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Até onde vai a integridade profissional?

21/11/2016 - 16:00, + Mercado, Life & Arts

Qual o valor da fonte? São questões a ter em conta na longa-metragem.

Por Líria Jerusa 

Nothing but the Truth (ou Faces da Verdade, como também é conhecido) é um filme que nos leva a pensar quanto vale o sigilo profissional e a moral no trabalho. Até onde podemos chegar para proteger uma fonte? Podemos, ou não, revelar as nossas fontes? Eis a questão.

O filme é merecedor de grandes reflexões a nível pessoal e profissional, um verdadeiro significado do valor da verdade.

Escrito por Rod Lurie, filmado em 2008, foi inspirado na história de Judith Miller, uma das jornalistas mais controversas da primeira década do século XXI, que em 2005 chegou a ser presa por se recusar a revelar as fontes de suas duas matérias muito polémicas na época.

Numa delas, a jornalista, de certa forma, “respaldou” a invasão dos EUA ao Iraque, em busca de armas químicas. Na outra revelou a identidade de uma agente da CIA, acto considerado como um atentado à segurança nacional.

Nesta perspectiva, Rod Lurie viu-se livremente inspirado para escrever Nothing but the Truth. No filme, a jornalista é Rachel Armstrong (Kate Beckinsale), colunista política do jornal Sun Times, que por sinal é um dos principais jornais da capital dos EUA, sendo de alta tiragem. Na sua matéria de maior projecção, Rachel Armstrong revelou a verdadeira identidade da esposa de um embaixador americano, Erica Van Doren (Vera Farmiga), uma agente da CIA sob disfarce.

Esse caso dá início a uma série de eventos, colocando o próprio governo americano “contra” a repórter, exigindo que a mesma faça a revelação de suas fontes. Decidida a não abandonar a ética profissional, Rachel passa a ser confrontada duramente pelo promotor Patton Dubois (Matt Dillon), que não medirá esforços para descobrir a verdade.

A trama intricada e bem conduzida pelo realizador ganha muito ao ser acompanhada por actuações realistas e bastante convincentes. Kate (Rachel Armstrong) dá um senso moral impressionante à sua personagem e transparece no olhar cada derrota que sofre.
Mesmo a viver dias angustiantes, Rachel mostra ser uma mulher de fibra e bastante profissional, para quem a integridade jornalística está acima de tudo e a qual defende com unhas e dentes.

Um filme digno de grandes reflexões sobre o compromisso com a verdade e a honra de um profissional, e como é importante salvaguardar a fonte e manter-se íntegro mediante as situações.

Uma das muitas lições que se tiram neste filme está em compreender o poder de influência, na formação da opinião pública, e o lugar estratégico que ocupa no contexto das tramas sociais, económicas e políticas. Vale igualmente perceber o peso que um jornalista tem sobre a sociedade e a responsabilidade que há em suas mãos quando partilha uma informação.

Não se deve deixar de lado a relevância da ética do jornalismo, pois a mesma suscita reflexões acerca do comportamento desse profissional diante dos conflitos éticos, com os quais se depara no desempenho da sua actividade laboral. Um filme digno de modelo para a profissão jornalística e o compromisso moral.

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