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Brunch With…Irina Alves

17/07/2017 - 09:53, + Mercado, Brunch with

Conhecida como a directora da revista Chocolate, no entanto, poucos são os que conhecem os caminhos por que passou até chegar ao tão merecido título.

Por Líria Jerusa | Fotografia Njoi Fontes 

Queria ter sido atleta, mas uma lesão na coluna, quando era adolescente, afastou-a desse objectivo. A moda acabou por entrar na sua vida e, até hoje, ficou-lhe no sangue. Irina Alves dirige a Revista Chocolate, um sucesso editorial em Angola que pretende levar mais longe e divulgar noutros países.

Nasceu em Luanda há 36 anos, mas, com apenas um ano, emigrou para Portugal, onde o pai foi procurar um tratamento médico de que necessitava então. E ficou.

Foi em Lisboa que fez o liceu e, mais tarde, a licenciatura em Comunicação Social, na Universidade Católica. Determinada e exigente consigo mesma, desde cedo praticou desporto, tendo como meta fazer carreira nessa área. Mas um acidente lesionou-a, obrigando-a a ser submetida a uma intervenção cirúrgica aos 14 anos.

“Foi muito difícil para mim, porque estava a ser preparada para fazer parte do campeonato europeu de ginástica rítmica”, lembra.

Apesar da infelicidade, não baixou os braços. E, como diz o ditado, “há males que vêm por bem”, porque este percalço acabou por conduzi-la ao mundo da moda.
“Os meus pais diziam sempre que eu era uma maria-rapaz e, como isso os preocupava, decidiram apostar num curso de manequim, na altura, da estilista portuguesa Fátima Lopes”, revela.

A moda como trabalho

Já adulta, com vontade de mergulhar no mercado de trabalho, Irina Alves trabalhou em agências de media e publicidade. Depois, foi head booker da agência de moda Global Models, responsável pelos departamentos de Moda, Publicidade e Eventos, durante três anos.

Em 2010, foi convidada para integrar a equipa que lançou a revista Chocolate, como tinha o desejo de regressar a Angola para contribuir para o desenvolvimento do seu país de origem, aceitou o desafio e rumou a Luanda.

Apesar de ser a primeira jornalista angolana especializada em moda, tendo uma ampla ‘bagagem’ no ramo, o percurso de Irina Alves na revista foi degrau a degrau, tendo feito um pouco de tudo até chegar à direcção, no início deste ano.

“Passei por quase todas as áreas. Sempre tentei superar as expectativas de quem apostou em mim. Era e sou muito exigente comigo mesma. Comecei como jornalista, depois passei a editora de Moda e Beleza e, por fim, a coordenadora editorial da marca”, na altura dirigida por Mell Chaves.

O primeiro desafio na Chocolate

O principal desafio no início da Chocolate, recorda Irina Alves, foi conseguir conhecer e perceber como estava a indústria da moda no País.

Em 2013, rumou a Londres, para aprimorar os seus conhecimentos, apostando numa formação intensiva em Jornalismo de Moda, na London College of Fashion. Já em 2016, foi a Paris, onde estudou Gestão de Moda e Luxo (no curso Fashion and Luxury Management, a French Know-How) no Institut Français de la Mode. “Adquiri imenso conhecimento. Quis desafiar-me a mim mesma e dar maior contributo à marca e ao projecto”, afirma.

“Pretendo levar a Chocolate às grandes cidades da moda, quero que sejamos pioneiros não só em Angola, mas em todo o mundo”, afirma, justificando assim a sua “aposta nestas formações” que foi fazendo.

A Chocolate, entretanto, também ‘ganhou’ com o empenho de Irina Alves, recebendo a distinção de Revista de Moda do Ano em 2015 e 2016. Mas o caminho, afirma, não terminou. Jornalistas de moda, precisam-se!

“Estamos a caminhar bem, mas é necessário que se faça mais, ainda há muitas lacunas que precisamos de preencher”, afirma a directora, revelando que, neste momento, como primeira jornalista do País nesta área, está focada em “formar novos quadros”.

“É preciso apostarmos mais nos nossos jovens e estimular a formação neste sector, pois temos jornalistas de política, de sociedade, de cultura e de desporto, mas não possuímos nenhum especializado em moda, e é importante que tenhamos”, defende Irina Alves.

Por isso, tem procurado apoiar jornalistas que terminaram as suas formações, convidando-os para estagiarem nesta área.

“Tenho bastante fé nesta nova geração e nesta equipa que estamos a formar. Mas é necessário que haja muito empenho da parte de todos e muita dedicação, pois só assim poderemos alcançar as metas desejadas”, acrescenta.

Se, profissionalmente, a meta é levar a revista “o mais longe possível”, no que toca às ambições pessoais não é muito diferente. “Tudo o que desejo é ser feliz e ser a melhor naquilo que faço”, afirma Irina Alves.

Nos tempos livres, gosta de dançar, de praticar pilates e ioga. E assume-se como uma boa “amiga do garfo”, não abrindo mão de um bom funje de milho branco com molho de tomate, chouriço assado e ovos cozidos.
Aprender a voar mais alto

Apreciadora convicta de literatura angolana, o último livro que leu foi de Pepetela, intitulado Se o Passado não Tivesse Asas.

Questionada sobre qual é a sua filosofia de vida, não hesita na resposta: “Acredito na lealdade e na humildade. Para mim, não existe meio-termo. Ou nos entregamos por paixão, tanto a nível profissional como pessoal, ou então não vale apena”, afirma.

Hoje, recorda que foi uma menina irrequieta e que, apesar de ser filha única, nunca se sentiu só, pois cresceu rodeada de primos. “Era muito feliz. Tenho muito boas recordações, tive uma infância muito teatral e muito exagerada”, conta.

“Sempre tive muito apoio dos meus pais. Eles sempre estiveram ao meu lado e incentivaram-me a voar mais alto, a sonhar e a lutar pelo que acredito”, conclui.

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