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Brunch With…Wilson de Sousa

27/02/2017 - 08:52, + Mercado, Brunch with

Antes de completar 30 anos, o director de provedoria de clientes do BNI comporta já uma década ao serviço da banca comercial, com passagem por três instituições.

Por Vãnia Andrade | Fotografia Njoi Fontes 

Cresceu rodeado de bons valores, com uma educação ríspida, e sob o olhar atento do pai. Enquanto criança, Wilson Sousa confessa que, dos três irmãos, foi o mais insurrecto, e o que mais trabalho deu aos pais, talvez por ter sido o mais mimado entre eles.

“Tinha muita energia e era abelhudo, queria estar sempre no meio dos adultos”, conta.

O facto de a mãe ter sido professora fez com que Willy, como é carinhosamente conhecido pelos mais próximos, aprendesse em casa as vogais, antes de ter entrado para a escola. Foi na conhecida Nossa Senhora da Luz, antiga escola das madres, que Wilson Sousa fez a primária, pois na altura tinha boas referências e ficava perto de casa.

Frequentava a 6.ª classe quando, devido às greves constantes a que os alunos do ensino público nacional eram submetidos nos anos 1980, os pais, com algum esforço, colocaram os filhos a estudar no Colégio Jacimar, do ensino privado.

Foi no Jacimar que o estudante começou a interagir melhor com os seus pares. “ O colégio oferecia-nos diversas actividades, passei a jogar voleibol e participava nos campeonatos intercolegiais, o que de certa forma abriu portas a nível social”, reconhece.

Foi por conta própria que conseguiu entrar para a universidade, não queria sobrecarregar os pais e de certo modo sentia-se independente, apesar de jovem. “Fui atrás de furos e consegui uma bolsa de estudos interna na Universidade Lusíada de Angola”, revela. Embora sob tutela dos pais, desde cedo passou a administrar a própria vida, em termos de tempo e afazeres, por outro lado, tinha forte interacção com as pessoas, o que o levou a escolher Gestão de Recursos Humanos como curso superior.

Paixão que gerou emprego

O convívio com pessoas mais velhas influenciou nas escolhas que fez ao longo da vida e consequentemente na decisão de se começar a trabalhar cedo, embora considere ter sido uma consequência positiva. Apaixonado por guitarra, Wilson aprendeu a tocar o instrumento sem passar por uma escola de música. Esta paixão deu origem ao primeiro emprego, aos 13 anos, como guitarrista. “Foi num espaço de lazer em Luanda, onde se ouvia música ao vivo, que comecei a tocar duas vezes por semana e recebia 80 USD por dia.” Para poder trabalhar à noite, Wilson dizia aos seus pais que ia estudar com os colegas, mas na verdade ia tocar. As propostas foram crescendo, mas por razões académicas abandonou a actividade. Mal entrou para a universidade, aos 16 anos, recorda sentir cada vez mais vontade de trabalhar e estar ao nível dos amigos que já trabalhavam e se auto-sustentavam. Foi então que Willy conseguiu o segundo emprego, desta vez na Skynet, uma empresa sul-africana, como motorista.

Novamente o horário laboral chocava com o académico e, como não podia perder a bolsa de estudos, teve de dar prioridade à formação. Para além de não querer sobrecarregar os pais, um dos motivos que o fizeram voltar a trabalhar foi o desejo que tinha em colaborar com as despesas de casa.

Muito ansioso e atento às oportunidades, o estudante do ano zero de Recursos Humanos, incansavelmente, sempre que podia, manifestava a vontade que sentia de entrar para o mercado de trabalho, e foi numa conversa que o entrevistado se apercebeu de uma possível vaga no BESA.

Uma década no sector bancário

Foi há sensivelmente dez anos que Wilson Sousa subitamente se tornou bancário. Soube por um amigo que o Banco Espírito Santo (BESA), actual Banco Económico, estava a recrutar pessoal. Pouco optimista, tentou a sorte e fez a entrega dos documentos solicitados pela instituição.

Pouco tempo depois de os ter entregado, foi convocado e submetido a testes de aptidão. Pouco esperançoso, fez os testes e ficou apto em todos. Recorda que na altura estudava no ano zero na Lusíada de Angola, no período da manhã, o que podia ter sido um empecilho para o início de carreira.
“Negociei com a instituição e por sorte deram-me a oportunidade de estagiar em part-timena área de operações”, explica.

Wilson Sousa era muito jovem, nem tinha qualquer experiência, apenas a vontade de aprender, que fazia dele um bom quadro para investir.
Muito cedo se viu obrigado a abandonar o seu estilo jovial e a adoptar o formal, apropriado para um bancário. No ano seguinte, já bancário, tornou-se efectivo e começou a trabalhar em tempo integral na mesma instituição financeira. “Entrei para a área de operações e comecei por fazer reconciliação de valores, transferências do mercado nacional, compensação de valores.”

Passados quatro anos a trabalhar para o BESA, o Banco Millennium desafiou-o a ser coordenador de equipa da área de investigações e, sem hesitar, aceitou. “Foi uma mais-valia para mim porque finalmente consegui arrumar espaço para me dedicar aos estudos depois de ter perdido a bolsa de estudos.”
Confessa que, no início da carreira profissional no BESA, pouco tempo tinha para se dedicar aos estudos, mas quando entrou para o Millennium empenhou-se, aliou-se aos melhores da turma e correu atrás do tempo perdido.

“Sempre tive certeza de que não queria ser apenas mais um e estar do lado dos não-licenciados, o que fiz foi juntar-me às pessoas certas”, sublinha. Sem nunca ter desistido, o bancário em 2014 conseguiu licenciar-se em Gestão de Recursos Humanos, embora nunca tenha trabalhado na área.
No mesmo ano em que terminou a sua licenciatura, rumou a Lisboa para completar o seu conhecimento académico, inscrevendo-se na conceituada Universidade Católica de Lisboa para fazer uma pós-graduação em Gestão de Empresas, regressando desta forma em 2015 com o objectivo cumprido. Considera-se uma pessoa muito esforçada e batalhadora, atento às oportunidades do mercado.

Voltou a candidatar-se a um novo banco, desta vez ao BNI.

“Ainda a estudar, consegui entrar para o banco como técnico sénior de finanças, na Direcção Financeira afecta à sala de mercados, e fui fazendo carreira na área financeira. Tive de mostrar que era capaz.”

Não foi difícil, porque já vinha com uma larga experiência bancária. “Só não fazia o que não me fosse mostrado”, refere. Foi desafiado a dirigir um novo gabinete, da provedoria do cliente.

Actualmente, é o director desta área e continua a sonhar com mais.

Para terminar, Wilson Sousa recomenda aos jovens do sector bancário que adoptem medidas correctas no decorrer das actividades, para que cada vez mais a relação com os clientes esteja na base da confiança e que possamos, de facto, ter um índice maior da população bancarizada.

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