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Brunch With…Alexandra Gonçalves

20/12/2016 - 10:03, + Mercado, Brunch with

A advogada e especialista em fiscalidade revela curiosidades sobre o seu percurso profissional e faz-nos mergulhar na sua infância e viagens.

Por Vânia Andrade | Fotografia Njoi Fontes 

A escolha da profissão teve influência paternal positiva, pois conta que o facto de o pai ser advogado e a mãe magistrada pública a conduziu a este caminho.
Recorda histórias entusiasmantes ouvidas na infância sobre a profissão e filmes dramáticos que relatavam o que era a vida em tribunal.

Em 1995, parte com destino a Lisboa para dar continuidade aos estudos, tendo-se licenciado em Direito pela Universidade de Lisboa (Clássica) e feito as especializações e pós-graduações noutras universidades.

“Fiz uma especialização no ISCTE em Fiscalidade. Na altura trabalhava na área do direito fiscal, depois outra relacionada com sociedades comerciais na Católica de Lisboa”, conta, e acresce que em 2009 se mudou para a Inglaterra, onde, entre outras experiências, fez o mestrado em Direito Comercial e Societário na Universidade Queen Mary, em Londres.

Um facto curioso relatado por Alexandra Gonçalves foi o desvio na trajectória da sua formação em advocacia para se dedicar às relações internacionais, tendo colaborado na missão de Angola junto da ONU em Genebra.

“Foi interessante, cheguei a ponderar ficar lá por mais tempo, mas fui para Frankfurt para ter uma experiência profissional muito apelativa numa sociedade de advogados internacional”, recorda.

Em 2012, ou seja, 17 anos depois, Alexandra regressa ao País depois de ter cumprido a missão de formar-se e de ter adquirido experiência profissional bem como satisfeito as suas aspirações pessoais. Mas logo descobriu que ser advogada em Angola é tão difícil como em qualquer outra parte do mundo, mas com a agravante de as condições de trabalho cá serem diferentes.
Confessa que o facto de ser mulher e jovem lhe causou algum eceio no início, pois poderia ser tratada com alguma desigualdade de género por ser um mundo dominado por homens.

“Sinto que nós mulheres, como acontece em todo o mundo, temos de trabalhar o dobro, mostrar cada vez mais cartas para sermos levadas com a mesma seriedade que um profissional do sexo masculino, portanto é um desafio acrescido.”

Muito entusiasta, mergulha de corpo e alma em todos os projectos em que se envolve, o que considera positivo, pois dá tudo de si, mas em simultâneo considera negativo, pois deixa-se afectar por todos os detalhes. Determinada, insiste até ao fim no que acredita, e por vezes deixa escapar o momento em que devia ter desistido.

O surgimento de uma paixão

A nossa convidada tem desenvolvido a carreira de advogada num empreendimento familiar que procura conciliar com uma paixão pela escrita e o projecto de produção de filmes promocionais.

A advogada divulga que está envolvida há cerca de cinco anos num projecto que começou por ser um hobbymas que se tornou muito importante para o seu dia-a-dia e para as suas ambições a curto-médio prazo. Por influência de amigos, criou um blogue sobre roteiros para satisfazer a procura destes por informações acerca de viagens, decidiu então fazer narrativa dos locais por onde passasse para que as emoções vividas durante as viagens não se perdessem.

“No blogue foco viagens por Angola e por outros países africanos, algo que começou por ser um hobby,mas actualmente escrevo para revistas internacionais.” Sente-se orgulhosa por poder promover o bom-nome do País, por mostrar a nossa cultura, a natureza, as paisagens que são de cortar a respiração.

Nos últimos três anos, Alexandra tem-se dedicado também à produção de filmes promocionais para elevar a imagem do País no exterior. Considera relevante o papel que o turismo tem para o desenvolvimento económico do País, e por esta razão quer mostrar ao mundo as potencialidades que Angola tem a oferecer.
“Daí ter tido interesse acrescido em produzir o filme, porque acho que vai para os festivais internacionais de cinema, para várias instituições, vai ser lançado em vários países, pode de facto contribuir para esta imagem positiva que em consequência poderá contribuir para um interesse numa aposta no turismo cá dentro.”

Como consegue conciliar a carreira como advogada com a produção de filmes e a gestão de um blogue? “Com bastante organização”, anota tudo ao mínimo detalhe, obedece a uma agenda criteriosa e evita romper o programa.

Ainda assim, encontra tempo para desenvolver actividades desportivas e, apesar de não ter muito jeito, segundo revela, gosta de jogar ténis. Neste ano, começou a praticar equitação.

Procura ser versátil em toda a faceta de sua vida. Quanto a cultura, afirma ser apaixonada pela literatura nacional, tendo como melhor autor o escritor Pepetela, de quem leu quase todas as obras e considera difícil escolher uma entre todas. A nível internacional, um dos livros que muito a marcaram foi o Revolution in World, pelo facto de fazer uma análise profunda do ser humano e da vida em sociedade em geral.
Fã de cinema brasileiro, não deixa de considerar importante o filme Independência, da Geração 80. Um filme angolano que reflecte tudo o que aconteceu antes, durante e após a independência.

Uma mulher de família

Nasceu e cresceu em Luanda, no início dos anos 80, teve uma infância muito comum à dos jovens angolanos da sua geração e muito diferente da que se vive hoje em Luanda. Muito ligada aos vizinhos, com uma família enorme, recorda ter a casa sempre cheia.
“Brincávamos muito pelas ruas e lembro-me de ir muitas vezes até à fortaleza, ao museu de antropologia, de passear pelo Jardim dos Coqueiros, bairro onde cresci e passei parte da infância.”

Das coisas que mais a marcaram de forma positiva, foram as férias em casa dos avós maternos, em Cabinda, onde com os seus irmãos e primos formavam uma colónia de férias e juntavam-se todos. “Ansiávamos por isso o ano todo, e foram sem dúvida momentos marcantes da minha infância.”
Quanto aos gostos alimentares, afirma ser “boa de garfo”, o sábado para si é sagrado, tem de comer o funje, feijão de óleo de palma, mas também aprecia a cozinha internacional.

Por fim, a advogada confessa sonhar com uma Angola melhor, é de opinião que muito se tem para fazer, mas que não devemos remeter tudo para o Estado. “Devemos trabalhar em conjunto, as pessoas não podem se desresponsabilizar no papel que têm para o desenvolvimento do País, mas para isso é necessário que haja força de vontade de todas as partes.”

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