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Brunch With…Adelina Canhongo

23/10/2017 - 08:08, + Mercado, Brunch with

A jovem empresária, que desde muito cedo tomou as rédeas de negócios familiares e pessoais, fala com orgulho dos seus sonhos e projectos, que passam por construir uma fábrica de mobiliário e um orfanato.

Por Roberto Alves | Fotografia Njoi Fontes 

A vida empresarial de Adelina Canhongo foi quase determinada a partir da infância, ao ver crescer desde muito nova o negócio que o seu pai construiu no sector de enchimento e distribuição de gás. Hoje é a chairwoman da Canhongo Gás e Home Project.

“Vi o meu pai a crescer como empresário, aprendi com ele grandes lições de gestão, incluindo de recursos humanos. Aprendi a tratar os colaboradores como se fossem familiares. Hoje, os meus colaboradores são meus amigos também, aprendemos uns com os outros, não me sinto superior a ninguém”, confessa.

A Home Project é a empresa mais recente da empresária e um dos maiores orgulhos da convidada desta edição do Brunch. A empresa completou recentemente o primeiro aniversário. Adelina Canhongo não consegue esconder o carinho que nutre por essa loja, que diz ser para o segmento médio/alto.

“Quando pensei neste projecto, idealizei algo diferenciado, para que qualquer mulher pudesse encontrar o que precisa para o seu lar, por isso, trabalho com marcas internacionais de referência, em especial as de design italiano, que são as nossas linhas de referência.”

O projecto surge em 2015, mas é inaugurada a primeira loja somente em 2016, na cidade de Luanda, por causa das limitações de acesso às divisas.
Lembra-se, aquando da construção do novo estabelecimento comercial da Canhongo Gás no Patriota, de fazer a proposta ao pai de um espaço reservado à venda de mobiliário, sem contar que um dia seria a própria a explorá-lo.

Além de ser um sector pelo qual se apaixonou muito, Adelina viu uma oportunidade de negócio e acreditou que lhe daria maior satisfação pelo facto de atender as necessidades e satisfações dos angolanos.

Ao terminar a licenciatura, e ter regressado ao País, e em abordagem sobre negócios em Angola em áreas diferenciadas, reparou na inexistência de empresas angolanas que trabalhassem exclusivamente com uma representação nacional no sector da decoração e design de interiores, o que despertou o seu interesse, que futuramente veio a tornar-se o seu foco de investimento.

Nem as dificuldades que o sector hoje atravessa a conseguem desmobilizar. Diz que se fosse para traduzir o nível de satisfação, numa escala de 0 a 100, 70% resume e é suficiente para continuar a apostar no negócio, porque acredita em dias melhores. “Não tinha expectativas muito altas, porque sabia qual era a situação do País, aliás, já estava consciente das dificuldades que enfrentaria”, admite.

Num breve olhar, a empresária diz que o sector mobiliário ficou muito afectado pela crise e com muitas limitações no acesso às divisas, o que dificulta imenso as importações de produtos.

“Só as empresas bem estruturadas estão a sobreviver à crise. Abri a loja num período difícil da nossa economia, mas já estava preparada para isso.”
Entretanto, a jovem refere que a situação financeira actual faz com que as pessoas estejam de olho na calculadora e que isto mudou os hábitos de compras dos angolanos. “Muitos, em vez de comprarem um ambiente completo, optam por levar apenas peças soltas. Mas eu tenho fé que as coisas vão melhorar”, acredita.

Em relação ao nível do reconhecimento da qualidade por parte dos clientes, comparativamente há alguns anos, Adelina observa pela experiência que hoje em dia mais ninguém quer comprar qualquer coisa para pôr em sua casa.

“As pessoas estão cada vez mais informadas, porque viajam mais e têm noção de bom gosto.”

Em relação à possibilidade de ter uma loja Home Project nas superfícies comerciais que existem no País, a empresária afirma ser difícil, uma vez que o preço das rendas praticadas nesses estabelecimentos ainda é muito elevado, e deixa muito pouca margem para a prática de preços razoáveis.
A empresária apela à maior oportunidade para jovens de espírito empreendedor, e mais oportunidades de emprego.

“Há três anos víamos muitos jovens a criar empresas, mas hoje estão parados. Muitos jovens regressaram à casa dos pais, porque não aguentaram. Por isso, penso que o Governo deve priorizar a questão da empregabilidade, para ajudar os jovens, criando parcerias empresariais com multinacionais estrangeiras e abertura de mais fábricas”, apela a empreendedora.

Projectos à espera de dias melhores Adelina Canhongo sonha um dia poder construir uma fábrica de mobiliário em Angola e expandir a venda de mobílias e decoração para as principais províncias. Mas não quer ficar por aí. Um ginásio e um orfanato constam da lista de projectos a aguardar por dias melhores.
“Sou muito apologista de actividades desportivas, por isso, é um dos meus sonhos investir num ginásio no País, ter uma fábrica de mobiliário e construir um orfanato”, refere.

Aprendeu que a educação parte de casa. Por isso passa para a filha de 8 anos muitos dos princípios de vida que recebeu do seu pai, incluindo educação financeira. Conta ainda que o seu pai era uma pessoa muito “rígida”, e isto deu-lhe tarimba para lutar pela vida e princípios que passa hoje à filha.
“Ensino-lhe como deve gerir a mesada, limitando os gastos dela, como forma de edução financeira. Uma criança deve saber que o dinheiro é difícil de se conseguir, que as coisas não vêm com facilidade”, refere.

Aprendeu também com o pai a ter a abertura que tem com os colaboradores. “Isso faz com que se sintam à vontade para partilharem comigo as suas preocupações, e de poder ajudá-los sempre que possível”, disse.

Adelina Canhongo acredita que, na vida empresarial e pessoal, uma das coisas que fazem as empresas crescer não são só os rendimentos, também os valores humanos.

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