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Brunch With…Cátia Amado

13/12/2016 - 09:05, + Mercado, Brunch with

A entrevistada fala, entre muitos assuntos, da experiência da inserção do mercado nacional, tal como dos desafios profissionais enquanto mulher

Por Vânia Andrade | Fotografia Njoi Fontes

Foi um encontro agradável que durou pouco mais de meia hora, pouco tempo para os inúmeros assuntos na manga, mas que valeram a pena.

A nossa entrevistada desta edição é Cátia Amado, que assumiu o cargo de directora comercial da Clínica Luanda Medical Center há pouco mais de ano e meio.
No decorrer da entrevista, Cátia exibiu um sorriso contagiante enquanto contava a trajectória da sua vida, sobretudo ao recordar o momento em que decidiu vir para Angola, à procura de novas oportunidades profissionais.

Sem pensar duas vezes, a nossa convidada mergulhou de cabeça na aventura e pela primeira vez pisou o solo angolano, deixando para trás a família em Lisboa, Portugal.

Raízes angolanas

Cátia Amado cresceu na margem sul de Lisboa, no Barreiro, Portugal, onde existem muitos jovens e imensos clubes desportivos
onde estes acabam por se associar.

“ Trata-se de um local rico em termos de desportos, onde jogam futebol, basquete, outros praticam atletismo, etc.” Aos 5 anos começou a praticar atletismo, até aos 17, e diz que o desporto é o responsável pelo espírito de sacrifício.

Filha de pais angolanos, Cátia Amado conta nunca ter sido apegada aos estudos. Aos 18 anos deixa de estudar para dar início à actividade laboral e, por incrível que pareça, foi numa universidade que a mesma arrumou o primeiro emprego.

A nossa entrevistada conta que, com o passar do tempo, começa a ser influenciada pelo ambiente de trabalho e, quando menos esperava, foi contagiada pelo espírito universitário e passou a ambicionar uma carreira profissional próspera.

“Queria ter a possibilidade de progredir profissionalmente, mas tinha receio de não conseguir sem a via académica e percebi rapidamente que devia dar continuidade aos estudos, e foi o que fiz”, lembra.

A falta de inclinação para os estudos influenciou para um ingresso tardio no ensino universitário, mas, como nunca é tarde para nada, Cátia, embora atrasada, entrou para a universidade. Inscreve-se no curso de Assessoria, Direcção e Administração, mas a meio do caminho decide mudar para Comunicação Aplicada, Marketing, Publicidade e Relações Públicas.

Por ter conhecido o mercado de trabalho muito cedo, Cátia Amado revela que ao longo da sua caminhada profissional tem vindo a conhecer os vários sectores de actividade, inclusive o da saúde, tal como pudemos constatar ao longo da conversa.

O primeiro contacto com o ramo da saúde foi na Malo Clinic, em Portugal, em 2007, onde trabalhou durante 3 anos e meio. “Entrei como telefonista, fui recepcionista, passei pelo departamento comercial até chegar ao marketing, minha área de eleição na altura”, conta.

O primeiro contacto com Angola

Entretanto, depois da experiência da internacionalização e do facto de a economia portuguesa ter estagnado, Cátia decidiu procurar novas oportunidades profissionais. E Angola foi o caminho.

“Vim para a terra dos meus pais, onde tenho fortes raízes, porque acreditei que cá teria a oportunidade de provar que poderia ser uma excelente profissional naquilo que faço”, desabafou.

A Luanda, chegou em Junho de 2012, foi muito bem recebida e, apesar de nunca ter estado no País, teve a sensação de estar em casa. Olhava à sua volta e achava que todas as pessoas eram parecidas consigo. Enfim, uma sensação difícil de explicar, conforme retrata.

A sua vinda para Angola só acontece depois de ser recrutada pela Elite International Carreers para uma agência de comunicação.

Apesar de Angola ter uma realidade diferente de Portugal, Cátia afirma que o seu percurso profissional na sua terra natal foi estável, diferente da actual situação em Luanda.

“A minha vida profissional parece uma roda-vida, mas não deixa de ser interessante, porque Angola tem um mercado que oferece muitas oportunidades”, reconhece.

A convidada do Brunch conta que, numa primeira fase, arriscou vir a Luanda sozinha para participar num projecto designado por Estúdio África. “Na altura foi um bocado assustador, porque vim sozinha. Não tenho cá parentes, senti-me perdida”, confessa.

Mas ser confiante e resiliente faz parte de si, e logo começou a procurar outro emprego. “Passei a enviar candidaturas espontâneas na plataforma de contacto LinkedIn e numa semana tive dez entrevistas de emprego”, revela.

A proposta mais ambiciosa na altura foi a da Score Media, onde entrou como responsável pela comercialização das páginas de publicidade do jornal e de alguma gestão estratégica também.

O projecto correu muito bem, mas entretanto recebe uma outra proposta, irrecusável, como diz, da antiga GA Angola Seguros, para ser marketing manager e brand embaçador na seguradora.

Para Cátia Amado, a passagem pela seguradora, actualmente Saham Angola Seguros, foi uma positiva e enriquecedora experiência, onde teve a oportunidade de trabalhar com pessoas muito maduras e experientes na área dos seguros.

Cátia achava a área dos seguros monótona e sem dinamismo para aquilo que eram as suas ambições. “Foi assim que surge uma proposta à medida daquilo que realmente procurava”, nota.
Responsabilidade social

Segundo explica, em conversa com os administradores da Clínica Medical Center, enquanto tentava vender o seu produto aos potenciais clientes com dinâmica e com alguma agressividade nas vendas, ganhou a admiração dos mesmos, e duas semanas depois surge a proposta.

Assume ser um desafio ambicioso por ser um projecto com grande impacto social, que exige de si maiores responsabilidades no cargo que ocupa.
Diz ser empenhada, dedicada e com espírito de sacrifício, algo que diz ter aprendido desde os tempos em que praticava atletismo. “Sem espírito de sacrifício não conseguimos chegar longe e dar o nosso melhor contributo.”

Confessa que ser mulher e jovem em alguns meios empresariais não é fácil. “A gestão das empresas ainda é muito masculinizada e parece que temos de provar o nosso valor, e isso às vezes leva tempo.” Por fim, Cátia Amado conta que se tornou a mulher que é, porque teve uma infância muito feliz no seio de uma família estruturada que teve a capacidade de lhe transmitir valores fortes que hoje caracterizam a sua personalidade.

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