Mercado

Dee Dee Bridgewater, a embaixadora da tradição

19/01/2017 - 16:02, + Mercado

Uma verdadeira artista, com um palmarés invejável, recheado de oportunidades para trabalhar em todo o mundo e com os gigantes do jazz. É também a embaixadora de solidariedade da FAO.

Por Lilocas Piedade

Denise Eileen Garrett, mais conhecida como Dee Dee Bridgewater, nasceu em Memphis, em 27 de Maio de 1950, e cresceu em Flint, Michigan. Dee Dee Bridgewater conquistou os públicos de todo o mundo em The Wiz com a emblemática canção If You Believe.

Ainda antes de dar os primeiros passos,na infância, já vivia rodeada de música. A mãe incentivava-a a cantar os álbuns de Ella Fitzgerald, que serviu de inspiração a Dee Dee Bridgewater ao longo da sua carreira.

O pai, Matthew Garrett, tocava trompete, era professor na Manassas High School, e foi através dele que Dee Dee Bridgwater conheceu o jazz.
Com 16 anos era já membro de um trio de rocke rhythm and blues, apresentava-se em bares do Michigan. Aos 18 entrou para a Michigan State University antes de partir para a University of Illinois at Urbana Champaign. O director da jazz banda universidade impressiona-se com ela e convida-a para uma tournée. Fazem showsna União Soviética, em 1969. Em 1970, é contratada por Horace Silver, o que a leva a mudar-se para Nova Iorque. No ano seguinte entra para a orquestra de Thad Jones-Mel Lewis, onde fica quatro anos.

Nessa mesma época é solicitada por gigantes do jazzcomo Dizzy Gillespie, Dexter Gordon, Pharoah Sanders, Sonny Rollins e Max Roach, entre outros. Este foi o início de um rol de oportunidades.

Trabalhou em Tóquio, Los Angeles, Paris e Londres, onde foi nomeada para o Laurence Olivier Award, para Melhor Actriz pelo seu retrato intenso da lenda do jazzBillie Holiday em Lady Day, de Stephen Stahl.

A sua reputação continuou a crescer com outros papéis principais de actriz/cantora em Sophisticated Ladies, Cosmopolitan Greetings, Black Ballad, Carmen Jazz e o musical Cabaret, sendo a primeira actriz negra a representar Sally Bowles. Quatro anos mais tarde, gravou o disco Just Family, produzido por Stanley Clarke, ao lado de Chick Corea e George Duke (piano), Ray Gomez (guitarra), Eddie Gomez e Alphonso Johnson (baixo acústico e eléctrico) e Airto Moreira na percussão. Dee Dee Bridgewater aproveitou a oportunidade para representar e cantar na Broadway, em 1974, onde a sua voz, beleza e presença em palco lhe trouxeram grande sucesso e um Tony Award em 1975.

Em 1984 participa noutro musical. Três anos depois é indicada ao Grammy pelo álbum Live in Paris, e a faixa de seu disco Victims of Loveque conta com a participação de Ray Charles atingiu as primeiras posições dos rankings musicais nos EUA. Sucesso reforçado no álbum seguinte, gravado ao vivo na Suíça. Os três álbuns seguintes sedimentaram o seu sucesso. O disco de 1993, Keeping Traditions (mantendo as tradições), como diz o título, é constituído basicamente de temas tradicionais do jazz.

Embora abordados com muita modernidade e imaginação. Dois anos mais tarde, realiza o sonho de gravar um disco a cantar somente composições da primeira-dama do jazz, Ella Fitzgerald. Acompanhada por orquestra, como no começo da carreira de Ella ao lado de Chick Webb, Duke Ellington e Basie; ou apenas pela guitarra de Kenny Burrell, como fazia Ella nos anos 70, ao lado de Joe Pass.

Com a sua inteligência habitual, Dee Dee conseguiu escapar aos perigos da imitação, fazendo uma reinterpretação das músicas cantadas por Ella, ao mesmo tempo que deixa transparecer a influência da diva no seu trabalho. Nomeada embaixadora da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO) em Outubro de 1999, Dee Dee juntou-se à batalha contra a fome no mundo.

Apelou à solidariedade internacional para financiar projectos globais, e os embaixadores da FAO ajudam a consciencializar os cidadãos para a conservação e gestão de uma agricultura sustentável, desenvolvimento rural e conservação e gestão dos recursos naturais.

Gosta deste artigo? Partilhe!

Deixe o seu comentário

You must be logged in to post a comment.