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Brunch With…Bruna Gabriela Barros

05/05/2017 - 11:02, Brunch with

Aos 25 anos, a mestre em Ciências da Comunicação e docente universitária partilha o marcante percurso académico, entre dificuldades e conquistas, até aos dias de hoje.

Por Vânia Andrade | Fotografia Njoi Fontes

Bruna Barros teve uma infância ligada ao mundo da escrita, muito marcada pela literatura angolana e por contos de fadas.  A consultora de comunicação partilhou com o Mercado como o facto de ser neta da professora e escritora Gabriela Antunes influenciou as escolhas que fez. Foi exactamente numa viagem que fez com a avó que ganhou a mania pela correcção dos textos.

Na altura, tinha 8 anos e foi desafiada a fazer a revisão de algumas provas de Língua Portuguesa que a avó levava consigo para corrigir enquanto viajavam.
“A minha avó deu-me um lápis e pediu-me para corrigir todos os erros de língua portuguesa que encontrasse. Desde aí, ganhei afeição pela escrita, sobretudo pela correcção de textos”, recorda.

Por ser neta da conceituada professora de Língua Portuguesa, Bruna sofreu sempre uma grande pressão e era ‘obrigada’ a ser aluna de quadro de honra. Nunca lá chegou pelas notas de Matemática ou de Física, mas, sim, pelas de Língua Portuguesa, História e Ciências da Natureza.

Aos 13 anos, com a morte da avó, a adolescente foi viver para Portugal com a mãe. Foi uma mudança brusca. Teve de adaptar–se à situação e ao sistema de ensino português, mas, apesar destas dificuldades, Bruna não desistiu de ser bem-sucedida academicamente.

A menina cresceu e tornou-se numa mulher comunicativa e simpática. Prosseguiu os estudos e licenciou-se em Ciências da Comunicação na Universidade Nova de Lisboa, fazendo depois o mestrado no mesmo ramo pela Universidade Católica Portuguesa.

Ao fazer o mestrado, aos 22 anos, Bruna Barros decidiu que o tema final da sua tese teria de estar relacionado com o seu país.
E confessou à mãe o desejo que sentia de regressar à ‘banda’ e aqui arranjar um emprego para se auto-sustentar. A mãe só a levou a sério depois de ver a filha com o bilhete de passagem pago.

Em 2014, depois de ter finalizado o mestrado com 18 valores, sem qualquer experiência de trabalho, veio mesmo para Angola trabalhar, então para a Semba Comunicação. “A Semba Comunicação foi, sem dúvida, uma grande escola para mim, e teve grande influência naquilo que sou hoje como profissional”, diz.
Na Semba Comunicação, a consultora fez parte de projectos como a telenovela Jikulumessu, o regresso do Festival Nacional de Cultura, o lançamento do filme Rainha Ginga no Brasil, fez também alguma gestão de crise, participou na promoção de todos os cantores da ‘banda’, portanto, isso para dizer que fez assessoria de imprensa para projectos que a empresa estava a desenvolver.

Consultoria versus docência

Bruna Barros concilia a consultoria com a docência. Aos 25 anos, é docente no Instituto Superior Politécnico Metropolitano de Angola – IMETRO – na cadeira de Teoria da Comunicação. Considera-se uma professora exigente do ponto de vista de escrita e próxima dos alunos.

Como projectos em carteira, Bruna Barros pretende assessorar entidades numa vertente mais política, algo que pouco se faz cá, em Angola.

Neste momento, assessora uma agência de comunicação, a Marketing One. “Trabalhamos muito a área corporativa e de vez em quando algum entretenimento e o sector secundário, e também protocolo institucional… Tem que ver com entidades governamentais e estatais.”

“Este tipo de assessoria não é o mesmo que aquela assessoria personalizada e directa a algumas entidades”, esclarece.

“Neste momento, o que mais me desafia é assessorar o sector de distribuição moderna, não só pelos desafios inerentes a este sector, devido ao actual contexto em que nós nos encontramos, como também pela exigência do trabalho.”

Relativamente a literatura, a professora confessa que às vezes, de forma inesperada, sente vontade de escrever, e que já escreveu alguns textos, mas, pelo facto de ser muito exigente no que tange a correcções de textos, acha que não chegaria ao nível da avó, por exemplo, mas por ser muito nova tem a facilidade de pensar por mais tempo nesta hipótese.

Comunicação social em Angola

Bruna Barros é de opinião de que, no tempo da sua avó, o nível de exigência era maior. Acha que o mercado da comunicação já esteve melhor a nível da quantidade de meios disponíveis no mercado.

“Temos qualidade e é uma qualidade que encontro muito nos económicos, é uma pena que estejamos a passar por este momento difícil, porque a comunicação social sofreu com este embate económico, há alturas em que não há papel suficiente para imprimir jornais, depois há problemas logísticos com a deslocação de alguns jornalistas para determinados eventos, a determinadas ocasiões.”

“Os consultores por vezes têm de preparar os jornalistas que chegam despreparados, mas, sobretudo, o meu maior desejo é que seja ultrapassada esta fase e que a comunicação social continue a desafiar o público, a dar informação relevante.”

“É preciso haver mais jornalismo de investigação e sobretudo mais diversidade de meios.”

Bruna Barros sonha assessorar a próxima primeira-dama da República, diz que o que a distingue talvez seja a compreensão por tudo aquilo que é humano, considera-se uma pessoa amiga dos seus amigos e afirma dedicar-se muito às pessoas que ama.

Por outra, é uma mulher sonhadora, que muito preza o trabalho bem feito e o cumprimento de prazos. Tem namorado e sonha com a constituição da família.

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