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Exposição ‘Patriota’, de Guilherme Mampuya

10/08/2017 - 09:21, + Mercado

Até 30 de Setembro, o Palácio de Ferro acolhe o mais recente trabalho de Mampuya, que fala sobre o patriotismo numa era de globalização.

Por Vânia Andrade | Fotografia Njoi Fontes 

O edifício histórico de Luanda acolhe desde sábado, 5 de Agosto, a 30 de Setembro a exposição individual do artista plástico Guilherme Mampuya intitulada Patriota. A mostra, que estará patente praticamente dois meses no Palácio de Ferro, revela o renovado trabalho do conceituado Mampuya.

O artista plástico, que há oito anos interrompeu a função de assessor jurídico para se dedicar ao papel, à tinta, à madeira e a outras ferramentas tecnológicas essenciais à criação de peças sobre diferentes momentos da história, apresenta ao público onze das suas peças de arte, entre elas, três estátuas, duas telas rectangulares e seis redondas.

Uma carreira dedicada

Guilherme Mampuya Wola nasceu na província do Uíge, em 1974. Licenciou-se em Direito, pela Universidade de Kinshasa, na República Democrática do Congo, em 2000, e, depois de dois anos, optou por fazer um curso de pintura básica. Pouco tempo depois, sentiu a necessidade de aperfeiçoar a técnica aprendida, e ingressou no curso de pintura de retratos, no atelierde pintura Honesto Nkunu, em Luanda. Embora sem receber qualquer apoio da família, Mampuya, em 2005, com muita convicção, tornou-se membro da União dos Artistas Plásticos Angolanos (UNAP), momento que se fez oportuno para o artista dar o pontapé de saída ao seu percurso como expositor.

Patriota, um pedaço

A exposição que ficará patente até ao dia 30 de Setembro, de terça a domingo, das 10 às 21 horas, tem como objectivo estimular e engrandecer os valores patrióticos a nível dos cidadãos nacionais, com vista a desempenharem arduamente as suas funções para o crescimento do País.

Guilherme Mampuya defende que o facto de estarmos diante de uma época globalizada não implica dizer que, enquanto cidadãos, não devemos descurar o orgulho nacional, devemos, antes, estar conscientes de que as relações podem cessar, e que as nações devem continuar com a sua marcha rumo ao desenvolvimento para estabilizar e dignificar o País.

Segundo o artista, as peças serão suportadas por grades de ferro interligadas entre elas por cabos de aço, uma vez que as grades são a metáfora do patriotismo e do orgulho nacional. “As nações não podem parar quando as relações bilaterais terminam, precisam de arranjar soluções internamente, e isso só é possível com o patriotismo”, explica Mampuya, cujas mostras têm sempre um significado ligado às identidades culturais.

Em 2016, o artista plástico brilhou coma exposição África, onde prestou homenagem a várias figuras históricas, como Nelson Mandela, Martin Luther King, Fela Kuti e Desmond Tutu, cujos percursos de vida são exemplos de entrega, abnegação e heroísmo nas lutas pela independência, pela liberdade e contra todas as formas de discriminação e desigualdade.

O artista foca também a natureza e o papel de relevo da mulher africana na sociedade urbana e rural.

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