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Brunch With…Marco Ligeiro

27/12/2016 - 11:30, + Mercado, Brunch with

Tem um jeito nato para vendas e gosta de desafios. Formou-se em Inglaterra, mas é em Angola que exerce as funções de National Commercial Manager.

Por Vânia Andrade | Fotografia Njoi Fontes

Marco Ligeiro é mais um dos muitos jovens angolanos cujo brio profissional e a dedicação demonstrada no desempenho das tarefas laborais o catapultaram para altos níveis na hierarquia das organizações a que estão vinculados, exigindo deles mais responsabilidade.

Formado em Gestão e Negócios pela Universidade de Birmingham, Inglaterra, Marco Ligeiro desempenha a função de National Commercial Manager da NileDutch Angola, empresa de transporte de carga marítima, onde trabalha há sensivelmente seis anos, após criteriosa escolha, porque no regresso a Luanda, em 2009, foi solicitado por empresas de diferentes ramos de actividade.

Ligeiro confessa que o percurso até ao cargo que actualmente ocupa foi trilhado com profissionalismo, dedicação e esforço, pelo facto de ter começado como assistente comercial e depois supervisor comercial. Era o princípio da ascensão do jovem nascido em Benguela, há três décadas. Mas, aos 10 anos, viu-se forçado a abandoná-la por circunstância funesta.

“Por ironia do destino, sobrevivi a um acidente de viação; mas na tragédia perdi o meu pai e o meu melhor amigo. Foi uma perda muito difícil”, disse o Marco Ligeiro, deixando transparecer a dor ao lembrar tal acontecimento que inesperadamente mudou por completo o seu destino; razão pela qual foi viver para a Europa.

O ambiente nostálgico sulcava a alma de Marco, que, apesar de “ligeiro”, jamais conseguia se desfazer do trágico momento a que sobreviveu. Para o confortar, dar outro ar na sua vida, assim como para o afastar das más recordações, os parentes próximos decidiram enviá-lo para Lisboa, Portugal. Lá encontrou aconchego porque era a terra natal do finado pai.

Portugal foi de fácil adaptação por ser um país com hábitos e costumes que se aproximam aos de Angola. Também pelo facto de lá antes ter passado férias, na companhia da família, e manter forte interacção com os parentes do lado paterno. Sem muito tempo a perder, deu continuidade aos estudos.

Frequentou o curso médio de informático, embora contra vontade. Este percurso académico foi feito em duas cidades diferentes; a primeira etapa em Sete Rios e na cidade da Amadora, recorda Marco Ligeiro com um sorriso estampado no rosto, em sinal de apreço.

Apesar de estudar informática, confessa que o bichinho pelas vendas se manifestou muito cedo. As primeiras actividades foram num estabelecimento familiar em Benguela. “Desde novo tenho inclinação para as vendas. Quando vinha de férias, sempre que tinha oportunidade, colaborava nas vendas de materiais didácticos, de escritório’’ e informática, na loja pertença da família. “Era como se fosse um estágio”, conta-nos.

Embora Portugal ofereça condições de boa formação académica, Marco Ligeiro desejava formar-se nos Estados Unidos da América ou Inglaterra, pela qualidade de ensino. O desejo veio concretizar-se, acabou por estudar Negócios e Gestão, na Universidade de Birmingham, Inglaterra. “Vivi em Birmingham durante quatro anos, foi uma experiência positiva para a minha evolução pessoal e profissional.”

Recorda que, enquanto vivia em Lisboa, o impacto cultural quando viesse de férias a Angola era pouco notório, ao contrário da Inglaterra, porque as pessoas e a cultura eram completamente diferentes da nossa.

Experiência laboral

Em Lisboa, trabalhou como produtor de eventos, porque sempre teve interesse pelas áreas de marketing e comercial quer para marcas quer para o público. Em 2008, ainda a estudar em Inglaterra, embora prestes a concluir os estudos, teve a oportunidade de ser admitido pela Elite International Careers, como embaixador para os candidatos angolanos, foi o primeiro emprego a sério, onde fez os primeiros contactos com candidatos e empresas multinacionais por toda a parte do mundo.

No ano seguinte (2009), decidiu regressar a Angola e abraçar novos desafios profissionais a fim de contribuir para o crescimento e desenvolvimento económico do País.

Um dos maiores desafios de Marco Ligeiro é ir mais além do que lhe é imposto diariamente, porque se mostra capaz de corresponder aos desafios que se lhe apresentam.

O director mostrou-se descontente com a falta de credibilidade da mão-de-obra nacional, acreditando que tal se deva, possivelmente, à guerra que assolou o País, descrevendo o facto como um dos grandes desafios que a sua geração tem enfrentado.

“O mercado cresceu de forma positiva na área dos transportes, mas acredito que ainda há muito por se fazer, tendo em conta a fase que o País enfrenta. Angola é um país rico e com muitas oportunidades, e com as crises surgem sempre novas oportunidades.

Ainda há muitas infra-estrutura para se criar, mas estamos a caminhar bem. Sendo o NileDutch um dos operadores de transportes mais antigos em Angola, temos esta responsabilidade, juntamente com o Ministério dos Transportes, de criar as condições para o intercâmbio nacional e internacional.”
Falando sobre os seus objectivos e ambições, Marco Ligeiro declara que um dos seus objectivos é liderar uma empresa. Ser quadro de um órgão do Governo na área em que trabalha também é uma das metas do director.

“Daqui a 10 anos, eu vejo-me num cargo de topo nas áreas em que trabalho, nomeadamente nas áreas em que estou nos transporte, comercial e marketing.” Marco sonha ser bem-sucedido em tudo o que faz, acrescentado que teme apenas não ter saúde para poder atingir tais metas devido ao facto de ser bastante ambicioso.

“O único medo que tenho é de não ter saúde para alcançar os meus objectivos, esta é a coisa que eu receio, não ter forças e saúde para alcançar os meus objectivos.”

Sobre os seus passatempos, revela gostar de praticar desportos, nomeadamente basquete, futebol e tudo o que tenha que ver com motorizadas. Confessa também ser fanático por cinema, especialmente filmes de acção de histórias financeiras.

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