Mercado

Brunch With…Adjany Costa

16/10/2017 - 09:40, Brunch with, featured

Aos 28 anos, é bióloga marinha, conservacionista, ictiologista e directora assistente do projecto Vida Selvagem de Okavango. Natural do Huambo, a 14.ª exploradora emergente da National Geographic conta-nos o seu percurso.

Por Líria Jerusa| Fotografia Njoi Fontes

A natureza é uma paixão antiga de Adjany Costa, que se interessou ainda criança por ganhar conhecimentos sobre o meio ambiente. “Quando era pequena, já gostava de assistir a documentários sobre animais e a vida na natureza, coisas que não eram normais para uma menina da minha idade”, lembra a bióloga marinha. Ainda assim, quando chegou a hora de entrar para a universidade, foi sobretudo por influência do pai que entrou em Biologia, opção de que hoje está longe de se arrepender. “Não quis fazer Biologia, mas também não sabia bem o que queria”, recorda a jovem, natural do Huambo. “Era adolescente ainda, tinha apenas 16 anos quando entrei para universidade”, conta. No 2.º ano da universidade, a Biologia, com a qual não tinha uma relação inicialmente, revelou-se mais do que um curso, tornou-se numa “companheira” por quem Adjany Costa se apaixonou. “Só a parte teórica já me deixava completamente cativada”, afirma. “Via muito potencial no curso que tinha e, desde então, nunca me imaginei a fazer outra coisa”, conta. Aos 21 anos, Adjany Costa licenciou-se em Biologia Marinha, pela Faculdade de Ciências da Universidade Agostinho Neto, sendo convidada para trabalhar na empresa de consultoria ambiental Holísticos, onde permaneceu dois anos. Depois, lançou-se num novo desafio: trabalhar como freelancer em consultoria ambiental. Durante dois anos realizou trabalhos nesta área, até que decidiu fazer um mestrado em Biodiversidade e Conservação, na Universidade de Gent, na Bélgica – que acabou por ditar uma grande viragem na sua vida.
O desafio que ditou a viragem
De regresso a Angola, foi convidada para um novo desafio, que passava por integrar o projecto Vida Selvagem no Okavango, uma experiência que descreve como “extremamente gratificante”. “Entrei em 2015. Na altura, o projecto ainda não estava associado à National Geographic. Era uma expedição de 80 dias, e aceitei o convite com muito entusiasmo. Fui, durante quatro meses, a única mulher num projecto liderado por 25 homens”, lembra. Graças ao seu desempenho e ao papel activo que desenvolveu no projecto, já em Maio de 2017 foi convidada para fazer parte de um grupo de 14 exploradores emergentes da National Geographic, que, na altura, já tinha apadrinhado o projecto do Okavango. “A National Geographic viu em mim potencial para fazer parte dos seus quadros”, afirma.

Actualmente, como exploradora da reputada marca internacional, a bióloga angolana tem o papel de representar o País no mundo, demonstrando o seu potencial e valor em termos de conservação da natureza e biodiversidade. Tem ainda como missão inspirar e potenciar a mudança nesta área. “Para mim, foi espectacular ter a possibilidade de inspirar outras pessoas a fazerem o mesmo”, garante a bióloga marinha, que não esconde a sua motivação. Questionada sobre a fraca tradição de Angola em projectos de conservação da natureza, Adjany Costa diz que o problema ainda é a “relação profunda” que os angolanos têm com os bens materiais. É que, neste tipo de projectos, lembra, o mais importante é, sobretudo, a “paixão”.
Recrutamento de voluntários é complicado
A National Geographic vem, desde 2014, procurando jovens interessados em colaborar, mas, como se trata de trabalho não remunerado, tem havido muitas dificuldades no recrutamento. “É muito difícil convencer os jovens angolanos, principalmente ligados à biologia e conservação, a juntarem-se à National Geographic. É uma instituição sem fins lucrativos, e todos entrámos como voluntários”, afirma, acrescentando que outra dificuldade reside em encontrar pessoas que se enquadrem na carreira de investigação científica. Como directora assistente do projecto de conservação e preservação da bacia do Okavango, a jovem bióloga tem como função estabelecer parcerias e ligações com entidades e instituições que possam contribuir para o trabalho desenvolvido.

“Estamos a tentar fazer parcerias com o Ministério da Agricultura, no domínio das florestas, mas também queremos trabalhar com o Ministério do Turismo e outras instituições que tenham algum papel ou objectivo comum ao nosso projecto”, revela. O facto de a National Geographic ser uma marca conhecida poderá facilitar o processo, até porque pode contribuir para que as entidades associadas ao projecto do Okavango ganhem prestígio internacionalmente. “Se metemos um projecto como o do Okavango numa revista como a National Geographic, certamente o mundo o conhecerá, e aí as pessoas vão ter uma ideia daquilo que é o nosso projecto e o País. Para nós, que estamos a estabelecer agora a indústria do turismo, este passo é muito importante”, defende. No decurso das expedições, recorda, também não faltam aventuras e experiências marcantes. “Fui atacada quatro vezes por hipopótamos e duas vezes por elefantes, mas sobrevivi a todos”, recorda, entre risos.
Do Huambo para Luanda
Adjany Costa nasceu na província do Huambo, mas foi em Luanda que foi registada e viveu quase toda a infância. Não esconde o gosto pela gastronomia e diz que não abre mão de uma boa sobremesa. “Sempre que vou para uma expedição, levo algum tipo de doce, nunca vou sem a minha ‘pastinha’ de doces, não sou daquelas pessoas que conseguem fazer dieta. Porque ter um menu fixo não funciona comigo”, conta Adjany Costa. Também aprecia a escrita, e acaba por investir boa parte do tempo que dedica a esta actividade a tratar dos seus registos das expedições. grande paixão é passear todas as manhãs na praia acompanhada pelos seus cães. “Respirar aquele ar e ouvir as ondas do mar é o meu momento zen”, conclui.

 

Gosta deste artigo? Partilhe!

Deixe o seu comentário

You must be logged in to post a comment.