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Intersection: A cada escolha, uma renúncia

22/02/2017 - 16:59, + Mercado

Escolher uma coisa nunca foi facil, desde as mas simples até as mais complexas e toda escolha requer uma renuncia sejam elas boas ou ruins.

Por Herman Luamba 

Alguns casos, quando escolhemos uma coisa, temos de renunciar a outra. Mas, na maior parte das vezes, essa decisão pode ser um tiro certeiro no próprio pé, principalmente quando o assunto é a dissolução de um casamento em que há filhos e nos vimos diante de uma encruzilhada.

Um caso semelhante verifica-se no filme Encruzilhada, onde Vincent Eastman (Richard Gere) é um premiado arquitecto cuja vida pessoal se encontra num momento conturbado.

Separado da sua bela mulher (Sharon Stone), Vincent tem um caso com uma alegre e apaixonada escritora (Lolita Davidovich), cujo amor é uma promessa de uma nova vida. Mas Vincent está emocionalmente dividido entre as duas mulheres, mantendo a sua futura felicidade – e a da sua filha de 13 anos – a balançar entre os pratos da balança.

Por um lado, está a família e a empresa, uma sociedade com a esposa, e, por outro, a mulher por quem Vincent está apaixonado. Vincent vê-se embaraçado sem saber qual dos caminhos deverá seguir, pois, optando pela amante, pode perder a família e desestabilizar a empresa, optando pela família e pelo trabalho, poderá perder a oportunidade de estar com a mulher por quem está apaixonado.

Realmente, não é nada fácil escolher. Talvez se torne tão difícil por um simples detalhe despercebido, onde dizer sim, em alguns casos, pode soar a não. Toda a escolha tem uma renúncia, e, se temos de escolher, se vamos escolher, porque não analisar o tamanho da renúncia? Se toda a acção gera uma reacção, porquê só agir? A empolgação e o glamourpostos sobre o sim geram muitas vezes um esquecimento do não, há filhos desorientados pela separação de pais, por causa de um não, jovens se drogando, meninas se prostituindo, chefes maltratando, por causa de um não, pelo facto de se ter pensado que a vida era uma pergunta de uma resposta só.

É a era do sim, do tudo liberado, do vamos, façam o que vos der na telha. Ninguém é dono do seu nariz, principalmente quando se tem família.
Por isso, muitos renunciaram às suas vidas por nada, ou melhor, por paixão temporal, por dinheiro, por status, por uma noite, por um cargo, chegando a olhar para trás e perceberem que nada disto vale a sua vida; a sua família. Toda a escolha traz uma renúncia, todo o sim traz um não, todo o não traz um sim, pois, se dissermos um não na hora certa, podemos mudar muita coisa.

Quando escolhemos uma noitada, estamos renunciando a uma noite de sono; quando escolhemos uma profissão, estamos renunciando a todas as outras; escolher viver desregradamente, como muito jovens o fazem, muitas vezes significa renunciar à vida, pois morrem em acidentes de carro, em brigas, em transacções ilegais, por doenças comuns e até mesmo as sexualmente transmissíveis.

Por outro lado, jogadores renunciam à família e até ao país, para seguirem a profissão, estudantes renunciam noites de sono, para estudarem
matérias mais difíceis, músicos renunciam o tempo livre, assim com dançarinos, atletas, atores, etc. Mas esta renúncia está acarretando uma escolha, esta não está trazendo um sim, um sim para condições financeiras melhores, para uma profissão, para uma perfeição e excelência naquilo que se propôs a fazer. No caso, Vincent escolheu a namorada e viu-se obrigado a renunciar à família.

Não temos costume de medirmos as nossas escolhas, a nossa balança está sempre tombada para o lado do sim, as nossas escolhas estão sempre recheadas de emoção. Antes de escolher, pense na renúncia, olhe para os dois lados, para a mão e a contramão, pense se vale a pena um sim no lugar de um não, se você é forte para remar contra a maré, se você tem controlo suficiente para se manter parado, se você é bonito o suficiente para permanecer vestido, se é bom líder enquanto chama a atenção de alguém, se é um funcionário-padrão neste posto.

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