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Brunch With…Kénia Camotim

03/04/2017 - 10:18, + Mercado, Brunch with

A economista, e actual directora-geral-adjunta da TV Zimbo, fala do seu percurso profissional e das dificuldades de adaptação nos primeiros anos em que residiu no exterior do País.

Por Líria Jerusa | Fotografia Njoi Fontes 

A convidada para o Brunch desta edição é um rosto já conhecido entre os angolanos. Agora ficamos a conhecer o outro lado desta profissional, mas desta vez, detrás das câmaras. Embora tenha nascido e crescido em Angola, na província de Luanda, foi em Portugal que Kénia Camotim frequentou e concluiu a maior parte do seu percurso académico.

Em criança, Kénia sonhava ser bailarina, e passou algum tempo a trabalhar para realizar o seu sonho de menina, mas, quando menos esperava, isto aos 18 anos, apaixonou-se e viu-se disposta a desviar-se do futuro que tanto almejou. Kénia descreveu-nos resumidamente aquilo que foi o percurso académico em Luanda e depois na terra de Camões.

“Em Luanda frequentei o ensino de base até à 7.ª classe, depois embarquei para Lisboa, capital de Portugal, onde dei seguimento aos estudos até à 11.ª classe. A 12.ª classe fiz na cidade de Braga, no Norte do País.” Depois de ter concluído o ensino médio, com resultados satisfatórios, Kénia opta por seguir a carreira de economista e inscreve-se na Universidade Lusíada do Porto.

“Licenciei-me em Economia e tenho feito muitos cursos especializados em Liderança ao longo dos anos.”

Questionada sobre como surgiu a primeira experiência profissional, Kénia revelou: “Sempre gostei de trabalhar. Aos 17 anos, sem necessidade de o fazer, decidi por iniciativa própria começar a trabalhar num café, na altura chamado Pois Pois, num verão em Portugal.”

No decorrer da experiência, começou a ganhar maturidade financeira, e aos poucos foi-se apercebendo de que, se não estudasse, o dinheiro que ganhava não se multiplicaria.

“Nunca me contentei com pouco, sempre quis mais, consequentemente passei a dar mais valor aos estudos e escolhi o curso certo”, conta.
Quando lhe perguntamos sobre os principais desafios que ela enfrentou em terras lusas, Kénia destaca as dificuldades de adaptação que sofreu devido ao preconceito e à xenofobia.

“Da minha terra, pouco tenho a dizer, talvez por ser a minha cidade, mas em Portugal, durante dois anos, era a macaca dos portugueses, foi muito mau. Sofri bastante com o racismo, chamavam-me de preta”, revelou.

Ainda assim, Kénia não se abateu, e muito por culpa da boa educação que recebeu de sua mãe (Carla Camotim) e avó (Mimi Camotim), com quem vivia em Portugal. Isto permitiu-lhe valências e aprendeu a ser superior aos actos de racismo e ignorância. Mas também conheceu pessoas fantásticas, sendo que hoje parte dos seus grandes amigos são portugueses.

O reencontro com a terra natal

Depois de ter passado boa parte da sua vida longe de casa, Kénia regressa ao país que a viu nascer, com o sentimento de missão cumprida. Fez as malas com destino a Luanda e deu por bem- sucedida e encerrada a razão que a levou para a terra de Camões – a formação académica.

Já na capital angolana, e com 25 primaveras contadas, a economista arregaçou as mangas e começou a trabalhar.

Neste mesmo período, Kénia entrou para a área de auditoria, na Audi-Conta, e depois teve passagem por Deloitte, Coca-Cola,

De Beers, até chegar ao Grupo Media Nova, onde se encontra actualmente a desempenhar a função de directora-geral-adjunta.

Por outro lado, conta também que há muito vem treinando para se tornar numa palestrante motivadora para as mulheres e de igual modo transformar-se numa consultora para grandes empresas, e destaca este desejo como um dos seus objectivos profissionais.

Kénia afirma não ter um modelo único de vida que siga, mas leva consigo valores éticos e morais que lhe foram passados desde muito nova, que preza e carrega pela vida pessoal e profissional.

“Procuro ser leal, profissional, respeitadora e acima de tudo digna do nome que carrego, Kénia Camotim, um nome que surge em homenagem à minha avó Mimi Camotim e à minha mãe ,Carla Camotim.”

Em relação a leitura que faz sobre a situação actual do País, Kénia Camotim é de opinião de que o País ainda está em fase de desenvolvimento. “Há muitas lutas constantes, e, se compararmos o País a uma empresa, os empregados nunca estão satisfeitos, tal como o povo nunca está”, comenta.
Aqui deixa um traço positivista da sua personalidade, observando que tais insatisfações “têm um lado positivo, pois revelam–se a melhor arma para adaptações e desenvolvimento de um país”. “Os jovens estão num excelente país, de norte a sul de Angola ainda há muito para explorar”, diz.

E diz mais: “Ainda existe o estigma da guerra, as pessoas acham que as outras províncias não servem. Enquanto isso, há cidadãos nacionais e estrangeiros com a visão voltada para essas províncias e que estão a colher altos rendimentos, mas maioritariamente cidadãos estrangeiros, o que muito me custa aceitar”, confessa.

A gestora indica ainda que há muito para explorar pelo País adentro, o que é preciso é ter visão e perceber que Luanda não é a única porção de terra que dá dinheiro em Angola.

Entretanto, mudando de assunto, não podíamos deixar esta agradável conversa sem conhecer alguns aspectos mais intimistas da nossa convidada. Por exemplo, ficámos a saber que gosta muito de ler romances. Quem Mexeu no Meu Queijo?, de SpencerJonhson, é um dos livros de eleição. Mas admite que há mais de seis meses está agarrada à poesia, sobretudo desde que começou a fazer o programa Fair Play.

Kénia Camotim afirma com orgulho que deseja ter mais filhos, apesar de ser já mãe de três. E considera este o seu maior desafio a nível pessoal. “Pretendo alargar a família, quero dar vida a mais dois filhos”, disse. Finalmente, a nossa convidada é a economista, gestora e mãe. Acima de tudo, uma mulher do lar, que não abre mão dos momentos em família. E assim fechamos Março, com uma dedicação especial às mulheres de todos os quadrantes – que este espaço possa inspirar e promover o surgimento de mulheres empreendedoras, que contribuam para o desenvolvimento, em todas as esferas.

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