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Brunch With…Ronaldo Pitta Grós

02/05/2017 - 11:25, + Mercado, Brunch with

Um jovem ambicioso que não teme adaptar-se a novas mudanças. O administrador do portal de consultoria online para os empreendedores conta ao Mercado os seus prazeres e as perspectivas para o futuro.

Por Líria Jerusa | Fotografia Njoi Fontes 

Nasceu em Luanda há 34 anos, na zona da Vila Alice, lugar onde cresceu até mudar-se para a África do Sul (país no qual residiu por quatro anos).  “Vivi em Pretória e Joanesburgo, a ida para lá foi opção minha, nessa altura estava com 13 anos apenas”, conta.

Em terras zulu, o administrador descreve-nos que a sua trajectória escolar passou pela English School of Pretoria, por onde ficou a estudar a língua inglesa por um ano, e posteriormente pela Forrest High School ( Joanesburgo) nas 8.ª, 9.ª e 10.º classes. Apesar de ter emigrado ainda menino, Ronaldo narra alguns momentos menos bons que ocorreram enquanto vivia na África do Sul. “Havia muito racismo naquela época, e lembro-me de uma vez, no Serviço de Migração e Estrangeiro (SME), para renovar o visto, termos sido obrigados a escrever uma carta de compromisso, cujo teor, tão logo terminássemos os estudos, obrigava-nos a ir embora”, recorda.

Entretanto, em 2001, satisfeito e com o sentimento de dever cumprido, Ronaldo decide deixar a África do Sul rumo a Portugal, desta vez num cenário diferente, e com novos desafios, pois nesta altura Ronaldo Pitta Grós já não era nenhum adolescente a emigrar para um novo país.
“Estava com 18 anos nesta altura, e já pesavam sobre mim outras responsabilidades e pensamentos”, disse.

Posto em Portugal, o jovem empreendedor dá início a um novo percurso estudantil.“Fui estudar no Externato de Alfa, repeti o 12.º ano para poder ter acesso à faculdade”, lembra.

Muito movido pelo seu sonho de criança, Ronaldo Pitta Grós decide então formar-se na área que sempre sonhou (arquitectura) na Universidade Lusíada de Lisboa. Mas, o que poderia ser um sonho revelou-se um autêntico pesadelo.

“Não me dei bem, logo no primeiro ano, era o meu sonho, mas no final das contas acabei por não o realizar”, conta. No entanto, o jovem administrador opta por olhar para outra área de formação, desta vez a aposta é voltada para o ramo da informática (isto na Universidade Autónoma de Lisboa), porém, mais uma vez, foi uma tentativa falhada.

“Fiquei cinco anos a insistir numa área de que não fazia a mínima ideia, quando percebi que já não dava, que estava a perder tempo naquilo e a gastar dinheiro dos meus pais, voltei para Luanda sem terminar o curso”, remata.

Após esta experiência não tão agradável, e já na terra natal, Ronaldo começa a trabalhar numa das operadoras de telefonia móvel do País . As telecomunicaçoes eram um ramo que já não era novo para o jovem , pois já havia trabalhado numa área semelhante, quando ainda residia em Portugal. “Tinha alguma experiência nesta área de atendimento ao público, apoio ao cliente, tinha trabalhado na linha de apoio ao cliente da TV Cabo Portugal.”

No terceiro ano enquanto trabalhador, e ainda com a vontade de formar-se, Ronaldo Pitta Grós decide então retomar os estudos.

“Comecei a estudar à distância na universidade AIEC, no curso de Gestão e Administração de Empresas, tinha finalmente encontrado a minha vocação e a minha saída”, afirma.

Ainda no primeiro ano do curso de Gestão, e fruto da formação que fazia, Ronaldo decide criar o seu próprio negócio (uma pequena fábrica de picolé), mas, como nem tudo são flores, as coisas não correram bem do jeito que o administrador havia traçado.

Em 2006, logo após a sua saída na Unitel, o jovem administrador abraça um novo desafio, desta vez o embarque seria para uma agência de publicidade do grupo Media Nova Publivision (actual Zwela) como gestor de clientes.

E passado algum tempo é convidado para ingressar nos quadros da Clínica Girassol, na área de marketing. Estas experiências levaram o jovem empreendedor a criar um novo negócio (uma gráfica digital), e isto foi alimentando cada vez mais a vontade de administrar e gerir negócios.

Tendo já conhecido todas as dificuldades de quem empreende, e os empecilhos que o mercado impõe, o jovem administrador, na companhia de mais dois sócios, criou uma empresa de consultoria online para empreendedores (portal ABC do Empreendedor), onde trabalha até à data presente.

O empreendedor revela ser apaixonado pela leitura, sendo os seus livros de eleição os romances e a ficção científica. Acrescenta ainda que é um bom apreciador de filmes, e não abre mão dos momentos em família. “Os filmes que as pessoas consideram chatos são os que mais me atraem.”

Apesar de ter praticado alguns tipos de desportos, como ginástica rítmica, remo no Clube Naval, e ainda basquetebol, xadrez, e râguebi, o convidado revela não ser amante de actividades desportivas. “Experimentei muitos, mas não é o meu forte”, acrescenta.

Avaliação técnica sobre o sector de empreendedorismo no País

De acordo com o entrevistado, apesar de ser um dos assuntos mais discutidos nos últimos anos, é preciso olhar de forma mais profunda para este sector. “Agora tem-se falado muito em empreender, recriar oportunidades para suprir as necessidades, neste requisito não somos novos, mas praticar o empreendedorismo de maneira legal, cumprindo todos os trâmites exigidos, nisto ainda estamos em fase embrionária, é preciso fazermos negócios rentáveis para todos, tanto para o que empreende como para o Estado”, afirma. Acrescenta ainda que a formação básica em gestão é essencial para quem pretende empreender. “Não basta apenas ter o dinheiro para aplicar”, disse.

Por fim, conclui dizendo: “O primeiro negócio de qualquer negócio é manter-se no negócio, o caminho faz-se caminhando”, remata.

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