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Brunch With…Milva Ligeiro

14/11/2016 - 09:08, + Mercado, Brunch with

A convidada acredita que o trabalho é a chave do sucesso. Nesta entrevista aborda igualmente a sua passagem pelo estrangeiro e as oportunidades que teve no regresso ao País.

Por Vânia Andrade | Fotografia Carlos Muyenga 

Embora tivesse concluído o ensino secundário na área de Contabilidade, Milva Ligeiro optou por seguir a carreira profissional em Gestão e Negócios.

Natural da província de Benguela, a entrevistada do Brunch dividiu a sua infância entre Angola e Portugal. Aos 10 anos, a família mudou-se para Portugal, onde fez o ciclo secundário em Contabilidade e Gestão.

Terminado o ensino secundário, Milva Ligeiro ingressou no ensino superior, ainda em Portugal, que depois interrompeu, dando continuidade ao processo de formação na UCE (Universidade Central da Inglaterra), formando-se em Negócios e Gestão.

Questionada do porquê da mudança de curso, Milva diz nunca ter-se apaixonado pela Contabilidade, pese embora ter adquirido alguma experiência na área e trabalhado em duas empresas do ramo em terras de Camões.
Já formada em Gestão e Negócios, Milva permaneceu em Inglaterra por mais dois anos e teve a oportunidade de conhecer o mercado de trabalho britânico. “Trabalhei em duas empresas na área de contabilidade e passei pelo Birmingham City Council, pela Insolvency Services e pela BMG Research.”

Milva Ligeiro conta que faz parte de uma família tradicional, tendo crescido ao lado da família. No entanto, conforme nota, a viagem a Portugal e ao Reino Unido afastou-a ainda mais do seio familiar. Revela ter tido uma boa adaptação, embora tenha tido um choque cultural entre Angola e Inglaterra. “A barreira da língua constitui um desafio”, afirma.

Sublinha ainda que o Reino Unido tem uma cultura extremamente desenvolvida, aceita o que não é vulgar, o que não é normal, e isto contribuiu, de certa forma, como explica, para abrir os seus horizontes e sonhar mais alto.

O regresso a Angola

Durante o último ano no Reino Unido, soube que a Elite Careers, empresa de consultoria internacional, com sede em Londres, na altura recrutava angolanos de todo o mundo para trazer de volta a Angola . “Fui então recrutada para a Secil em Portugal, onde fiquei durante um ano, ao que regressei a Angola e fui enquadrada na Secil Lobito, por apenas três meses.”

No País foi igualmente recrutada pela Elite Careers, mas desta vez para a Movicel, instituição onde teve a oportunidade de dar o seu contributo durante cinco anos.

Na rede de telefonia móvel, a gestora foi chefe de departamento de serviços, tendo trabalhado na criação de produtos, planos e tarifários, entre outras responsabilidades.

“O nosso foco consistia em criar, desenvolver, inovar e investigar. Com efeito, foram feitas pesquisas de outros mercados, outras empresas de telecomunicações, outras operadoras móveis, a fim de sabermos o que se estava a passar no ramo, numa visão internacional”, realça. A sua equipa, avança, tinha também a função de criar e desenvolver produtos e os serviços da empresa, assim como os serviços de roaming e interligação.

“Uma das minhas maiores tarefas era negociar serviços de roaming, viajava pelo mundo inteiro para negociar e obter tarifas mais baratas para depois passarmos para os nossos clientes”, lembra.

“Durante cinco anos foi para mim uma experiência brutal, que me fez crescer como pessoa e profissionalmente”, garante, destacando ter recebido mais tarde uma proposta para trabalhar na Ericsson, empresa sueca de tecnologia, fabricante de equipamentos de telefonia fixa e móvel, onde se encontra até ao momento.

Revela que, apesar de ter crescido longe da família, ela e os seus irmãos sempre tiveram imenso respeito e admiração pelos pais, fazendo de tudo para seguir as suas peugadas.
“Considero a minha mãe extremamente determinada, focada, muito persistente e superprofissional. O meu pai era exactamente parecido. Chegou a Angola e começou do zero, entretanto tornouse empresário, construiu algumas empresas e desenvolveu o que queria, realizando os seus sonhos.”

O convite para trabalhar na multinacional não foi uma surpresa, pois havia, de certa forma, alguma ligação entre as duas instituições, visto que a Ericsson era na altura fornecedora da Movicel.
“A Ericsson é uma multinacional, e 40% das telecomunicações que todo o mundo usa pertencem-lhe. Portanto, foi com o maior orgulho que aceitei o convite”, confessa.
É quadro da Ericsson há ano e meio e é actualmente responsável pela maior conta de clientes da empresa, a Unitel. Vela por toda a parte de warehousing, serviços e implementação de antenas de telecomunicações. Ou seja, todo o tipo de serviços que a Ericsson fornece aos clientes passa por ela.

Acha que, como angolana, tem dado o seu contributo para o desenvolvimento do País, pois teve a oportunidade que talvez outras pessoas não tiveram.

“Considero-me uma pessoa privilegiada, mas sinto-me mais orgulhosa e satisfeita como mulher ao saber que tenho contribuído para o crescimento do País”, diz, acrescentando que era o que idealizava no seu regresso ao País.
Acha que Angola continua a ser um país propício para se investir, embora esteja a passar por um período difícil da sua economia.

“Angola continua a oferecer imensas oportunidades. O País oferece espaço e lugar para todos.”

Acredita também que Angola possui muitos jovens capazes que podem contribuir para o seu crescimento e afirmação internacional. “Temos muita riqueza, desde diamantes e outros minérios, que nem sequer foram explorados o suficiente.”

De acordo com Milva Ligeiro, para quem vem de fora nesta fase será um pouco mais desafiador trabalhar no País e, se calhar, “quem quiser investir terá de ter alguma robustez para depois se autofinanciar em algumas frentes”, ressalta.

Há cerca de três anos, Milva e mais duas mulheres abraçaram a causa humanitária, fundando uma associação sem fins lucrativos, conhecida por Esperança Viva.

Nota igualmente que durante este período a associação já participou em diferentes projectos de responsabilidade social. Inicialmente, sublinha, a iniciativa está essencialmente focada nas crianças, mas actualmente o targeté mais abrangente.

Considera-se uma pessoa ambiciosa, que está à procura de sempre mais. “Acredito ter já feito muitas conquistas, mas ainda há muito mais para conquistar.”

Milva Ligeiro afirma que a sua única crença é no trabalho. “Acho que conquistamos tudo o que queremos com o trabalho. O que a gente quiser a gente atinge, sem dúvida, seja quem for, independentemente de termos um percurso privilegiado. Quando queremos, chegamos lá, e é nisso que reside a minha crença”, frisa.

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