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Etiópia, viagem a 3 mil anos de história

13/08/2015 - 16:03, + Mercado, Evasões

Hot, hot-spot! O antigo Império da Abissínia foi considerado o melhor destino turístico do mundo em 2015.

1. Igreja de S. Jorge
Localizada em Lalibela, é a mais impressionante das 11 igrejas escavadas na rocha, de cima para baixo.
2. Mercado
Semien Mountains Park
3. Oryx, antílope da África Oriental
Awash National Park
4. Gare de Adis Abeba
Capital e a maior cidade do país, sede da União Africana
5. Gondar "Camelot" da Etiópia
Castelos e palácios de imperadores e princesas
Por Ana Maria Simões Fotografia DR

A história e a herança cultural do continente, a par da sua vitalidade, transformam África numa permanente novidade. É o caso da Etiópia. Há pouco mais de uma década, as imagens icónicas da fome no país percorriam o mundo, emocionavam, fizeram charges de humor negro, usado como termo de que o que está mau ainda pode ficar pior: como a “fome da Etiópia”. E agora tudo mudou. Recentemente, o primeiro presidente negro dos Estados Unidos da América, Barack Obama, pisou o solo da Abissínia apelando a uma maior democratização do país. Mas por agora fiquemos com o turismo, ou com a cultura. Porque a Etiópia é isso mesmo, o território de uma das grandes civilizações do mundo – o Império da Abissínia. Dizem até que daí partiu o Homo sapiens, de que todos somos descendentes. Logo, somos todos etíopes. Foi também no território da Etiópia e países vizinhos que se fez o reino da Rainha do Sabá. E falamos de 3 mil anos de história. É então mais fácil perceber porque é que este país que já foi de extrema pobreza é também um país de uma enorme riqueza. E a Etiópia é o melhor destino turístico do ano. As ruínas de Aksum, a cidade de Harar Jugol e os monumentos de Aouche são apenas três entre as muitas razões que levaram à escolha do Conselho Europeu de Turismo e Comércio (ECTT) – um grupo sem fins lucrativos de organizações profissionais do turismo da União Europeia.
Outros números e mais razões: 82 mesquitas, 11 igrejas medievais do século XII e uma centena de santuários. Uma notável conservação dos monumentos milenares e centenários. A Etiópia foi definida como um “destino cultural perfeito”, pelo relatório apresentado por Anton Caragea, presidente do ECTT. Peritos em turismo de 28 nacionalidades, destacaram os esforços feitos pelo país na conservação e preservação de espaços históricos e dos inúmeros parques nacionais, como o de Simien, que desde 1978 é Património Mundial segundo os critérios da UNESCO. E destacam Lalibela, que “deveria ser apresentado ao mundo como um centro de fé e das crenças religiosas”, comparável a Jerusalém.
Esta distinção atribuída desde 2006 pelo CETC destaca um país que coloca o turismo no centro das suas políticas de desenvolvimento social, além de outros critérios indispensáveis, como a promoção de um turismo sustentável, a segurança dos turistas, a qualidade das infra-estruturas, o acesso a locais históricos ou os esforços nacionais para assegurar a conservação dos monumentos.
É certo que a Etiópia não chegou sozinha a este estado de coisas, teve o apoio do Banco Mundial. Os resultados: o número de visitantes passou de 468 mil, em 2010, para 681 mil, em 2013 – uma contribuição para o PIB de 4,5%, gerando quase 1 milhão de postos de trabalho e mais de 2 mil milhões USD de receita. Em dez anos, entre 2003 e 2013, o país registrou uma taxa de crescimento de 10,8%, em média, duas vezes mais que a média para a região, que foi de 5,3%. Para o ano 2015/2016, o Banco Mundial estima o crescimento da Etiópia em 10,5%, superior à estimativa do FMI, que se concentra no crescimento económico de 8,6%.
O turismo foi identificado pelo governo etíope como um sector-chave para impulsionar e acelerar o desenvolvimento nacional e para eliminar a pobreza. Para o primeiro-ministro, Hailemariam Desalegn, “o turismo tem uma vocação social” e é também uma forma ideal para “apoiar o desenvolvimento de comunidades marginais e rurais”.
Para o Banco Mundial, África pode competir com os maiores destinos do mundo. Em 2015, ganhou um: a Etiópia.

Quando chegar à Etiópia, diga sahlam! (olá!), e à partida… amasagenalaha (obrigado)
Num dos países mais antigos do mundo fala-se amárico (e uma infinidade de línguas nativas) e distingue-se o género para dizer por favor: ibekish se for mulher, ibeki se for um homem. Para dizer que está bem, diga yamasgunuh. Para não se perder no segundo país com mais população de África, deixamos-lhe algumas indicações, breves. Como ir: não há voos directos de Luanda para Adis Abeba (a TAAG acabou com a rota há alguns anos), mas com uma passagem por Brazzaville chega a Adis Abeba. Aí pode instalar-se no Sheraton ou no Hilton, ou na diversidade dos excelentes hotéis de uma cidade em franco crescimento – “o Dubai de África”. Há 33 países que podem obter o visto à chegada, não é o caso de Angola, terá de o fazer antes. Deve levar algum dinheiro, de preferência em USD, euros oulibras esterlinas. A moeda local é o birr (ETB), eovalor que pode entrar e sair do país é muito limitado: 100 birr. O suficiente para comer injera, oprato nacional da Etiópia – um pão esponjoso, desabor picante, feito à mão a partir de grão que cresce nas terras altas. Come-se com wot (ou wat) – ensopados de carne ou legumes muito condimentados. Mas em todos os lugares pode encontrar spaghetti. Beba café, a cerimónia do café é uma cerimónia de boas-vindas. E tenha em atenção que os etíopes são profundamente religiosos.

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