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Dina Simão: “Não fabricamos roupas, construímos sonhos”

31/10/2016 - 10:45, + Mercado

Com quantas linhas se cose um vestido e… em quantas linhas se define Dina Simão?

Por André Samuel | Fotografia Njoi Fontes

Nas vestes de chairwoman da Art & Fashion e mentora de uma nova classe de estilistas, Dina Simão, promete mudar o paradigma do mercado da moda nacional e elevar o nome do País a um novo patamar no cenário global, que versa na sua visão os desafios do mercado da moda.

Para si, um estilista é muito mais do que se percebe pelo senso comum, um estilista é um psicólogo, tem de saber ler e interpretar um corpo, tem de ser um consultor de moda.

“Pois quem nos bate à porta vai ter intimidade connosco”, explica e justifica, “para uma peça de roupa cair bem, temos de estar dentro da cabeça da pessoa e desvendar as suas frustrações. Há pessoas que não gostam de determinados estilos de roupa porque acreditam que não lhes ficam bem. Temos de trabalhar com a consciência da pessoa”.

Aposta na formação destas habilidades para a equipa que lidera por crer que a mudança só se faz com mentes iluminadas e com sabedoria. Quanto mais rápido se tiver conhecimento da matéria, a reestruturação a nível da indústria acontecerá rapidamente.

“Nós, africanos, somos criativos por natureza, as nossas dificuldades fazem-nos ser pessoas criativas. E os jovens estão com uma criatividade fantástica, e de facto precisam de oportunidades.”
Mas reconhece que há carência em termos de indústrias do sector, embora haja algumas a dar os primeiros passos, mas apela ao desenvolvimento da matéria-prima, pois de nada interessa a criatividade sem meios de materializá-la. “Estamos a perder coisas que podem fazer a nossa economia muito mais forte.”

Prémios são caminhada de sacrifício

Cada um dos prémios que recebeu representa uma caminhada dura, longa e de sacrifício, mas igualmente prazerosa. “Estar num país que não era meu e impor a minha cultura, fazer com que eu, sendo negra e africana, impusesse respeito aos demais, não foi uma tarefa fácil”, refere.

Reconhece não ter feito sozinha, mas, sim, com pessoas que tinham a mesma filosofia. Fortes e unidas em associações, grupos culturais de moda, de dança, para que a mensagem passasse da melhor forma possível.

As distinções

Galardão em 1990, em Setúbal, seguido pelo primeiro troféu como estilista. Obteve igualmente o prémio de prestígio no Cinema São Jorge, em Lisboa, sendo a única angolana entre diversas entidades portuguesas.

“Ainda tenho outro ganho no Porto, onde premiavam entidades africanas desde bailarinos, estilistas, apresentadores. Foi algo que me fez pensar que, enquanto fazedora de moda, tenho uma responsabilidade como formadora de opinião. E se estou a ganhar estes prémios é porque de facto eu tenho qualidade.” Fecha a gama de galardões fora de portas com o Prémio Africa Fashion para melhor estilista de moda, em 2007, num concurso da lusofonia. Premiada no evento Moda Luanda em 2009, exactamente o ano em que chega ao País. Venceu depois o prémio Estilista da Velha Guarda por votação do público. Premiada como a melhor apresentadora no triénio 2014/2016 no evento Moda Luanda e na Gala Palanca Negra, realizado pela comunidade universitária da UTANGA.

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