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Brunch With…Carlos Chessman

16/01/2017 - 10:00, + Mercado, Brunch with

O perito em contabilidade que pretende desenvolver os seus projectos profissionais para um profícuo crescimento do País.

Por Vânia Andrade | Fotografia Njoi Fontes 

Carlos Chessman é mais um dos muitos angolanos nascidos em Luanda mas que muito cedo, por decisão dos pais, interromperam os estudos na sua terra natal e migraram para Portugal atrás de uma formação satisfatória. Filho de pais militares, funcionários do Ministério do Interior, nasceu na província de Luanda há 35 anos.

Devido à transferência dos pais para Benguela, foi inscrito numa das escolas públicas daquela cidade, onde concluiu o ensino primário e parte do ensino básico.

Depois de alguns anos, uma nova transferência surgiu, e a família teve de regressar a Luanda. Carlos mais uma vez teve de mudar de escola, e foi no Kiluange que concluiu o ensino básico. Terminou o ciclo, e logo depois deu início ao curso de Engenharia Mecânica no Makarenco.

Entretanto, os seus pais, devido ao desejo que na altura tinham de elevar o nível académico do filho, decidiram interromper o curso de Engenharia Mecânica de Carlos e enviá-lo para Portugal. Em Portugal, já com 14 anos, deu continuidade aos estudos.

Chegada a altura de escolher o curso final, o entrevistado teve em conta o desejo do pai. “O grande sonho do meu pai era que me tornasse um engenheiro mecânico e, embora não fosse a minha paixão, ponderei e quase satisfiz o seu desejo”, revelou. Logo explica o porquê. “É extremamente difícil, principalmente para os jovens, tomar uma decisão e escolher a profissão a seguir.” Diz mais: “As nossas escolhas podem dar certo ou não. Decidi, então, realizar o desejo do meu pai de me tornar engenheiro mecânico”, explicou. Chegou a frequentar o curso durante três anos, quando percebeu que não era bem-sucedido na sua escolha. Decidiu interromper o sonho do pai e correu atrás do seu.

“Sentia-me frustrado por estar a fazer o que não gostava, então resolvi atender o meu instinto. Visto que era bom a matemática, a interpretação e a lógica, optei pelo curso de Contabilidade e Administração no ramo da Fiscalidade.”

Esta decisão poderia ter sido uma decepção para o seu progenitor, mas, felizmente, Carlos recebeu todo o apoio do pai, e com tranquilidade seguiu o rumo desejado.

Foi no Instituto Superior de Contabilidade e Administração de Lisboa (ISCAL), uma instituição que tinha 100% de empregabilidade na altura, que Carlos Chessman realizou o sonho de se tornar num contabilista.

Em 2008, terminou o curso com êxito, e logo conseguiu ingressar no mercado de trabalho português, um mercado considerado difícil a níveis de empregabilidade. O seu primeiro emprego foi como técnico de contabilidade na Golden Challenge, uma empresa de consultoria onde permaneceu como funcionário durante dois anos. Logo depois, foi-lhe feito um convite pela administração do centro comercial El Corte Inglés, em Lisboa, para fazer parte do departamento de controlo de custos da instituição. “Esta experiência laboral foi para mim a grande satisfação a nível profissional”, confessou.

Durante a sua trajectória de vida, o seu maior desafio foi ter de se enquadrar aos 14 anos numa cultura diferente daquela a que estava habituado, tal como o clima gelado com que se deparou, confessando ter sido muito difícil nos primeiros anos.

Surgimento de novos desafios

Carlos Chessman passou 17 anos da sua vivência sem visitar a sua terra natal. O regresso surgiu em 2012, quando ainda funcionário do El Corte Inglés foi convidado por um alemão a fazer parte de um projecto que tinha em Angola.

O desafio lançado pelo empresário passava pela organização do departamento financeiro da Brithol Michcoma, empresa que fornece livros de cheques aos bancos, os ATM, POS (máquina de processamento de notas).

Solicitou uma licença temporária de seis meses à administração do centro comercial e embarcou para Angola. Confessa que, quando chegou, foi surpreendido positivamente pelas oportunidades profissionais que o mercado angolano oferece. Depois de quatro meses em Angola, já com alguma segurança profissional, decidiu voltar para Portugal e apresentou a carta de demissão à instituição que o empregava naquele país. “Gostei da hospitalidade dos meus conterrâneos, do clima quente, e tive a oportunidade de fazer as pazes comigo próprio. Consequentemente, foram surgindo desafios atrás de desafios”, conta.

Actualmente, o entrevistado ocupa o cargo de líder do departamento de contabilidade e finanças na Angola Cables há sete meses. A Angola Cables é um wholesale carrier do sector das telecomunicações, que fornece Angola a nível de Internet, circuitos e data center. Os seus projectos futuros passam por potencializar a comunicação do País. Fora da empresa, o seu maior desejo passa por dar aulas e fazer um MBA em Business. “Penso que tenho ferramentas essenciais para incentivar os jovens a apostarem na matemática e provar que a disciplina não é um bicho-de-sete-cabeças”, adiantou.

Carlos confessa que, enquanto viveu em Portugal, o conhecimento sobre o tema era insatisfatório, mas a ideia que tinha mudou quando se deparou com jovens que nunca saíram de Angola mas que a nível da área de contabilidade são excelentes profissionais.

Questionado sobre as diferenças existentes entre trabalhar no mercado português e no angolano, o contabilista afirma que em
Angola a implementação de novos investimentos, de novas ideias é mais demorada em relação a Portugal. “Há muitos factores externos que dificultam a implementação de novos investimentos e de novas ideias, coisa que já não acontece em Portugal, mas com o tempo tenho sentido melhorias ponderáveis dentro do mercado angolano”, esclareceu.

Perfil do entrevistado

Carlos Chessman tem dois filhos e é solteiro. Considera-se um homem divertido e ambicioso, com muita vontade de aprender e que acredita seriamente na potencialidade e nos projectos que Angola tem tido em carteira.

O que menos aprecia nas pessoas é o medo, por achar que este sentimento impede as pessoas de satisfazerem certas necessidades, desafios e objectivos.
Apaixonado por desporto, já praticou basquetebol e foi campeão de xadrez durante os quatro anos que andou na universidade, e continua a praticar cá em Angola, porque é sua grande paixão.

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