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Brunch With…Benjamin Gerard

29/01/2018 - 15:43, Brunch with

Por influência da família, envolveu-se na actividade comercial ainda jovem. Licenciado em Engenharia Civil, tornou-se empreendedor ao abrir a própria empresa de consultoria. Nunca quis trabalhar para outrem e considera-se um devorador de livros.

Por Vânia Andrade | Fotografia Njoi Fontes

O envolvimento de Benjamin Gerard, fundador e CEO da Redarq, no mundo do empreendedorismo começou quando era ainda muito jovem, numa altura em que, para garantir o sustento da família, a sua mãe, doméstica, estava ligada a vários negócios de comércio.

Vindo de uma família numerosa, com nove irmãos, naquela altura, mais do que hoje, os filhos eram obrigados a ajudar os pais nos afazeres de casa. No caso de Benjamin, dar o seu contributo nas vendas era a sua obrigação, o que de alguma forma o influenciou a ganhar o espírito empreendedor. Mas, naturalmente, chegou o momento em que se tornou difícil conciliar os estudos com a actividade comercial, pelo que se focou unicamente na formação académica.

Concluído o ensino médio, na escola de tipografia no Instituto Geográfico Cadastral de Angola, em 2003 ingressou na Faculdade de Engenharia da Universidade Agostinho Neto, onde se formou em Engenharia Civil.

Posteriormente, assim que teve oportunidade, o estudante reactivou a actividade comercial, começando por vender materiais tecnológicos, que obtinha quando se deslocava aos Emirados Árabes Unidos, mas propriamente ao Dubai, para onde viajava com alguma frequência.

Curiosamente, nessa altura, o gestor fazia parte da associação de estudantes da Faculdade de Engenharia, respondendo pela área do intercâmbio. Assim, em 2006, com o auxílio da UAN, beneficiou de um estágio profissional na Dar al-Handasah, uma grande empresa no domínio da engenharia a nível mundial. “ Foi uma experiência óptima, porque a Dar al-Handasah, em relação às outras empresas que já estavam neste processo, foi a que deu mais condições, tinha aliás um compromisso de emprego depois do término do estágio”, recorda.

Embora a empresa garantisse oportunidade de emprego, assim que terminou o estágio, um ano depois, Benjamin Gerard optou por abdicar do estágio e criar a própria empresa no mesmo sector.

Em 2007, tornou-se empreendedor ao criar a Redarq, uma empresa que presta consultoria em projectos nas áreas de arquitectura, engenharia, manutenção de edifícios e gestão de condomínios.

Primeiro projecto empresarial

A aventura empresarial, assim a considera, perdura até hoje. Desde então tem desenvolvido novos projectos, apesar de muitos deles não terem sido implementados devido ao difícil acesso ao capital. Durante o processo de transição, de estagiário a empreendedor, Benjamin conta que a maior barreira que enfrentou ao criar o próprio negócio foi a dificuldade de acesso ao capital de investimento. “Como sabemos, só existem duas formas de uma empresa se financiar, ou com capitais próprios, ou através de dívida, usando a banca ou o mercado de capitais, e a banca nacional é muito burocrática na concessão de crédito, mas foi possível”, conta, acrescentando: “Juntei as poupanças que fiz enquanto estagiário e professor da escola de topografia do IGCA e dei arranque ao negócio. Foi difícil na altura, mas acabou por ser um êxito, e cá estamos, onze anos depois.”

A Redarq começou por apostar na área da consultoria de elaboração de projectos de arquitectura, engenharia, gestão de projectos, fiscalização e acompanhamento das obras.

“Este foi o foco inicial, numa altura em que o País estava num processo de reconstrução nacional, a viver um grande boom na construção civil , um verdadeiro estaleiro de obras. Foi um desafio. Tivemos de andar pelo País de carro, porque era importante ir ao encontro dos clientes, que no princípio desta aventura empresarial eram, essencialmente, o Estado. Foi um processo realmente complicado”, admite.

Há cerca de dez anos que o gestor e a sua equipa têm dado uma especial atenção ao sector do agro-negócio, mas a falta de interesse por parte dos investidores foi, de início, notável. “Na altura, ninguém estava disposto a investir neste sector, e nós já tínhamos desenvolvido dois projectos, um na distribuição de pescado no Sul do País e outro na implementação de uma fábrica de batatas pré-fritas no Huambo”, relembra.

Apesar das dificuldades no acesso ao crédito, Benjamin Gerard revela que está a trabalhar nos projectos que estavam pendentes, com a ajuda de parceiros internacionais, principalmente na área do agro-negócio, no sector de serviços e também nas novas tecnologias.

O empresário é da opinião de que liderar é servir, e fundamenta o porquê, dizendo que o homem é um ser social, o que significa que o homem existe para servir a sociedade. “Quero com isso dizer que um líder deve existir para servir os colaboradores, todos os stakeholders e a sociedade em si.”
Diversificar o portefólio de serviços

Considera-se um homem sonhador, muito introvertido, mas, quando eventualmente as pessoas têm a oportunidade de o conhecer, torna-se numa pessoa muito comunicativa, bastante conversadora. Casado há três anos, e pai de dois filhos, com mais um a caminho, tem a leitura como seu maior hobby, embora assuma já não ter a mesma disponibilidade para ler que tinha há alguns anos. “Até aos anos 2000 era capaz de ler um livro de 400 páginas em um ou dois dias, hoje já não estou a esse nível, leio o mesmo número de páginas em três ou quatro dias, e tenho preferência por livros de gestão.”
A Ciência para Ficar Rico, a versão original, lançada em 1910, por Wallace D. Wattles, é um dos seus livros de cabeceira. Do mesmo retirou uma lição muito actual, que é a diversificação.

“Enquanto empreendedores, temos de diversificar o nosso portefólio de serviços e fazer como os mais velhos nas aldeias já faziam em décadas passadas. Não plantavam só batata, porque batata não dá o ano todo. É preciso de facto diversificar”, remata.

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