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Brunch With…Tchissola Mosquito

24/07/2017 - 08:37, + Mercado, Brunch with

As palavras de uma mulher comprometida com o trabalho que trocou a carreira na banca pelo design luxuoso, mudança que adveio da paixão que tem pela arte.

Por Vânia Andrade | Fotografia Njoi Fontes

Tudo indicava que seria jurista, mas uma mudança inesperada alterou o caminho de Tchissola Mosquito, quando frequentava o curso de Direito em Lisboa, Portugal.

À procura de novas experiências, decidiu abandonar o Direito e partir para Manchester, em Inglaterra, de onde lhe chegavam boas referências do sistema de ensino.

Na pequena cidade, com vida própria para os estudantes, licenciou-se na Salford University, em Gestão de Empresas.

Hoje recorda ter sido difícil deixar Lisboa. Tendo crescido na linha de cascais, as saudades eram inevitáveis, pois adora sol e mar. Mantem os amigos da adolescência companheiros no internato de Coimbra assim como os feitos mais tarde em Lisboa.

“Sempre que posso, vou visitar Lisboa e matar as saudades de todos os amigos”, afirma a actual directora de Corporate do Grupo Cipro, especializado em design de interiores.

No âmbito do curso de Gestão, teve a oportunidade de fazer um estágio no escritório da Caixa Geral de Depósitos, onde adquiriu alguma dinâmica de trabalho num sector onde viria a fazer carreira.

Após ter concluído a formação e o estágio, em 2004, com o sentimento de dever cumprido regressou a Luanda, onde começou por desenvolver actividade profissional na área de empresas do então Banco Espírito Santo Angola (BESA), hoje Banco Económico.

O apelo da família e a entrada no Atlântico

A necessidade de dar apoio a projectos empresariais familiares acabaria por forçar Tchissola Mosquito a deixar o BESA. “Naquela altura, a empresa precisava de alguém que se responsabilizasse pela área internacional, que representasse a marca em conferências internacionais”, recorda.

Entretanto, à medida que o tempo foi passando, a gestora foi sentindo vontade de recuperar o seu caminho profissional. Até que, entre as dúvidas e as certezas, surgiu uma nova proposta de trabalho por parte do Banco Privado Atlântico (BPA). “Tive a oportunidade de fazer parte da primeira equipa de quadros do BPA, como gestora de empresas durante dois anos e meio”, afirma.

A passagem pelo Atlântico, diz, foi “um momento de enriquecimento” na sua carreira na banca, não apenas por ter ganho valências profissionais “muito boas”, mas também pelas “grandes” amizades que fez na instituição.

O Presidente do Conselho de Administração do BPA, Carlos Silva tornou-se desde então uma grande referência na sua vida profissional. “Foi uma pessoa que me marcou profundamente, que direccionou aquilo que eu quis ser durante o tempo que trabalhei na banca. Até hoje carrego toda esta aprendizagem “ revela.
A vontade de assumir novos desafios levou Tchissola Mosquito a abraçar um novo projecto, ingressando no Caixa Totta, com funções não executivas na administração.

“Fui para a administração representar parte da sociedade e depois segui para Portugal, pela mesma instituição, e estive a trabalhar para o Caixa BI durante dois anos”, lembra a gestora.

O regresso a Luanda para a Cipro

Em 2012, regressa a Luanda, onde desenvolveu alguns projectos pessoais na área da educação, até que surgiu o Gripo Cipro, num momento em que, assume, precisava “de uma almofada de algo fresco e de experimentar novas tarefas”.

A nova proposta implicava sair da sua área de conforto, que era a banca, mas seu o lado sensível e apaixonado pela arte levaramna a aceitar o convite.
Na Cipro, passou a exercer a função de directora de Corporate, representando a organização junto das entidades externas. “Não estou directamente ligada às equipas e ao dia-a-dia da gestão do negócio, mas sou a responsável pela reputação, comunicação e tudo que seja institucional”, explica.

Tchissola Mosquito afirma estar a fazer o que sempre idealizou para a sua carreira profissional e que pretende estar cada vez mais ligada à arte e à responsabilidade social que a Cipro tem desenvolvido.

“Estamos a trabalhar num projecto para o próximo ano. Se tudo correr bem, teremos alguma coisa boa para apresentar ao País ligada à arte e ao design”, antecipa, sem revelar detalhes.

Do ponto de vista pessoal, Tchissola Mosquito afirma viver com a “noção da interdependência, dado que não estamos sozinhos e ninguém consegue nem pode fazer tudo.

“Tenho aprendido a não fazer julgamentos e a aprender todos os dias com aquilo que me rodeia. Procuro ter noção de que aquilo que faço tem efeito nos outros, sendo responsável nas decisões que tomo” realça.

Por ter valores bem vincados, acaba por desenvolver um lado rígido e intransigente, preocupando-se, contudo, em não se tornar uma pessoa com quem seja difícil de se lidar.

Vegetariana em potência

Mantém uma alimentação saudável. “Por conselho de um amigo, passei pela experiência de ser vegana por um mês e foi uma experiência interessante, apesar de continuar a gostar de peixe, ovos e marisco”, conta.

A par da actividade profissional, Tchissola Mosquito é mentora de um projecto social. Criou a sua própria associação, focada na devolução da dignidade do ser humano.

“A educação a todos os níveis é um pilar fundamental para isso. Dai ter criado um clube de leitura, distribuindo numa primeira fase, os meus próprios livros. Hoje temos cerca de 50 adolescentes a ler activamente”, afirma.

Esta actividade traduz também o apego que tem aos livros. Um dos seus autores favoritos é Pepetela e ‘Lueji’ está entre os melhores livros que leu. Ultimamente, também procura livros ligados ao seu sector de actividade.

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