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Brunch With…Rúbio Pimentel

07/11/2016 - 10:46, + Mercado, Brunch with

O engenheiro, que começou por gerir negócios da família, conta a sua trajectória sem esconder que teve de começar por baixo até criar a sua própria empresa.

Por Vânia Andrade | Fotografia Njoi Fontes 

O nosso convidado desta semana é Rúbio Pimentel, o CEO do grupo Sanzel. O empresário, que é também o director-geral e proprietário da RIGS (Rede Industrial do Grupo Sanzel), tem 32 anos, nasceu em Luanda e conta que passou parte da sua infância em Angola. Mas foi na terra de Camões, onde passou parte da sua juventude, que concluiu o ensino médio.

Rúbio Pimentel licenciou-se na University Westminster, Inglaterra, onde viveu durante quatro anos. Em 2008, quando regressou à sua terra natal, o engenheiro começou por auxiliar o pai nos negócios da família, e conta que teve de começar por baixo, passando por quase todos os departamentos das empresas do pai. “Comecei por ser técnico de algumas áreas, passei pelos recursos humanos, contabilidade, logística, finanças, até chegar ao cargo de director-geral”, revela.

Mas, ao fim de alguns anos, o empresário sentiu a necessidade de criar o seu próprio negócio. Foi em 2011 que criou a Sanzel, que é uma empresa de trading(intermediação comercial), nos ramos logístico, de construção civil e prestação de serviços.

Três anos mais tarde, em 2014, decidiu enveredar para o sector industrial, e foi assim que nasceu a RIGS (Rede Industrial do Grupo Sanzel), que faz transformação de plástico. Rúbio, assim como todos os empresários jovens, enfrentou algumas barreiras até conseguir almejar o sucesso. “Foi difícil evidenciar-me como uma pessoa séria e afirmar-me, porque

Angola tem um número considerável de jovens irresponsáveis”, brinca. Acresce que “é uma batalha muito dura e que leva tempo para ser credível”, o que o levou a ter de batalhar o dobro para conseguir dar a volta por cima.

Entretanto, Rúbio Pimentel revela que um dos maiores desafios que enfrentou durante a estruturação do seu projecto foi de carácter pessoal, foi o ter de se afastar dos negócios da família para seguir o desejo de criar a sua própria empresa. “Não foi fácil impor-me perante o meu pai e entrar para o ramo empresarial”, destaca. Afirma mesmo ter sido uma experiência difícil na fase inicial.

Ambições e desafios

O jovem empresário pretende, no curto e longo prazo, fazer vingar e crescer o projecto RIGS, embora ainda esteja numa fase embrionária. “Queremos desenvolver esta rede industrial e diversificar, com a abertura de novas indústrias para o mercado”, disse.

Rúbio Pimentel acredita que o País continua a ser um espaço geográfico cheio de oportunidades, já que continua a ser um mercado onde, por exemplo, se pode comprar um refrigerante e a seguir revendê-lo no mercado informal. “Porque temos clientes, portanto, a maior dificuldade que tenho enfrentado é lutar com os big players do mercado”, diz o gestor.

Quanto à actual conjuntura económica que o País enfrenta, Rúbio Pimentel afirma que o mais preocupante é a dificuldade de fazer importações, principalmente no que diz respeito às matérias-primas.

“O País quer diversificar a sua economia, projecto este que nos apanhou em contramão com a onda do mercado, porque o mesmo deixou de ter divisas, e nós precisamos dessas divisas para importar mercadorias. Portanto, sentimos dificuldade neste sentido”, lamenta.

Apesar de tudo, tal como conta, o valor que tenta implementar na sua vida diária é, sem dúvida, a confiança. “Pertencemos a uma sociedade que tem um mercado repleto de desconfianças, seja no mundo empresarial, seja no pessoal”, devemos confiar para que confiem em nós, aconselha.
A contínua falta de oportunidades no mercado de trabalho revela o maior receio do empresário, a nível profissional.

“O mercado não é generoso com todos os jovens, nem todos são beneficiados. Cria-se uma certa equipa de elite e deixa-se a sociedade meio para trás. Acto que pode influenciar no crescimento do País”, adverte.

Rúbio Pimentel aconselha, mesmo assim, os jovens angolanos que têm na veia o desejo de realizar os seus projectos, num futuro próximo, a darem o seu contributo para o desenvolvimento do País. “Façam projectos a médio e a longo prazo e deixem de ser imediatistas, não fiquem à espera de conseguir coisas fáceis”, aconselha.

Em relação aos empresários angolanos, espera que continuem a diversificar como têm feito até aqui, que continuem a fazer coisas novas e que deixem de depender totalmente do petróleo. “E apelo a que o Governo crie instituições fortes, porque os empresários precisam dessas instituições , principalmente as empresas pequenas.”

Hoje, o empreendedor não se considera um homem realizado. “Preciso de tempo e de sucesso para me sentir realizado”, afirma. Acresce que tem muitos projectos em carteira a serem desenvolvidos, portanto, assim que houver avanços nestes projectos, aí, sim, sentir-se-á realizado.

O outro lado do empreendedor

O empresário afirma ser um homem de família. “Gosto muito de estar com a minha família e de conviver com os meus amigos.” Sou uma pessoa teimosa, pois, quando acredito em algo, levo comigo até ao fim. Por vezes até erro, o que simultaneamente me torna um ser persistente, pois luto pelo que acredito.”
Os seus pais são a sua inspiração de vida. “Ambos superaram inúmeras batalhas, e isso fez-me acreditar que é possível fazer de tudo e mais alguma coisa, porque eles conseguiram ultrapassar as dificuldades e até algumas delas que eu achava que poderiam ser impossíveis, mas eles superaram essas barreiras”, confessa orgulhoso.

Para além de gostar de estar com a família e os amigos, quando está em casa gosta de ver filmes e séries. Sempre que pode, pratica jiu-jitsue, de vez em quando, vai ao ginásio. Adora viajar, mas, diante das dificuldades que tem tido em obter divisas, está a evitar gastos supérfluos. Apesar de não fazer com frequência muitas leituras, o empresário revela ter dois livros de eleição, nomeadamente, Pai Rico, Pai Pobre e As 48 Leis do Poder. O prazer da leitura só é superado pela música nacional e pela house.

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