Mercado

Goodfellas: Para além de “o crime não compensa”

08/12/2016 - 11:09, + Mercado, Life & Arts

Ninguém assume, a princípio, que a vida de um gangsterpode servir de lição positiva para o mundo empresarial. A verdade é que sim, saiba como.

Por André Samuel 

andre.samuel@mediarumo.co.ao 

Podemos aprender tanto com os bons exemplos quanto com os maus, o importante são as experiências que retemos, não importa a situação. O filme Goodfellas, de Martin Scorsese (1990), é um desafio “perfeito” para o exercício do aprendizado a partir de péssimos exemplos.

O filme retrata a ascensão de três criminosos bem como a sua queda em 30 anos, e por certo ninguém assume, a princípio, que a vida de um gangster pode servir de lição positiva, principalmente para o mundo empresarial. A verdade é que sim, se focarmos aspectos ligados a motivação, disciplina, preparação e objectividade.

Estes valores transcendem a área de actuação, são aplicáveis em todos os segmentos. Nesta película, a personagem Henry Hill, interpretada por Ray Liotta, é o exemplo de que, com motivação e persistência, não importam os obstáculos, os objectivos são alcançados.

Desde jovem que manifestava ser um gangster, e o desejava acima de tudo, até mesmo do sonho da maioria das pessoas comuns da década de 70, que era ser presidente dos EUA. Henry Hill fez por merecer e tornou-se um gangster, aos 11 anos, membro de uma respeitável família criminosa. Dentro da organização, procurou destacar-se e conquistou o carinho e a protecção da personagem interpretada por Robert De Niro, que o tratou como filho por mais de 20 anos.

Com o passar do tempo, envolve-se em crimes cada vez maiores, definindo assim o seu status na organização. Quase sempre, em apresentações ou palestras sobre coaching, o foco recai sobre como aumentar a produtividade dos colaboradores, o que evidencia uma preocupação por parte das empresas. Ter quadros que almejaram fazer parte da equipa e continuam a esforçar-se em obter uma posição superior à actual faz parte do desirede qualquer gestor.

Por outro lado, James “Jimmy” Conway (Robert De Niro), com a sua personalidade calma típica de um “líder” em organizações que lidam constantemente com situaçõesque geram tensões, passa a experiência de que o acesso a informação privilegiada permite maior preparo e melhores decisões, para além do facto de ser uma excelente apólice de seguro (em caso de chantagens).

Ainda há a ressaltar a vantagem de estar bem relacionado, ter contactos em lugares-chave ou ter parcerias estratégicas que possibilitam a resolução de determinados problemas com uma simples ligação telefónica.

A disciplina e o respeito aos acordos firmados são fundamentais para qualquer organização, o exercício do poder faz-se sempre com a presença activa ou parcial da força coerciva, e foi desse jeito que Jimmy fez a instituição que dirigia ser respeitada. É certo que o excesso do uso da coerção é desencorajado, mas nunca se deve abdicar do uso de sanções quando a situação exige, sob pena de enfraquecer a autoridade da liderança.

Um conselho, assista ao filme mais de uma vez, procure identificar aspectos que o possam motivar a si ou a alguém próximo a melhorar determinadas habilidades, divirta-se com a intensidade da interpretação de um elenco brilhante que mereceu diversos reconhecimentos um ano após o seu lançamento.
Goodfellas é um filme estado-unidense de 1990 dirigido por Martin Scorsese, baseado no livro Wiseguy, escrito por Nicholas Pileggi, que co-escreveu o argumento para o filme com Scorsese. O filme segue a ascensão e a queda de três gangsters, ao longo de três décadas.

O elenco é liderado por Robert De Niro, Ray Liotta e Joe Pesci.

Trata-se de um intenso retrato da máfia durante 30 anos. Apesar de a história andar em torno da personagem de Ray Liotta, é o elenco de suporte que dá valor ao filme. Robert De Niro, como um gangster calmo, e o galardoado Joe Pesci, como uma personagem mais activa e violenta, dão os pontos fundamentais para elevar a obra ao topo.

Gosta deste artigo? Partilhe!

Deixe o seu comentário

You must be logged in to post a comment.