivado e com espírito de dar o seu contributo para a reconstrução e desenvolvimento do País. “Assim que cheguei a Angola, abracei logo a actividade empresarial, por intermédio de uma empresa familiar. Eu e alguns irmãos, que também vinham do exterior do País, demos sequência ao projecto”, lembra.

Nota ter começado pelo comércio geral. “Vendíamos diversos produtos, como bens alimentares e enlatados”, refere. Diz também ter prestado serviços ao sector petrolífero, essencialmente à Sonangol, e trabalhado na distribuição de combustível antes da  família possuir bombas de combustível próprias.

Na sequência, trabalhou com diferentes entidades, tornando-se igualmente agente revendedor de empresas como a Coca-Cola e a Unitel, aproveitando as melhores oportunidades do mercado. Mokamba Café Explica que o Mokamba Café proveio do espírito de tentar criar uma marca nacional e promover algo que fosse nosso.

“Vimos no café uma oportunidade de negócio, uma vez que o produto noutros tempos havia contribuído bastante para o crescimento do País.” Acrescentou que a intenção da aposta no café foi de resgatar e elevar o nome do País, que chegou a ser o terceiro maior produtor mundial de café antes da independência nacional.

Para Cláudio Augusto, um dos objectivos da empresa passa pela promoção do produto além-fronteiras. Neste aspecto refere ter sido bem-sucedido. Prova disso é o facto de a sua marca ser o café oficial do continente africano na Expo Milão, que termina no próximo mês de Outubro.

Explica que tudo começou em 2013, na província do Uíge, que é considerada a terra do bago vermelho, pois já foi o celeiro nacional nos anos áureos da produção, antes de 1975. “Aquando da realização da 1.ª edição da Feira Multissectorial do Uíge, enquanto andava pela feira, avistei muito café no chão.

Conhecendo a qualidade e o valor do produto no mercado, considerei uma oportunidade promissora para apostar e acrescentar valor, investindo na sua imagem”, recorda. Quanto ao nome do produto, Cláudio Augusto frisou que a ideia era dar um nome abrangente, que tanto servisse para os mais velhos como para os jovens.

Daí a junção de “Moka”, que significa café, na língua nacional kimbundu, e “Kamba” (amigo). Um pouco mais de si Cláudio Augusto conta que, nos seus tempos livres, quando não pratica desporto, prefere ficar em casa com os filhos: dois rapazes, que afirma serem a razão da sua existência.

É amante do desporto e apaixonado pelo ténis, embora pratique muito pouco. Adora caminhar na marginal de Luanda, procurando manter a boa forma. Considera a dança uma boa diversão e, sempre que pode, não perde a oportunidade de mexer com o esqueleto.

O seu livro de cabeceira é O Príncipe e As 48 Leis do Poder, que mostra como agem os mestres no jogo do poder, que envolve a inteligência, perspicácia, planeamento e, principalmente, dissimulação. Pretty Woman, comédia romântica americana produzida em 1990, que conta com a participação de Richard Gere e Julia Roberts, é o seu filme preferido.

Aprecia debater assuntos da actualidade, fundamentalmente falar de política com amigos. Por forma a aumentar os seus conhecimentos, Cláudio Augusto não dispensa programas televisivos de cultura geral. Gosta também de estar entre amigos.

Como empresário, pretende, acima de tudo, deixar a sua marca no panorama económico nacional, sendo alguém que sirva de exemplo para as novas gerações. “Sou um homem focado nos meus objectivos e, quando defino uma meta, paro apenas depois de alcançar o pretendido.”

Adora carros e velocidade. Lamborghini é a sua marca de eleição, com preferência para modelos antigos, porque é “muito à moda antiga”. A nível do desporto, é benfiquista de coração.

Confessa que adora comer, e o seu prato preferido é o arroz de marisco acompanhado de um copo de vinho. Dificilmente tira férias devido ao volume de trabalho nas suas ocupações, mas, quando pode, o destino é sempre único Lisboa.

Católico, Cláudio Augusto vai à igreja sempre que pode, acreditando em Deus. “Ele é o nosso condutor e mostra-nos o caminho para atingirmos os nossos objectivos, daí que acredito que tudo o que acontece nas nossas vidas tem a Sua mão.”

Gosta deste artigo? Partilhe!

Deixe o seu comentário

You must be logged in to post a comment.