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Brunch With…Olívio Kilumbo

05/12/2016 - 09:58, + Mercado, Brunch with

O politólogo que sonha tornar-se num renomado consultor, trabalhar no associativismo e influenciar pessoas a ganharem consciência política.

Por Vânia Andrade | Fotografia Carlos Muyenga

A conversa decorreu num ambiente descontraído e cheio de vivacidade, num espaço propício também para encontros de negócios. Olívio Kilumbo é formado em Ciências Políticas, na especialidade de Políticas Públicas.

Nasceu em Luanda, na Ingombota, há 34 anos. Passou igualmente pelos bairros Palanca, Cazenga, Viana, Rocha Pinto e Sambizanga, que abandona somente em 2011. O desejo de perceber melhor os fenómenos e o défice na criação dos segmentos de políticas públicas em Angola constitui a causa que o levou a formar-se em Ciências Políticas, pela Faculdade de Ciências Sociais, na Universidade Agostinho Neto, entre 2009 e 2012. Mas foi no Instituto Normal de Educação de Cacuaco (INE 24 de Julho) que fez o ensino médio, especializando-se em Geografia e História.

“Sempre quis fazer política”, afirma. “Em 2003, quando se dá a invasão dos americanos ao Iraque, ganhei paixão pela política internacional, mas quando estudava a 7.ª e a 8.ª classe já eu assistira aos noticiários e, entretanto, tinha sempre contacto com programas de entretenimento que abordavam questões da política nacional”, acrescenta. Naquele ano, Olívio Kilumbo inscreve-se na Universidade Lusíada de Angola (ULA).

“Quando me dirigia para fazer a matrícula na ULA, ligaram-me a informar de que tinha sido repescado na Faculdade de Letras e Ciências Sociais, da Universidade Agostinho Neto, no curso de Ciências Políticas”, conta. Recorda igualmente que teve contacto com os melhores professores da área no País, tendo tido uma experiência positiva e finalizado o curso em 2012.

“Eu entrei para a universidade um ano depois das eleições de 2008, e o facto de ter terminado também num ano de eleições no País marcou a minha pessoa, e a partir dali foi só trilhar o caminho do sucesso”, diz. Olívio Kilumbo passou por severas dificuldades na adolescência, devido à morte do seu progenitor, pilar da família. Hoje agradece à mãe aquilo que fez em seu favor e dos irmãos também.

Para além da mãe, a Igreja Protestante de igual modo teve uma influência positiva na sua vida, como faz questão de explicar.

O curso de Ciência Política existe em Angola desde 2003, e Olívio Kilumbo considera ainda difícil fazer politologia pelo facto de o nosso País estar em fase de descobrimento, onde muita coisa ainda está prestes a acontecer, confundindo-se às vezes a politologia com a política. Sustenta dizendo que o político não precisa de formação para exercer a actividade política activa. Precisa, apenas, de estar filiado num partido político para chegar a Presidente da República, por exemplo, e fazer uma vida política a nível intermédio.

“Já o politólogo é um indivíduo que vai para uma universidade e se especializa em Ciência Política, e é chamado para estudar os partidos políticos, os políticos e os fenómenos da vida política.”
Experiência profissional

O politólogo conta que o seu primeiro emprego foi numa bomba de combustível. Na altura frequentava a 8.ª classe. Lembra que o dinheiro que ganhava entregava à mãe para guardar, e servia-lhe também para apoiar nas despesas de casa quando fosse necessário.

Trabalhou no local durante um ano e meio. Abandona o emprego depois de se mudar para uma escola que ficava distante de casa. Foi pedreiro durante um ano, numa empresa de construção civil, e depois entra para uma empresa de tintas de repintura automóvel e fica por lá mais ou menos três anos.

Por influência de alguns colegas, Olívio Kilumbo passa a exercer a actividade académica, leccionando a disciplina de Geografia no Colégio São José de Cluny, até 2014.

Enquanto isso, Olívio Kilumbo experimentava as peripécias para fazer parte do sistema de ensino geral, no quadro do Ministério da Educação, e participa em diferentes concursos públicos.

Foi na província do Bengo que realizou o sonho. “Fui apurado num concurso e colocaram-me, na altura, numa escola na zona do Cabo Ledo, onde permaneci até 2015”, disse, frisando que depois foi transferido para Luanda, e actualmente lecciona no Magistério Primário de Luanda, sendo professor do II ciclo.

Outras ocupações

A grande actividade de Olívio Kilumbo como politólogo tem sido fazer análises e comentários referentes a ciência política, em rádios, jornais, escrevendo artigos de opinião.

Actualmente está envolvido no projecto da Rádio Kairos, em Luanda, propriamente no programa Sem Fronteiras, e também tem sido convidado para o programa Ritmo Económico.

Como conta, tem ainda sido, de vez em quando, chamado a conceder entrevistas noutras estações de rádio da capital do País.

Na qualidade de consultor tem sido igualmente chamado a dar algum parecer em determinadas actividades.

Para Kilumbo, o politólogo tem igualmente o papel de perceber questões relativas às dinâmicas eleitorais, dos partidos e dos políticos. Ou seja, é alguém que assessora um político e que tem a missão de criar uma consciência política na sociedade, algo que ainda não se tem em Angola.
“Temos consciência jurídica, de imprensa e económica. Portanto, as pessoas fazem contas à vida, nos gastos do dia-a-dia, entendem que devem consultar um advogado quando estão em conflitos com a lei. Têm vontade de procurar um jornal e informar-se, mas falta consciência política.”

Família, religião e lazer

Olívio Kilumbo considera-se uma pessoa simples, mas por vezes difícil e teimosa. Casado, e com três filhos, Kilumbo é um pai de família que se preocupa com os seus. Revelou ter feito parte do grupo coral da sua igreja há cerca de dez anos, e hoje diz ter muito cuidado com a música que ouve.

Viciado em trabalho, o politólogo tem como hobby a leitura.

Lê muito sobre política, economia, sociologia e também sobre história, a fim de se manter informado e elevar o nível de conhecimento. Neste momento está a ler Os Grandes Enigmas da Guerra Fria.

“Tenho bons amigos. Convivo com as mesmas pessoas durante os dias de semana e bebo muito das suas experiências. Essas pessoas têm grande influência sobre mim, do ponto de vista do conhecimento”, explica. Quanto às viagens, Olívio Kilumbo pretende conhecer dois países do continente asiático. Trata-se da China e da Coreia do Sul. “Estas nações, há 25 anos, tinham um desenvolvimento socioeconómico semelhante ao de Angola e, entretanto, deram hoje um grande pulo, facto que me leva a querer perceber a fundo o fenómeno”, explica.

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