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Brunch With…Gunther Cristóvão da Costa

15/05/2017 - 09:28, + Mercado, Brunch with

Pós-graduado em Mercados Financeiros, economista de formação, fala sobre a primeira experiência laboral, a passagem pelo SIS, banca e Unidade Técnica para o Investimento Privado.

Por Vânia Andrade | Fotografia Carlos Muyenga 

Gunther da Costa nasceu há 32 anos, em Luanda, e teve a infância repartida entre o Cazenga e o Rangel. Dela, carrega boas recordações e momentos marcantes – jogar futebol com os amigos do bairro, brincar com os cães e acarretar água à cabeça são algumas das memórias que deixaram saudades.

Hoje, muito agradece aos pais pela educação que lhe deram, ensinamentos que contribuíram para que se tornasse num homem “do bem e para o bem”, explica. Deu início ao ciclo académico em 1990, e foi na Escola 712, no bairro da Cuca, que aprendeu a ler e a escrever. Passou pela Escola Óscar Ribas, que fechou as portas no mesmo ano, forçando a transferência de todos os alunos para outros estabelecimentos de ensino.

No processo de transferência, a sua mãe batalhou para conseguir matricular o filho numa escola que ficasse fora do Cazenga, porque, naquela altura, as pessoas que viessem daquele município eram associadas à violência.

Dona Fátima conseguiu uma vaga na Escola 1.º de Maio, dando oportunidade ao filho de frequentar e conviver num meio novo. Foi uma temporada difícil para Gunther da Costa, que sentia alguma distância por parte de alguns colegas. Determinado a conquistar a empatia dos seus pares, teve de se impor.

E isso passou pelos resultados académicos e pelas competições desportivas, nas quais sobressaiu. Passou depois pela Escola Juventude em Luta, e depois foi para o Instituto Médio de Economia de Luanda (IMEL), onde estudou Contabilidade e Gestão.

“O IMEL marcou-me enquanto pessoa e profissional. A base daquilo que sei, a nível da minha área de formação, foi o IMEL que me deu”, afirma.
Chegada a hora da licenciatura, optou pelo curso de Economia e Gestão, na Universidade Piaget de Angola, onde estudou entre 2003 e 2007. Depois, fez uma pós-graduação em Mercados Financeiros na Faculdade de Direito da Universidade Agostinho Neto.

Questionado sobre a decisão de ser economista, confessa que a sua primeira ideia foi ser médico, mas não conseguiu interiorizar o facto de ter de lidar com a morte. E lembra que foi no ensino de base que a sua professora de Geografia citou o nome de alguns alunos que achava que dariam bons economistas no futuro. Essas palavras, diz, mexeram consigo.
Nesse dia, quando chegou a casa, após a escola, foi ler livros do pai, que era economista, e começou por ganhar gosto pelas ciências económicas. “Gosto do desafio, de criar, de ter um problema ‘bicudo’ na mesa e resolvê-lo, como, não sei, mas tenho de criar mecanismos de resolução com o menor custo possível”, diz.

O primeiro emprego foi em part-time

A primeira experiência de emprego que teve foi um part-time, em 2004, enquanto fazia a licenciatura. Por ser bom em estatística, foi logo admitido numa empresa que fazia inquéritos, como inquiridor. Chegou a fazer dois trabalhos para a empresa.

Participou num projecto para lançar uma bebida energética em Angola e num inquérito de satisfação entre as empresas de telefonia móvel nacionais. Quando concluiu a licenciatura, distribuiu o seu currículo por várias entidades. Pouco depois, foi chamado para trabalhar no grupo português Eduweb, representado em Angola pela Media Studio, empresa responsável pela produção do programa televisivo Pérolas do Oceano, que passa na RTP África e aborda temas relacionados com oportunidades de negócio nos PALOP.

Nesta empresa, entrou como controllere, dois meses e meio depois, foi promovido a responsável da administração financeira. Foi também responsável pelas ligações entre Angola e Portugal por um curto período.
“ Tudo o que Portugal quisesse de Angola, e vice-versa, eu era o responsável pela informação. Era muita responsabilidade em cima de mim, mas foi assim que comecei a aprender, a errar e a amadurecer”, afirma. Depois de ano e meio na empresa, novas propostas de trabalho foram chegando, incluindo um convite para trabalhar para o Instituto Superior de Ciências Sociais e Relações Internacionais.

“Aceitei encarar o desafio de ser o responsável pela contabilidade e finanças da instituição, e trabalhei directamente na elaboração do manual de procedimentos do SIS, o que foi um desafio para mim”, lembra.

O desafio do BPC

O economista ‘atrai’ desafios, talvez por ser um homem ambicioso e com sede de aprender coisas novas. E mais uma vez foi surpreendido com uma nova proposta de trabalho, desta vez para o Banco de Poupança e Crédito (BPC), para onde tinha enviado um currículo, após terminar a licenciatura.

Foi um ‘namoro’ de cerca de três meses. Depois de muita insistência por parte da instituição, decidiu-se a aceitar a proposta. Entrou para a Direcção de Corporate e foi gestor de clientes.

Conta que o que mais o motivou a abraçar este desafio e abrir mão do emprego no SIS foi o incentivo dos pais e as palavras motivadoras do director da área, que tinha a intenção de formar novos gestores angolanos. “O BPC foi uma escola. O Gunther que sou hoje tem um forte pendor do BPC a nível das boas práticas, daquilo que é o dinamismo de fazer acontecer as coisas”, revela.

Estando no BPC, recusou algumas propostas de trabalho, mas confessa ter chegado a uma fase em que sentiu a necessidade de aprender algo diferente.

Coincidentemente, nesta fase, mais uma vez é contactado e e estimulado a enfrentar um novo desafio. Actualmente, o nosso convidado está em comissão de serviço na Unidade Técnica para o Investimento Privado (UTIP), como consultor, o que “tem sido uma experiência brutal”, assume. “Na UTIP, temos de pensar rápido, identificar a melhor alternativa e solução prática para aquilo que é a preocupação do investidor. É o sair da teoria para a prática, porque é uma instituição que trabalha com prazos”, explica.

Gunther da Costa é casado e tem um filho. Nos tempos livres, aproveita para dormir, mas, sempre que pode, passa algum tempo com os amigos. Gosta de ler e de ver desenhos animados, assim como documentários do National Geographic sobre vida animal.

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