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Brunch With… Isabel Fernandes

13/11/2017 - 12:09, Brunch with

A empresária sempre teve um ambiente familiar que a estimulou a batalhar muito por aquilo que considerava ser o seu futuro. Destaca que as mulheres devem afirmar-se pela competência.

Por  André Samuel |  Fotografia Njoi Fontes

Poucos momentos são tão agradáveis e confortáveis quanto o momento de um brunch, melhor ainda em companhia de uma pessoa inspiradora como a nossa convidada desta edição, Isabel Fernandes, que aos 35 anos é a actual directora-geral da agência Executive Angola e que desde cedo teve consciência de que, se as mulheres não lutarem por elas mesmas, por um lugar importante na sociedade, e fomentarem esta imagem de que as mulheres precisam de se sentir úteis, a sociedade acaba por ficar mais coxa.

Esta visão é o resultado de um ambiente familiar, como descreve, onde as mulheres sempre exerceram papéis de responsabilidade. Conta que aos 10 meses de idade foi posta num berçário justamente porque a mãe ocupava um papel importante numa instituição onde servia e que não podia ficar em casa como doméstica (“Sem qualquer desrespeito pelas mulheres domésticas”, faz questão de frisar).

Defensora da meritocracia, exalta que as mulheres devem afirmar-se pela competência e, apesar da necessidade de abertura para o mundo externo para que isso aconteça, é imprescindível que percebam que são elas o motor desta mudança. “Nada nos deve ser dado de favor apenas porque existe a percepção, e é uma realidade, de que há ainda uma desigualdade muito grande. Creio que não se quer um mundo comandado por mulheres apenas para termos uma igualdade em termos de percentagens mas sim em termos de capacidade. Sejamos poucas mas boas, mas preferencialmente que sejamos muitas ou bastantes mas muito boas.”

“A percepção que tenho é que neste novo Governo há uma representação feminina competente, volto a frisar, mais do que em quantidade mas em termos de qualidade, que é bastante interessante. Por outro lado, as nossas famílias, os nossos filhos precisam de ver as mães a ocuparem esses lugares por méritos.” Esta é a perspectiva que mantém no contexto social, político e económico, por esta razão encoraja as mulheres a formarem-se, a afirmarem-se, a sentirem-se seguras para que possam ter palco para assumirem papéis de responsabilidade

A influência da Família

Revela que sempre teve um ambiente familiar que a estimulou a batalhar muito por aquilo que considerava ser o seu futuro. Assim, iniciou os estudos em Angola e prosseguiu-os em Portugal, em Relações Internacionais, área na qual sempre sonhou fazer carreira.

Em simultâneo com a faculdade, aceitou um desafio profissional na multinacional Maersk Line, onde trabalhou na área de atendimento ao cliente. Foi já aí que começou a ganhar as bases essenciais do trabalho na área comercial. Foi também a partir desta experiência que descobriu a nova paixão, que mantém até hoje, o relacionamento com os clientes, alicerçado em respeito, tempo e dedicação, no sentido de transformá-lo numa relação de confiança.

Passou também pela área comercial e financeira e teve uma breve passagem pela área de recursos humanos, isto porque a Maersk tinha como política apostar nas valências dos quadros nacionais. Recorda este período como uma época de grande escassez de capital humano qualificado no País, e mesmo para os que possuíam alguma formação as exigências laborais acabavam por trazer ao descoberto melhores aptidões em áreas diferentes da sua área de formação.

Um ano mais tarde (em 2004), foi convidada a ingressar na Executive. A sua ligação ao marketing e à publicidade vinham já desde a sua infância, quando acompanhou o trabalho do pai a erguer e a estabelecer um negócio naquelas áreas, de forma muito determinada e com uma visão muito arrojada para a altura, quando o país (em 1992) vivia uma situação política e militar muito difícil.

Era uma área nova, um terreno totalmente desconhecido. Viu a Executive ganhar forma, os primeiros funcionários, a primeira casa e os primeiros clientes. Entrou para a Executive Angola como junior account com o intuito de aprender o que era a Executive e o que era o marketing e a comunicação em Angola. Encontrou uma equipa muito jovem, dinâmica e com uma visão muito à frente daquilo que era suposto na altura, por essa razão teve a oportunidade de crescer, de consolidar os seus princípios pessoais e éticos junto daquilo que são os clientes.

Ao longo destes 14 anos na empresa, passou a senior account, progrediu para coordenadora de serviço a clientes e, anos mais tarde, ocupou o cargo de directora de serviço a clientes. Há três anos ascendeu a directora-geral da agência, cargo que ocupa actualmente.

Desafios

Muitos foram e ainda são os desafios da nova responsabilidade, mas afirma que a questão do género na empresa nunca foi uma questão desafiante, uma vez que a empresa sempre teve nas áreas de decisões, em termos de percentagens, uma fatia maior de mulheres. “Estou numa empresa com uma mentalidade muito aberta, muito jovem, muito arrojada neste sentido e, apesar de os seus fundadores terem sido homens, sempre olharam para o género feminino como uma esperança para o futuro.” Tem complementado o seu percurso académico com formações de gestão regulares, quer em Angola, quer no estrangeiro, sempre com o objectivo de encontrar mais e melhores práticas para responder aos desafios diários que uma agência com a dimensão da Executive e dos seus clientes procura e almeja alcançar. “Nos últimos dois anos, operámos algumas mudanças profundas na nossa agência.

Introduzimos novas valências, como as áreas de digital e new media ou de arquitectura e design, e reforçámos competências e know-how através das parcerias que estabelecemos com outros grupos internacionais, que nos permitem responder a solicitações em várias partes do mundo.”

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