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Encontro inédito de quatro saxofonistas angolanos

21/02/2018 - 09:32, + Mercado

O reencontro de duas gerações dos maiores mestres do sopro nacional combinou harmonia e diálogo perfeitos e elevou à excelência um concerto de duas horas nunca visto no cancioneiro nacional.

Nanuto, Sanguito, Luís Massy e Franco deram um show inesquecível, no último sábado, no Palácio de Ferro. Os quatro foram bem acompanhados pela guitarra de Teddy N’singi, pelo baixo de Mias Galheta e por Dalú Rogé e na percussão.

Os  mestres  do  sopro “mwangolê” executaram os seus próprios sucessos e os de artistas como Toni do Fumo, Zé do Pau e Lurdes Van-Dúnem, entre outros, êxitos conhecidos do cancioneiro angolano. Este concerto nasceu da vontade do curador do projecto, Nanuto, de juntar aquilo a que chamou de “a força dos instrumentos de sopro da música angolana” e que foi abraçado pela Fundação Sindika Dokolo.

Para conseguir o formato desejado, convidou as três “feras do sopro”, num reencontro de duas gerações, que combinaram harmonia e diálogo perfeitos. Juntos, elevaram a grandeza de um show nunca visto. O jornalista e editor do jornal Mujimbo Analtino Santos escreve numa nota a respeito de Nanuto e Sanguito como sendo reconhecidos pelos seus pares – Luís Massy e Franco – “os resistentes e persistentes”, uma vez que ainda estão no activo e com várias produções discográficas, ao contrário destes.

O projecto que se intitula doravante Quatro Mwangolês Sax é constituído por estes senhores, que tiveram passagem pela nostálgica Casa dos Rapazes e pela Casa Pia. Nanuto começou a aprender a tocar na Casa dos Rapazes de Luanda. O seu primeiro instrumento de aprendizagem foi a bateria. Aos 9 anos, afeiçoou-se pelo clarinete, antes mesmo de se apegar ao saxofone. A estreia pública aconteceu quando integrou o agrupamento Aliança FAPLA-Povo. Frequentou cursos superiores na Academia de Música de Luanda, onde estudou até ao 5.º ano, seguiu para a escola de jazzdo Hot Club, em Portugal, passando pela escola de música clássica da Fundação Gulbenkian. Estudou no Conservatório Nacional de Havana, Cuba, e no Berkeley College of Music, em Boston, EUA. Já tocou com estrelas internacionais como Pablo Milanez, em Cuba. Esteve no Rock in Rio Lisboa com Alicia Keys, Sting e Ivete Sangalo.

O saxofonista angolano sonha montar um projecto com 30 instrumentistas de sopro, que vão adaptar o som de instrumentos sonoros tradicionais para o saxofone e outros instrumentos de sopro, como o trombone e o trompete. Sanguito também teve passagem pela Casa dos Rapazes de Luanda, em 1967, onde teve o primeiro contacto com a guitarra e a requinta, um instrumento de sopro da família dos clarinetes que possui uma sonoridade mais estridente e aguda, dois traços distintivos em relação ao clarinete. Em 1977, Sanguito frequentou um curso de instrutor na Academia de Música de Luanda, onde aprendeu a tocar saxofone (alto, tenor, soprano e barítono), para além de trompete e piano, com o professor Fernando Nunes. Sanguito fez parte, em 1981, do agrupamento musical Petro Clave. Nesse mesmo ano, mudou-se para o agrupamento musical Os Merengues e, em 1982, passou pelo agrupamento Semba Tropical. Com esta formação, representou Angola em vários festivais de música na Europa e América, visitando alguns países africanos. Depois da passagem efémera pela banda Semba África, Sanguito emigrou, em 1993, para Portugal com o objectivo de continuar os seus estudos no domínio da música clássica, jazz e harmonia. Massy e Franco são integrantes do referido projecto, mas com passagem na juventude pela Casa Pia. Luís Massy entrou na música popular pelos FAPLA, agrupamento em que ingressou em 1975. Frequentou a Academia de Música de Luanda e tornou-se instrutor. Nos últimos anos, exerceu cargos administrativos, primeiro como responsável dos Jovens do Prenda (1992-2002) e mais tarde, em 2006, foi eleito secretário executivo da União Nacional dos Artistas e Compositores (UNAC). Já Franco começou a tocar em boîtes. Em 2010, participou no Festival das Cinco Raças, no Japão, tocando flauta com a Orquestra de Câmara de Tóquio.

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