Mercado

Daniel Coelho

08/09/2017 - 11:11, Brunch with

Começou por ser professor de Língua Portuguesa e de Matemática, mas acabou por fazer carreira na banca, onde foi trabalhando em várias áreas até chegar à direcção comercial do Banco Keve. Mas há mais projectos no horizonte.

Por: Líria Jerusa Fotos Njoi Fontes

O caminho no sector financeiro começou em 1997, quando foi admitido no Banco de Fomento Angola (BFA) como assistente de balcão. Na altura, Daniel Coelho era professor de Língua Portuguesa e Matemática na Escola Alda Lara. Abraçou o novo desafio “com muito entusiasmo”, porque gosta de “ser desafiado”, e foi assim que recebeu o seu ‘bilhete de passagem’ para uma carreira na banca que já dura há 20 anos.

De então para cá, passou por várias áreas no sector bancário, até chegar aonde está hoje, porque nada acontece “do dia para a noite”, afirma Daniel Coelho. “Trabalhei em diferentes ramos. Fui assistente de balcão, passei pela direcção de operações com estrangeiros, operações nacionais, fui chefe de secção da compensação, depois passei a ser chefe da área de cartões…”, recorda.

Foi na área de operações com o exterior que mais aprendeu sobre bancos, nomeadamente a forma como funcionam e a sua finalidade, a par da importância das relações entre o mercado externo e o mercado bancário. Hoje, não esconde o orgulho por ter feito parte de uma geração que contribuiu para o crescimento e desenvolvimento da banca mesmo enquanto o País estava mergulhado na guerra.

“O BFA lá estava e mostrou-se um banco ‘pioneiro’ na dinamização da actividade comercial dos bancos”, afirma o actual director comercial do Keve. “Eu pude acompanhar tudo isto de perto, porque fazia parte do quadro daquela instituição”, acrescenta, destacando que, como chefe da secção de cartões, viria a liderar o projecto de lançamento dos cartões Visa no País.

Apesar de toda a experiência que ganhou por via do percurso que fez por áreas distintas, sentia que ainda não tinha chegado aonde queria. Mas tudo começou a mudar em 2006, quando concorreu, com sucesso, a uma vaga interna para a gerência de um balcão.

Mas aquilo que parecia ter tudo para ser uma grande satisfação acabou por “saber a pouco”, porque durou pouco tempo. Chegou outro desafio mais forte, que o levou a mudar de rumo.

Nesta altura, foi convidado pela comissão executiva para liderar um processo de formação interno, o que o levou a vestir, de novo, as vestes de educador. “Tive de produzir manuais de orientação, fui a pessoa a que recorreram para dinamizar a produção de manuais internos da gestão de balcão”, recorda Daniel Coelho.

“Depois disto, fui promovido a subdirector da Direcção de Formação e Organização. Estive três anos a trabalhar neste processo no BFA”, conta.

Animado, lembra que tiveram de colocar a rede comercial toda em formação, nomeadamente, formação de transacção de produtos e de crédito. “Foi um projecto muito interessante que me deu muita satisfação.” Passados três anos de “trabalho árduo”, foi promovido a director da área comercial, ficando com cerca de 10 balcões sob sua supervisão directa. “Sempre trabalhei com as seguintes características em mente: dinâmica, eficiência, compromisso”, refere.

Verificar se as pessoas estavam a pôr em prática o que lhes havia sido ministrado em sala foi um dos grandes desafios que se seguiram, pelo esforço associado a esta tarefa, que o obrigava a visitar balcões e a acompanhar os gerentes nas visitas aos clientes, verificando se os responsáveis do banco estavam a cumprir com os compromissos da instituição.

No BFA, acabou por passar a director comercial, até que, em 2015, o Banco Keve o desafiou para ocupar a mesma função. “Achei muito interessante e diferente, pois o BFA já era um banco grande, e o Keve a crescer”, afirma. “Fazer parte de um projecto de matriz nacional foi – e é, até hoje – muito satisfatório”, adianta,

Hoje, lidar com equipas comerciais “que trabalham no sentido de trazer mais-valias ao mercado e são cada vez mais comprometidas com os clientes é bastante prazeroso”, garante. “Estou satisfeito neste aspecto”, acrescenta.

“Acredito que temos feito um bom trabalho, e faço um balanço bastante positivo”, defende Daniel Coelho, sublinhando que o desafio tem sido maior pelo facto de o País estar “a viver tempos muito críticos no campo macroeconómico, com a baixa do preço do petróleo”. Mas, afirma, é “nestes momentos de crise que temos de actuar com agilidade e não nos afastarmos dos clientes”. Nestes tempos “temos de agir com clareza e lisura nos processos, estar próximos dos clientes para conhecermos as suas dificuldades, e penso que, neste aspecto, o Keve tem feito bem o seu papel”.

O percurso académico de Daniel Coelho fez-se entre Lisboa, onde se licenciou em Gestão de Empresas, e Luanda, onde fez um master em Gestão Bancária na Universidade Católica de Angola. Actualmente, está a fazer a segunda licenciatura, em Direito, na Universidade Lusíada de Angola, onde frequenta o 4.º ano.

“O Direito é outro ramo que me fascina. Acho que, no futuro, vou desenvolver actividade de consultor”, antecipa o responsável, que acredita num projecto onde possa juntar toda a sua experiência de gestão e actividade bancária.

Apesar de já possuir uma experiência de pelo menos 20 anos no sector bancário, Daniel Coelho ambiciona crescer dentro desta área, onde admite que “ainda há muito para se fazer”.

Quanto a gestores que admira na banca em Angola, destaca o PCA do Banco BIC, Fernando Teles, e Arlindo Rangel, presidente da comissão executiva do Keve, tendo cada um deles “características peculiares”.

Do ponto de vista mais pessoal, Daniel Coelho assume-me como um homem “vaidoso”. É amante de leitura, destacando como seus escritores de eleição John Maxwell e Ken Blanchard. A crença em Deus é outra das marcas que mais destaca em si mesmo

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