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Brunch With…Edson Maurício Horta

10/01/2017 - 10:06, + Mercado, Brunch with

O consultor e docente universitário partilha detalhes da sua vida pessoal e do seu percurso profissional, que começou no dia em que decidiu estudar Gestão.

Por Líria Jerusa | Fotografia Carlos Muyenga 

Tudo começa há sensivelmente 22 anos, quando um jovem oriundo do Cuanza Sul apaixonado por Gestão decide sair da sua terra natal rumo à província de Benguela, a fim de realizar o seu sonho: frequentar o ensino superior.

Por ironia do destino, a cidade das Acácias Rubras acabou por não ser o destino previsto, e Edson Horta viu-se na obrigação de mudar o trajecto, acabando por ir para Luanda. “Depois de terminar o ensino primário, sai da Gabela (Cuanza Sul), com a família, para a cidade do Sumbe, capital da mesma província, de barco, a fim de frequentar a licenciatura em Gestão em Benguela”, explica, argumentando que decidiu vir a Luanda depois de não ter encontrado o curso pretendido. Em 2003, o entrevistado do Brunch entra para a então Faculdade de Letras e Ciências Sociais, da Universidade Agostinho Neto, frequentando o curso de Gestão e Administração Pública, tendo feito parte do grupo dos primeiros jovens formados naquela faculdade. “Éramos três mil candidatos, e aprovaram apenas cerca de 500, dos quais eu fazia parte do primeiro grupo”, revela. Edson conta que, no ano em que entrou para a universidade, começou a trabalhar numa gráfica, em Luanda. Por exemplo, como diz, muitas vezes trabalhava nas vestes de promotor de marketing, o que lhe consumia muito tempo e energia. Ainda no seu percurso académico, o gestor diz que enfrentou dificuldades financeiras ao ponto de pensar em interromper a sua formação e voltar à sua terra natal, o que não se verificou, graças à ajuda do professor e amigo João Pinto, que para ele foi como um pai.

“Eu vivi dois anos com a minha irmã, mas no ano seguinte tive de assumir as minhas próprias responsabilidades, e foi então que comecei a enfrentar dificuldades. Dava aulas num colégio, mas o salário era muito pouco e não dava para custear as despesas.”

Em 2006, o gestor começa a trabalhar na Comissão Nacional de Tecnologia de Informação (CNTI) como técnico.

Passado ano e meio, concorre para uma vaga no Ministério da Administração Pública, Trabalho e Segurança Social (MAPTSS) e trabalha na área das finanças da secretária-geral, no departamento de Finanças e Património, e depois no departamento de Gestão de Recursos Humanos por quase dois anos.
No ano seguinte, o gestor passa para a Direcção Nacional da Administração Pública, e dois anos depois para a Direcção Nacional do Trabalho e Formação Profissional, onde aprende muito sobre empreendedorismo e políticas activas de emprego.

Após sete anos, Edson Horta regressa para a área de recursos humanos, mas desta vez como como chefe de departamento, o que representou para si um desafio muito grande.

Actualmente, o gestor desempenha também a função de líder de domínio no Plano Nacional de Formação de Quadros – PNFQ, para os Programas de Acção 5 e 8, sobre a Formação de Quadros para Administração Pública Central e Formação Profissional.

Conta que em 2007 se estreou como docente universitário na Universidade Gregório Semedo, nas cadeiras de Introdução à Gestão de Empresas, Introdução à Gestão de Recursos Humanos e Avaliação de Desempenho.

Revela igualmente que há um ano abriu com mais dois sócios uma empresa de consultoria em contabilidade e fiscalidade, Contas & Resultados (C&R), cuja missão é acelerar o crescimento da economia angolana, através da consultoria orientada para negócio sustentáveis. “Um dos objectivos é tornar a C&R em 2022 na maior empresa angolana de consultoria na área fiscal e especializada em planeamento fiscal, uma vez as empresas de consultorias de peso em Angola serem todas estrangeiras”, frisa. “Responsabilidade, trabalho e resultado” é o slogan da empresa.

O outro lado, as emoções e as dificuldades

O gestor conta que um dos momentos mais tristes da sua vida foi quando perdeu o seu pai, aos 10 anos, facto que fez com que a família se mudasse para a cidade do Sumbe, tendo enfrentando algumas vicissitudes. “Até antes da sua morte tive uma vida boa. Depois de perder o meu pai, passámos a ter dificuldades, o que me fez abandonar da cidade da Gabela rumo ao Sumbe e residir numa casa menor e num bairro sem luz”, lembra.

Apesar de toda a dificuldade, Edson Horta recorda que a mãe sempre foi o pilar da família e não permitiu que ele parasse de estudar. “Sempre tive o apoio da minha mãe e dos meus avos e da irmã mais velha. Como professora, ela ensinou-me o valor do trabalho e dos estudos. Mesmo sozinha, criando seis filhos, ela nunca permitiu que deixássemos de estudar. Disciplina, estudo e trabalho duro são os valores que ela nos ensinou.” Edson fez o ensino primário na Gabela, o ensino secundário na Escola 14 de Abril, e o pré-universitário na cidade do Sumbe.

Em 2013, ingressou na Faculdade de Economia, da Universidade Nova de Lisboa, uma das melhores faculdades de Economia e Gestão da Europa, tendo frequentado o curso geral de Gestão durante seis meses. “Sempre fui um menino muito calmo e respeitoso. Primeiro porque meu pai impunha este rigor. Depois da sua morte, a minha mãe manteve sempre este lado, e isto caracteriza a minha vida até aos dias de hoje.”

Edson Horta lamenta o facto de um consultor para a área de economia e gestão fiscal no País não poder viver apenas desta função e ter de combinar a consultoria com a docência. Acrescenta ainda que “precisamos estimular o surgimento de novas empresas, apesar de os resultados dos programas de empreendedorismo do Governo serem bastantes positivos”. No entanto, como explica, esses programas devem ser complementados com um conjunto de reformas estruturais. Ou seja, há que se retirar da economia tudo aquilo que impede a pessoas de correrem risco por meio do empreendedorismo.

Amante da leitura, o gestor não abre mão de um bom livro de economia e gestão, e de biografias dos CEO das melhores empresas do mundo e de políticos, não deixando de lado os livros de filosofia, pois estes aguçam a sua forma de pensar. Considera-se vaidoso, apenas do ponto de vista do conhecimento, sendo que a sua filosofia de vida está assente no trabalho duro, na lealdade, em fazer feliz e ser feliz. Escrever também se destaca como um dos hobbies de Edson Horta. Uma das frases que acompanham a sua vida é a do filósofo brasileiro professor Mário Sérgio Cortella, que diz que “a vida é curta, então não pode ser banal nem trivial, temos de deixar uma obra”. “Pretendo deixar a minha obra”, remata. Falando sobre seus sonhos, o gestor diz que a sua maior ambição é gerar emprego para os jovens. “O meu grande sonho é criar emprego para as pessoas, pois eu tive dificuldades para chegar onde cheguei e não quero que outros jovens passem pelo mesmo caminho por onde passei”, declara.

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