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Brunch With…Mell Chaves

04/06/2017 - 14:18, + Mercado, Brunch with

A vontade de ser autónoma incentivou a apresentadora a trabalhar cedo,aos 18 anos, e nunca mais parou.Hoje, faz-nos ‘companhia’ através da televisão.

Por Vânia Andrade | Fotografia Carlos Muyenga

Nasceu em Luanda, há 39 anos, mas viveu cerca duas décadas em Portugal, para onde foi viver com apenas dois anos de idade. De regresso a Angola desde 2001, já trabalhou em agências de comunicação, área de marketing e comercial, foi jornalista e apresentadora de programas de TV, ‘pele’ que veste hoje, novamente. A moda e a imagem fazem também parte do percurso de Mell Chaves que, com o passar dos anos, tende a valorizar cada vez mais a família, o tempo para si mesma e, claro, para a filha. A par disso dedica-se na divulgação e defesa de Associações ligadas à Consciencialização do Autismo, Prevenção Contra o Câncer de Mama e à Fundação Ana Carolina que ajuda crianças com problemas psico-motores.

A imagem, aliás, nos dias que correm, e a auto-estima afectam as carreiras profissionais, para o bem e para o mal, afirma. “Os seres humanos, quando não estão bem psicologicamente, não conseguem dar o seu melhor”, diz. No “mundo visual” em que vivemos actualmente, acrescenta Mell Chaves, “a imagem tem cada vez mais força”, quer em termos de sociedade, quer no mundo empresarial.

“Está mais do que provado que, nas organizações, mais facilmente se dá uma oportunidade de emprego a uma pessoa que tenha uma boa imagem do que a outra que tenha uma imagem descuidada”, declara a apresentadora do programa Escola da Moda, que defende a importância do equilíbrio psicológico e auto-estima na vida das pessoas e no meio laboral. É travada uma luta entre a inteligência e a imagem. E falar de imagem não é falar de beleza, pois a mesma é subjectiva. O que se pretende não é ter apenas caras bonitas com cabeças vazias, mas profissionais competentes e que a par disso tenham uma boa imagem. E neste ponto refiro-me a aspectos como se apresentam.

A falta de higiene, roupa desapropriada, má postura, trejeitos exagerados seja em homens ou mulheres são pontos a serem trabalhados no quesito imagem. No programa Escola da Moda trabalhamos estes pontos.

O sonho do primeiro carro

O trabalho e a vontade de crescer e alargar horizontes profissionais têm sido um dos ‘motores’ da vida de Mell Chaves. Passou a infância e boa parte da juventude em Portugal, onde estudou atéao12.º ano. Não fez universidade, mas sim um curso profissional de Ciências Empresariais por 2 anos que conciliou com um part-time com o objectivo de concretizar aquele que foi um dos seus primeiros sonhos: comprar um carro.

“Arranjei o meu primeiro emprego com 18 anos. Ambicionava ganhar dinheiro para comprar um carro, conciliando com o curso de Ciências Empresariais”, lembra. A moda também entrou, nessa altura, na sua vida, pois o part-time que lhe deu o primeiro salário foi numa boutique.

Não satisfeita com o que recebia naquele emprego, Mell Chaves decidiu-se a encontrar formas de ganhar mais dinheiro. Aos fins-de-semana, começou a trabalhar numa discoteca e, ao fim de seis meses, a acumular dois trabalhos, concretizou o sonho da mobilidade e comprou o primeiro carro – um Peugeot vermelho.

“Sou uma pessoa muito determinada”, garante, explicando acreditar que esta característica sempre foi “motivo de orgulho” para os pais. “Quando digo que vou fazer algo, faço. Posso demorar algum tempo, mas faço”, assegura.

Mais tarde, começou por trabalhar na sua área de formação, passando pela Portugal Telecom e Lisboa Gás, sempre no atendimento ao cliente e marketing. Relembra também que fez várias formações sobre postura de atendimento nas empresas quer presencial, quer via telefone.

Mas, o regresso a Angola estava ‘escrito nas estrelas’. Cerca de 20 anos após deixar o País, veio passar as férias de Natal a Angola. A estada, que viveu como “uma aventura”, acabou por se prolongar um pouco mais do que o previsto, o que lhe permitiu conhecer melhor o País e a sua realidade. No final da viagem, ficou “apaixonada” pela terra que a viu nascer. O regresso definitivo a Angola estava para breve.

O regresso a Angola e a comunicação

No final de 2001, voltou de vez. Determinada, enviou vários CV e teve a primeira oferta de emprego, na ESSO, onde acabou por não ficar, pois ao mesmo tempo um amigo a convidou para fazer fotos para a campanha de uma agência de comunicação – Executive Center. Não fez a campanha, mas entrou como account na empresa, onde esteve dois anos. No fundo optou pela área com que mais se identificou. De lá, seguiu para a Prometeus. “Entrei para uma área completamente diferente daquela a que estava acostumada, que foi a limpeza industrial e paisagismo, na área de clientes. A minha função era de criar a carteira de clientes e de fazer a gestão dos contratos”, recorda.

Ficou sete anos na Prometeus, onde exerceu a função de responsável da área comercial e clientes, e, em 2009, surgiu um novo desafio, para voltar à área de comunicação, no Grupo ZWELA, onde assessorou o PCA, desempenhando funções na área da comunicação e marketing. Participou do lançamento da revista People, um projecto que, recorda agora Mell Chaves, foi “um sucesso”.

E na revista Chocolate, que dirigiu até Dezembro do ano passado, momento em que deixou a ZWELA/ CHOCOLATE. “A revista está bem entregue e eu estou dedicada à televisão”. O acumular de funções chegou a deixá-la doente com um nível de stress muito grande.

A “lição” de Angola nas relações humanas

Pelo caminho, foi ‘entrando’ nas nossas casas, através da televisão, com os programas “Chocolate” que foi a primeira experiência nem TV, seguiu-se “O que elas Pensam”, “Mais Consigo” e “Viva Tarde”. Agora, está na Record TV a fazer o “Escola da Moda”, com Hadjalmar El Vaim, um programa que trabalha a imagem e auto-estima dos participantes.

Angola, afirma, tem sido uma “lição” em termos de relações humanas. “Lembro-me de que, em Portugal, ninguém sabia como eu me chamava, mas os vizinhos sabiam o nome do meu cão”, revela. Aqui, veio encontrar outra realidade, mais calorosa e de proximidade, ainda que, talvez pelas “circunstâncias actuais”, as pessoas tendam a tornar-se “mais viradas para si mesmas e vivam mais para si do que para os outros”.

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