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Brunch With…Joel Futi

21/11/2016 - 09:53, + Mercado, Brunch with

O jovem economista, que saiu da sua terra natal para a cidade capital para realizar um sonho e conseguiu-o à custa de sacrifícios e muita determinação.

Por Vânia Andrade | Fotografia Njoi Fontes 

A história de vida de Joel Futi pode ser parecida com a do cidadão comum, por via das suas origens, sendo de uma família humilde, proveniente da província de Cabinda, cidade onde deu os primeiros passos. Mas o seu percurso, contado na primeira pessoa, é o retrato de um jovem singular e que partilhou nessas linhas alguns dos episódios da sua trajectória de vida académica e profissional. Joel Futi é à primeira vista um homem de poucas palavras, com uma seriedade ímpar, que se descontrai com o andar da conversa.

Desde muito cedo sonhava ser electricista, mas, por razões do destino, o seu futuro estava desenhado com linhas que o levaram para outra direcção. Ele não perdeu a oportunidade para admitir que este brunch promovido pelo jornal Mercadoé o momento propício para relembrar alguns momentos de sua vida. Recorda que cresceu com o dom de manusear. “Quando era pequeno, sentia muito prazer sempre que fizesse um carrinho de lata. Tudo o que fosse manusear era para mim um motivo de alegria.” Conta ter concluído todos os ciclos escolares na província de Cabinda.

Entretanto, em 2005, ingressou na Faculdade de Economia da Universidade Agostinho Neto, pólo de Cabinda, onde frequentou o 1.º e 2.º ano. Enquanto estudante, Joel Futi teve o primeiro contacto profissional com o mercado de trabalho, a partir do momento em que foi seleccionado a fazer um estágio na petrolífera Chevron. “ Na altura, o Ministério da Educação de Cabinda seleccionava os melhores estudantes de determinadas escolas e organizava um plano de férias, com o objectivo de manter os estudantes ocupados com acções filantrópicas, limpezas às praias, entre outras actividades, quando fui seleccionado a estagiar na Chevron”, explicou.

Passou a conciliar o estágio no departamento de finanças do campo petrolífero de Malongo com a vida académica.

Em 2007, a frequentar o 2.º ano do curso de Economia, ficou inconformado com a falta de docentes em determinadas cadeiras, tendo por este motivo decidido mudar-se para Luanda, com o objectivo de dar seguimento à sua formação superior, sem retrocessos curriculares. “Vim para Luanda porque não queria perder tempo. Pretendia formar-me em tempo normal, decidi então pedir transferência, do pólo da UAN de Cabinda para Luanda”, refere o convidado. Em 2010, concluiu o curso e foi considerado o melhor estudante da Faculdade de Economia naquele ano lectivo.
Sacrifícios com destino ao sucesso.

A sua vinda para Luanda, tal como nos conta, teve momentos maus, mas hoje, quando se lembra do ponto de partida e dos sacrifícios feitos, resume ter feito a melhor escolha. “Passei as primeiras noites de Luanda a dormir num armazém de bebidas de um estabelecimento comercial, que era propriedade de um amigo da família que me acolheu provisoriamente, mas estava determinado e não pretendia desistir do meu objectivo, que era a formação. Por isso resisti aos tempos difíceis”, recorda.

Nesta altura, Joel passou a ajudar a pessoa que o acolheu na gestão, de controlo das contas do referido estabelecimento e na organização do negócio. Desta forma conquistou a confiança e ganhou algum dinheiro para suprir as necessidades básicas do jovem estudante. Joel Futi é também um homem cristão, sendo que acredita ter levado a bênção de Deus ao lar que o acolheu, de tal sorte, que granjeou muita estima. Quando chegou a altura de sair da casa de acolhimento, fê-lo, mas contra a vontade e sob protestos dessa família.

“Tornei-me no braço-direito do senhorio, mas, como o objectivo que me trouxe a Luanda era de estudar, arrendei uma casa para começar a organizar a minha vida”, frisou.

Quando ainda frequentava o 4.º ano do curso de Economia, Joel Futi foi mais uma vez seleccionado para fazer um estágio.

Mais uma vez, numa empresa prestadora de serviços ao sector petrolífero, a Baker Hughes Angola. “Estava a tornar-se uma tendência embarcar para este ramo.” Depois de um ano a fazer o estágio na Baker Hughes, o economista sentiu a necessidade de abraçar novos desafios profissionais.

Decidiu colocar de lado uma carreira como contabilista para aceder de forma surpreendente a dois convites simultâneos que vieram de ex-professores. “A minha ex-professora de Políticas Económicas convidou-me para ser seu assistente administrativo num projecto pessoal, enquanto acumulava esta função com a de estagiário assistente académico de outro professor, que tinha feito o convite na mesma altura. Aceitei os dois”, revela.

No final de seis meses, Joel foi obrigado a optar por uma das ocupações que exercia, porque tanto uma quanto a outra actividade exigiam dedicação, mas com o passar dos meses ficava mais complicado equilibrá-las.

Carreira ao serviço público

Algum tempo depois, o nosso convidado inscreveu-se num concurso público e passou a ser assistente na cadeira de Microeconomia ainda na UAN, até certa altura, a trabalhar sem receber qualquer remuneração.

“Trabalhei algum tempo por amor à camisola, mas tinha de fazer algo para me auto-sustentar”, disse. Entretanto, sempre atento às oportunidades, foi através de um anúncio do Jornal de Angola que teve a oportunidade de começar uma nova fase na sua carreira profissional, tendo ingressado nos quadros do BNA por meio de um concurso público.

Em Janeiro de 2011, o economista foi chamado pela instituição e começou a trabalhar como técnico. Depois de três anos, já docente universitário, Joel Futi teve de solicitar à UAN que fosse feita a alteração do seu vínculo contratual para deixar de ser professor a tempo integral e se focar na carreira profissional na banca. A sua progressão no BNA tem sido para si um fenómeno singular, “uma bênção muito grande”, porque, três anos depois do seu ingresso, foi promovido a chefe de divisão, pelo empenho demonstrado durante este tempo, e dois anos depois foi novamente promovido a subdirector do departamento estatístico, cargo que exerce até à data actual. “Existe uma mescla entre a dinâmica e força trazidas pelos mais jovens com a experiência e sabedoria dos mais velhos, e temos feito um excelente trabalho.”

Embora goste muito do que faz no BNA e não pretenda interromper a carreira, o economista adianta que a qualquer momento, quando tiver oportunidade, voltará à docência, uma vez que faz parte das suas maiores paixões.

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