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Brunch With…Aryângela Costa

06/12/2017 - 08:55, Brunch with, featured

Formada em Psicologia Industrial e Línguas, pela Universidade da Namíbia, a conselheira de aprendizagem da BP, em conversa com o Mercado, revela ter grande admiração por mulheres que lideram e que sabem estar no pódio.

Por Vânia Andrade | Fotografia Njoi Fontes

vania.andrade@mediarumo.co.ao

Aprender com os bom exemplos de outros é uma das máximas de Aryângela Costa, tempo, na convivência com mulheres em posição de líderes, foi colhendo ensinamentos e valências que lhe serão úteis para realizar o sonho de vir a ser, ela própria, uma grande líder, comunicadora e oradora. Filha de pai militar, dotado de um temperamento calmo mas extremamente rigoroso, e de mãe professora, a psicóloga de 37 anos, mãe de uma menina de 9, carrega consigo até hoje a rígida educação que recebeu dos progenitores.

O mais difícil, lembra, era estar alinhada com o rigor exigido pelo pai nas tarefas e no cumprimento de horários. “Eu e os meus irmãos dizíamos que fazíamos parte de um quartel. Não podíamos falhar.Se houvesse faltas de cumprimento, éramos sancionados.” Apesar de ter crescido num ambiente de extremo rigor e disciplina, a psicóloga reconhece hoje que a educação que recebeu teve um impacto positivo na sua vida. “Desta fase da minha vida, obtive lições positivas. Aprendi que temos de aprender a cumprir, a ter rigor e, acima de tudo, a respeitar o próximo”, afirma.

Na verdade, admite ter herdado o rigor dos pais e ter-se tornado igualmente exigente como mãe. Questionada sobre como a filha tem lidado com a disciplina que lhe é imposta, responde, com convicção: “Há instruções que recebemos enquanto pequenos que perduram por toda a vida. Assim tem sido com a minha filha.”

De Angola para a Namíbia: novos planos

Foi na Escola José Martim, em Luanda, que Aryângela Costa deu os primeiros passos académicos. No ensino de base, passou por várias escolas públicas da capital, e terminou o médio no Puniv. O objectivo era, então, formar-se em Medicina ou em Direito, mas o facto de ter prosseguido os estudos na Namíbia onde já tinha um irmão na faculdade obrigou-a a fazer outra opção. Naquele país e na África do Sul , recorda, os estudantes estrangeiros não tinham a possibilidade de se tornarem médicos ou advogados. Por isso, acabou por escolher o curso de Psicologia.

Industrial e Línguas. O facto de ter vivido longe dos pais durante sete anos, afirma hoje, enriqueceu-a, conta, e teve muita influência na formação da mulher que é hoje. “Sinto-me uma mulher desenvolvida e crescida, por ter passado este momento longe da ‘asa’ dos meus pais”, reconhece a psicóloga. Entretanto, enquanto estudava, sentiu necessidade de fazer algo adicional, para se manter ocupada e ganhar o seu próprio dinheiro. Foi quando lhe ocorreu dar aulas de língua portuguesa. “Comprei uma gramática e comecei por dar aulas em casa, a um casal amigo”, conta. Durante cerca de quatro anos foi ‘professora’ de português, até que acabou por receber um convite para integrar o núcleo de tradutores da ONU. Numa das suas vindas de férias a Luanda, já a frequentar o penúltimo ano da licenciatura, Aryângela Costa teve a oportunidade de estagiar, empart-time, no Centro Psicotécnico da Força Aérea, como psicóloga. “Era uma das psicólogas que elaboravam os testes psicotécnicos e entrevistas para grandes empresas nacionais. Fiz este trabalho durante quase dois anos”, recorda.

Em  2005,  quando  regressou  definitivamente  a  Luanda,  deu continuidade aos serviços de tradução por cerca de um ano, conciliando com a actividade na Força Aérea. Ao fim de algum tempo, surgiu um convite para trabalhar como técnica superior de recursos humanos na Endtrading, subsidiária da Endiama, mas não abandonou a Forças Aérea. Passados três anos na Endtrading, integrou os quadros da Chevron, como analista de remuneração total, e quatro anos depois entrou para a British Petroleum (BP), como conselheira de aprendizagem, onde tem como função fundamental aconselhar e direccionar as pessoas a fazerem os melhores cursos para aprimorarem os seus conhecimentos. Um ofício, diz, que acrescenta valor e enriquecimento aos profissionais.

A importância de saber para onde ir

Na sua vida e no seu percurso profissional, gosta de recorrer a uma citação: “Para quem não sabe para onde ir, qualquer lugar serve. Esta frase, explica, leva-a a “reflectir que todos devemos ter uma orientação, um caminho e uma direcção, a nível profissional e pessoal”. Por outras palavras: “Todo o profissional deve saber que tem de dar alguns passos para a frente e, às vezes, para trás, para não cair em caminhos errados.” Considera-se uma pessoa de trato fácil e acha que a opção por ser psicóloga teve muito que ver com a sua personalidade. “Sou muito observadora, gosto de ouvir e de estar com pessoas, mas não dispenso o silêncio”, afirma Aryângela Costa, que, apesar de já ter as suas suas amizades firmadas, aprecia fazer networking, considerando-se uma boa team player.

Actualmente, a psicóloga integra o 11.º Programa de Direcção de Empresas (PDE) da Angola School of Management(ASM), uma formação que, garante, a tem ajudado a aprimorar o que faz todos os dias. “Para além de estar numa sala de aulas com pessoas competentes e sabedoras da sua matéria, com muito know-how, para mim tem sido uma excelente experiência. Como psicóloga, aconselho todos os gestores e empreendedores a fazerem esta excelente formação”, destaca. Divertida, a nossa convidada revela que um dos seus passatempos favoritos é comer. A arte da culinária, afirma, é “muito bonita de se ver quando é bem feita”, mas Aryângela assume ter preferência pela parte fina, ou seja, a degustação. Gosta de viajar, de conhecer novas culturas e de testar sabores de várias partes do mundo. Entre os vários locais que teve a oportunidade de conhecer, a cidade de Rabat, em Marrocos, foi uma das que mais a marcaram.

A psicóloga confessa que o seu maior desejo para daqui a dez anos é poder continuar a dar o seu contributo ao País. “Embora sinta que já o tenho feito, num fórum privado, acredito que, nesta altura, terei reunido todas as condições e know-how, e muito mais pretendo fazer para deixar a minha marca”, conclui.

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