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Jazz: Um tributo a Sidney Bechet

14/11/2016 - 17:00, + Mercado

O clarinetista, saxofonista e compositor de jazzfoi uma das figuras mais conhecidas do século XX e um dos mais importantes jazzmende que há memória na história da world music.

Por Evaristo Lisboa 

O músico-prodígio, nascido numa família crioula de classe média, em Nova Orleães, Luisiana, a 14 de Maio de 1897, Sidney Bechet rapidamente aprendeu a tocar os vários instrumentos musicais que existiam ao seu redor em casa, principalmente por autodidactismo, mas decidiu especializar-se no clarinete. Com 6 anos, começou a tocar junto com a banda do seu irmão numa festa de aniversário da família. Aí estreou os seus talentos, para aclamação da audiência. Mais tarde, na sua juventude, Bechet estudou com renomados clarinetistas crioulos como Lorenzo Tio, “Big Eye” Louis Nelson Delisle e George Baquet.

Anos depois, Bechet começou a tocar em muitos conjuntos de Nova Orleães, usando as técnicas de improvisação da época. Embora Bechet tenha passado a sua infância e adolescência em Nova Orleães de 1914 a 1917, ele viajava com muita frequência a Chicago, até que decidiu mudar-se permanentemente. Uniu-se a Freddie Keppard, outro músico crioulo notável, e ao pianista Tony Jackson.

Na Primavera de 1919, Bechet viajou para Nova Iorque, foi o clarinetista solista da Southern Syncopated Orchestra, conduzida pelo compositor Will Marion Cook. O maestro suíço Ernest Ansermet, que em diversas ocasiões ouviu esta formação em Londres, escreveu sobre Bechet: “Ele não pode dizer nada sobre a sua arte, excepto que ele segue o seu próprio caminho e talvez o caminho em que o mundo swingará amanhã.” A orquestra viajou em tournéepara a Europa e, quase imediatamente após a chegada, apresentou-se no Royal Philharmonic Hall, em Londres. Esta viagem foi um marco na carreira de Bechet, porque é em Londres que ele descobre o saxofone soprano, um instrumento mais dominante do que o clarinete e com o qual ele pode facilmente produzir o vibrato, que era a sua marca. Muitas vezes descrita como “emocional”, “imprudente” e “grande”, costumava usar um vibrato muito amplo, semelhante ao que era comum para alguns clarinetistas de Nova Orleães na época.

Em 30 de Julho de 1923, começou a gravar o que veio a ser um dos seus primeiros trabalhos de estúdio que sobreviveram ao tempo. Bechet gravou em toda a sua carreira seis álbuns, sendo que Wild Cat Bluese Kansas City Man Bluesforam os mais aclamados. Ao longo da década de 1940, Bechet tocou em várias bandas, mas a sua situação financeira não mudou até o final da década. No final da década de 1940, Bechet cansou-se de lutar para fazer música nos EUA, acreditava que a cena de jazznos EUA tinha pouco para oferecer, que estava ficando obsoleta.

Por isso, mudou-se para a França em 1950, depois de se apresentar como solista na Feira de Jazz de Paris. O seu desempenho na feira resultou num aumento da sua popularidade em França. Em 1953, assinou um contrato de gravação com a Disques Vogue, que durou pelo resto da sua vida. Ele gravou muitas músicas de sucesso, incluindo Les Oignons, Promenade aux Champ Elysées, e o sucesso internacional Petite Fleur. Compôs também uma partitura de balletclássico no estilo romântico tardio de Tchaikovsky, chamado La Nuit Est Sorcière(A noite é uma feiticeira). Alguns existencialistas em França chamaram-no “le dieu” ( “o deus”). Pouco antes da sua morte, Bechet editou a sua autobiografia poética, Treat It Gentle,e morreu em Garches, perto de Paris, em 14 de Maio de 1959, no dia do seu 62.º aniversário.

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