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Globalização e as escolas de negócios em África

06/11/2017 - 14:15, + Mercado

Dizia Platão que “a coisa mais indispensável a um homem é reconhecer o uso que deve fazer do seu próprio conhecimento” de forma a que possa ser tão produtivo quanto útil ao meio que o envolve.

Realçando a perspectiva do professor Pankaj Ghemawat, que entre 1983 e 2008 foi docente na Harvard Business School (HBS), actualmente parte do claustro do IESE, e autor do livro World 3.0(Mundo 3.0) – especialista em globalização –, a sua tese mais sonante é o facto de o mundo não ser tão plano quanto poderá parecer à primeira vista tendo em conta a conotação que damos à palavra globalização.

Segundo o professor Ghemawat, apesar de certos aspectos como as virtudes humanas serem algo que une a humanidade de forma praticamente incontestável, aspectos relacionados e relevantes à dimensão empresarial das organizações devem ser olhados com cepticismo.

De forma breve, será de referir que a percepção sobre o grau de interdependência entre mercados – entenda-se por interdependência a capacidade  de  as  empresas  gerarem correlações culturais que possam mediar vantagens competitivas e eficiências organizacionais de uma geografia para outra geografia – é maior do que a interdependência real entre os mercados.

Significa isto que as empresas locais têm uma capacidade maior de servir os seus próprios mercados devido ao facto de os conheceram melhor, saberem prever melhor as suas necessidades futuras, antecipar a concorrência, entre outros factores.

O que se segue é que as empresas locais devem ser olhadas como a base das economias e por isso mesmo como o início da cadeia de valor para a geração de impacto económico e social.

O mesmo pensamento é aplicável às escolas de negócios, que, tendo os olhos no melhor que se faz no mundo, devem adaptar a sua actuação aos seus respectivos contextos.
A Africa Initiative (Iniciativa África) – liderada pelo IESE – tem como sua missão “ajudar o desenvolvimento da liderança empresarial sustentável em África de forma a ter um impacto positivo e duradouro na sociedade africana”.

Das 15 escolas – a nível mundial – que contaram com a cooperação do IESE para a sua fundação, 5 encontram-se em África, nomeadamente a LBS – Lagos Business School (Lagos), SBS – Strathmore Business Schools (Nairobi),  MDE  Business  School (Abidjan), NU – Nile University Business School (Cairo), e a ASM – Angola School of Management (Luanda), que conta com a cooperação da AESE Business School desde o seu arranque em 2008. Enquanto centros de geração de conhecimento  e  instituições  de aprendizagem, as escolas de negócios estabelecem o critério para o potencialmente exequível tendo em conta uma perspectiva global da excelência da gestão mas olhando para as especificidades dos mercados e capital humano.

A AABS – Association of African Business Schools (Associação Africana de Escolas de Negócios) tem vindo desde 2005 a estabelecer uma rede internacional de membros cujo propósito é servir a capacitação das pessoas e organizações académicas especializadas na gestão de empresas.

Este ano, a conferência anual teve lugar na UNISA School of Business and Leadership, na África do Sul, e contou, entre outras, com a presença da GIBS – Gordon Institute of Business Science, que é uma das escolas de referência no continente.

Tendo em conta as especificidades geográficas de África, escolas como a Strathmore Business School e a Angola School of Management têm vindo a reforçar a sua atenção para a gestão do agronegócio de forma a oferecer formações sectoriais dirigidas a gestores do sector agroalimentar cujo valor económico e social é sinónimo do seu potencial de crescimento e vantagens competitivas.

A importância de um sector especializado na formação de executivos é também expressa pelas Nações Unidas, tendo em conta que a visão estratégica sobre o papel do conhecimento na construção de uma sociedade consciente e intencionalmente caminhante na direcção de um impacto positivo é actualmente consensual. As escolas de negócios são think tanks, isto é, lugares onde pensar o desenvolvimento económico e a gestão está ao serviço das pessoas, das empresas e da sociedade.

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