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Brunch With…Leopoldino Sobral

11/08/2017 - 12:09, + Mercado, Brunch with

Dirige actualmente a Divisão de Mobilidade da Siemens Angola, mas teve um percurso marcado por dificuldades em Portugal antes de regressar ao País, de onde saiu aos 16 anos. A persistência foi a sua aliada.

Por Vânia Andrade | Fotografia Njoi Fontes

Foi para Portugal aos 16 anos, por iniciativa da mãe, temendo ser chamado, aos 18, para o serviço militar, em plena guerra civil, e foi naquele país que acabou por integrar a empresa onde viria a trabalhar, anos mais tarde, em Angola, a Siemens.

Leopoldino Sobral nasceu em 24 de Março de 1974, e a sua infância foi passada entre a cidade de Calulo, Cuanza Sul, e Luanda, dividido entre o campo e as brincadeiras com carros de lata que ele próprio fazia, a par dos campeonatos de futebol de carica.

Fez o ensino primário na Escola Óscar Ribas e o secundário na Juventude em Luta, e o sonho de ser engenheiro civil levou-o a inscrever-se no Instituto Médio Industrial de Luanda (Makarenko), um percurso que foi interrompido pela ida para Portugal, onde foi acolhido por uma tia.

As dificuldades financeiras da família, contudo, acabaram por levá-lo a procurar abrigo junto de amigos, numa altura em que arranjou o seu primeiro emprego como ajudante de electricista.

“Saí de Angola por causa da guerra civil e emigrei para Portugal, onde me deparei com dificuldades em sobreviver”, recorda.

Com o dinheiro ganho no primeiro emprego, acabou por conseguir mudar-se para uma casa melhor, onde viveu com amigos, na Charneca do Lumiar, numa zona não urbana por detrás do aeroporto internacional da Portela.

Estudos em espera…

Durante anos priorizou o trabalho, deixando os estudos de lado, mas, quando conseguiu um emprego melhor, voltou aos bancos da escola. Ingressou na Duarte e Luz, uma empresa que prestava serviços à Serbe, uma companhia suíça de engenharia de segurança. Ao fim de dois ou três anos a trabalhar na Duarte e Luz, acabou por ser convidado a ingressar nos quadros da empresa suíça, que viria a ser adquirida pela Siemens.

Esta aquisição viria a provocar a entrada de Leopoldino Sobral na multinacional onde ainda hoje está, mas em Angola. Entretanto, já na Serbe, acabou por voltar a estudar, retomando o secundário, que concluiu.

Prosseguir os estudos não estava nos seus planos, mas um professor de matemática e um chefe na Siemens – que já detinha a Serbe – incentivaram-no a inscrever-se no Instituto Superior de Engenharia de Lisboa (ISEL), no curso de Engenharia Electrotécnica. O acesso a esta escola, lembra, foi “difícil”, assim como as primeiras aulas a que assistiu.

“Foi um choque muito grande. Nas primeiras aulas, saía da sala sem entender o que o professor dizia, achava que aquele não era o meu mundo”, afirma Leopoldino Sobral, que na altura já era casado e tinha um filho, o que aumentava as suas responsabilidades, tornando tudo “mais complicado”.
Na Siemens Portugal, integrou o departamento de segurança, o que elevou o seu “patamar profissional, chegando a exercer a função de gestor de projecto em 2006”.

Entretanto, o seu chefe directo reformou-se, e Leopoldino Sobral acabou por substituí-lo, assumindo a responsabilidade de fazer a gestão de vários projectos, incluindo um do Millennium bcp, que é, ainda hoje, um grande cliente da Siemens Portugal, empresa onde viria também a ser responsável pelo Campus de Justiça, onde estão tribunais e outros organismos de Portugal.

… e o regresso ao País

Depois de 22 anos naquele país, acabou por decidir que tinha chegado o momento de contribuir para o futuro de Angola, para onde regressou em Outubro de 2012, com a família.

Por coincidência, pouco depois de chegar, recebeu um convite para integrar a Siemens Angola. “A proposta de vir para a Siemens Angola encaixou como uma luva. Era exactamente o que eu desejava”, lembra o engenheiro, que diz não ter tido dificuldades em readaptar-se ao seu país. “Quando me desloco de um lado para o outro, tenho o hábito de não fazer comparações, para evitar encontrar dificuldades”, afirma.

Em Angola, trabalhou durante dez meses na região leste, já na área da mobilidade, que hoje lidera. Nesta área, o primeiro projecto de que fez parte foi a montagem do sistema de transporte dos aeroportos do Leste e Norte, nomeadamente, os aeroportos do Luena, Saurimo, Dundo e Soyo.
Actualmente, Leopoldino Sobral é o director de mobilidade da Siemens Angola e considera-se um profissional exigente e rigoroso com o seu trabalho.

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