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Brunch With . . .Herson Loth

09/10/2017 - 15:52, Brunch with

Tem a felicidade de conseguir conciliar, no trabalho, a paixão por dois mundos: banca e tecnologias de informação. Angolano com mundo, está no BNI desde o início da carreira, sempre pronto para novos desafios.

Por Líria Jerusa \ Fotografia Njoi Fontes

Aos 36 anos, Herson Loth é mais do que um jovem quadro angolano que soube aproveitar as oportunidades que lhe surgiram pelo caminho.

Formado na África do Sul em Ciências da Computação, pela UNISA, na especialidade de Programação, actualmente exerce o cargo de director de Banca Electrónica do BNI. O casamento entre os dois mundos (banca e tecnologias de informação) nasce de uma relação antiga, que vem desde a infância, pois o jovem director aprendeu com a mãe a gostar do sector bancário, uma vez que esta foi durante 30 anos quadro do Banco Nacional de Angola (BNA) no Departamento de Informática. A influência que o levou a trabalhar nesse sector veio de certa forma por “culpa” da mãe.

“Lembro-me de ouvir a minha mãe falar do sector bancário e do ITcom tanto entusiasmo, que me foi despertando este gosto”, conta. O tempo passou, e o menino cresceu, mas a paixão permaneceu. Quando regressou ao País, aos 27 anos de idade, após ter estado 14 anos fora da sua terra, foi no BNI que Herson Loth deu início ao seu relacionamento com a banca. Uma relação que já conta com nove anos.

“Sempre tive interesse em trabalhar na banca, mesmo quando ainda era estudante. No tempo que vivi fora do País, tentei, mas não consegui, porque davam prioridade aos nacionais.

Quando cá cheguei, tive várias propostas, mas as que mais me interessaram foram as da banca”, afirma.

Um dos principais desafios foi enquadrar-se no novo ambiente, porque esteve muitos anos fora e tinha outra mentalidade, outra cultura, outra forma de estar. “Eu tinha uma experiência de fora que não era profissional, e sim cultural e mental, e tive de me adaptar aos momentos difíceis. São eles que acabam por orientar a nossa vida, por mais difíceis que sejam, amanhã tudo pode ser mais fácil”, conta.

Quando entrou no BNI, em 2008, exerceu a função de técnico de informática. Passado algum tempo, a instituição decidiu associar Herson Loth a matérias ligadas à área comercial.
O percurso dentro do BNI foi bastante “prazeroso”, descreve.

Dentro da instituição, exerceu diferentes funções, desde a área da sua ‘zona de conforto’ (informática) a uma totalmente desconhecida – ligada à vertente comercial, mas que desempenhou com muito afinco.

Herson descreve essa fase como um momento de aprendizagem e de “fortes” experiências, pois as suas aptidões profissionais davam-lhe valências que foram reconhecidas, inclusive pelos clientes.

“Era uma espécie de informático comercial. Os bancos, hoje, tentam diversificar o seu negócio com vendas de produtos e tudo o mais. Quando um comercial vai vender, raramente tem conhecimento técnico daquilo que está a vender, mas, quando eu ia vender, tinha uma vantagem: se o cliente quisesse saber mais sobre a parte técnica, eu podia explicar melhor e com mais detalhes”, lembra.

No ano de 2015, Herson Loth foi desafiado pela Comissão Executiva do BNI para fazer parte de uma nova área que estava a ser desenvolvida na banca electrónica. O desafio era dirigi-a.

“Tem sido bastante desafiador, mas não estamos com os braços arreigados, queremos crescer cada vez mais, e darei sempre o meu melhor para que tudo corra da melhor maneira possível”, garante.

Herson descreve a sua avaliação sobre a banca electrónica, contando que muito já foi corrigido, para que o País entrasse no caminho certo. Acredita ainda que, em termos de banca digital, tudo o que tinha de evoluir tem evoluído, e hoje já existe uma Angola “mais moderna nestes aspectos”. E aponta as novas apostas relacionadas com pagamentos via telemóveis como uma prova. “Estamos a passar pelos meios de pagamento electrónico, e cada vez menos estamos a usar o dinheiro, por questões de segurança”, afirma. Por outro lado, alerta também para a necessidade de mais divulgação, para que todos se adaptem a esta nova realidade.

“A tecnologia e a inovação são sempre para a frente, e a vida também.”

O outro lado de Herson Loth…

Herson pode ser considerado um homem do mundo, pois nasceu em Angola, mas com a idade de 2 anos foi para a antiga Jugoslávia com os pais, e lá ficou oito anos. Aos 10, regressou à terra natal, onde acabou por ficar apenas três anos, porque teve de partir para a África do Sul, onde permaneceu durante 14.

A adaptação à África do Sul não foi fácil no que diz respeito à língua, pois tinha passado parte da sua infância na ex-Jugoslávia e apenas falava servo-croata e a língua eslava. “Estava a aprender a língua portuguesa e, de facto, já tinha aprendido um pouco. Quando os meus pais decidem que tinha de estudar na África do Sul, um país com um idioma diferente, lá estava eu a aprender mais um”, recorda.

Ao falar mais sobre si, revela ser um homem de família e amante da escrita – tem uma grande inclinação para romances e histórias dramáticas, apesar de reconhecer ser “meio preguiçoso” para ler. No que toca a comida, por ter vivido em realidades diferentes, o jovem diz que aprecia todo o tipo.

Quando questionado sobre as pessoas por quem nutre mais admiração, Herson elege os pais. A nível da banca, refere Mário Palhares, presidente do conselho de administração do BNI, pelo percurso que fez no sector, pelo contributo que deu e que dá até hoje. Quanto a ambições, diz que almeja ser “alguém melhor e fazer melhor”. O director finaliza: “Devemos aprender, consolidar o conhecimento, e depois descentralizar entre as equipas, sendo que somos o somatório dos outros.”

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